Intenção é rever conceitos básicos e importantes
Dr. Vladimir Bernik
Editor Científico
RBM Abr 11 V 68 Neuropsiquiatria 2

Indexado LILACS LLXP: S0034-72642011014400001


Frequentemente encontram-se novos usos para substanciais tradicionais já há muito tempo conhecidas. A renovação de indicações e das posologias empregadas parte da observação clínica da variação de efeitos obtidos a partir de fármacos tradicionalmente conhecidos e utilizados em diferentes tratamentos.

Um dos medicamentos de amplo uso em Psiquiatria é o lítio. Estudou-se sempre o intrigante efeito neuroprotetor e a diminuição do efeito do controle da produção excessiva de radicais livres, que favorecem o processo celular apoptótico, bem como no tratamento dos diferentes quadros do Espectro Bipolar. Sua diversidade de características e consequentes ações permite observar a sua utilidade na neurotransmissão e na ativação das vias neurotróficas. A sua ação neuroprotetora diminui ou até suspende a perda neuronal. Este fato foi observado em transtornos bipolares. Partindo deste tipo de patologia, o lítio manifestou o seu efeito contra o estresse, atrofia e morte celular.

A partir destas observações estendeu-se o estudo a outros quadros neuropsiquiátricos entre os quais as lesões isquêmicas neurológicas e na proteção obtida contra a deposição do peptídeo beta-amilóide na doença de Alzheimer. Conclui-se hoje que esta é uma indicação cada vez mais válida para o uso contínuo de baixas doses de lítio para diminuir o risco também para a população geral.

Estes achados estendem a sua indicação para outras doenças neurológicas degenerativas. A ampliação desta indicação envolve também a proteção contra prejuízos de perdas cognitivas até na infecção pelo HIV.

As indicações para a proteção contra o efeito neurotóxico e neurodegenerativo por parte do lítio são totalmente revisadas no artigo de Machado-Vieira, Manji e Zarate, comentado por Teng Chei Tung, um dos artigos que ilustram a presente edição.

Assim, o seu conhecimento abre as portas para o uso do lítio na profilaxia de uma série de quadros degenerativos do SNC.

Somam-se os efeitos clínicos e a sua segurança à diversidade de suas apresentações para o seu mais amplo uso. A facilidade de seu emprego, aliada à condição de promover ganhos mínimos de peso frente a outros produtos com a mesma indicação, além da facilidade de não necessitar de constantes e periódicos controles hematológicos nem sempre disponíveis com facilidade, fazem este medicamento ser amplamente receitado.

O estudo compara efeitos terapêuticos e os adversos de diferentes antipsicóticos de segunda geração e permite estabelecer uma ampla margem de eficácia e segurança para o seu emprego em diferentes quadros psicóticos, inclusive em crianças e adolescentes.

A discussão de um caso clínico de depressão e ansiedade por Antonio Egidio Nardi é tema oportuno pela elevada prevalência da depressão maior em Psiquiatria. O seu tratamento pode ser abordado por diferentes prismas, onde a base é sempre o uso de um antidepressivo, o mais indicado para cada caso clínico. Neste trabalho analisa-se a sertralina como uma medicação eficiente e segura, que levou o paciente a uma recuperação de seu estado de saúde dentro do tempo esperado.

O presente número da Revista Brasileira de Medicina, Edição Neuropsiquiatria, reúne alguns dos artigos mais importantes nesta área, alguns dos quais já publicados em edições anteriores, mas que face à importância dos conceitos veiculados e a sua atualidade científica, merecem ser mais amplamente divulgados, não apenas entre os psiquiatras, mas principalmente também a nível dos médicos não-especialistas pela sua alta prevalência na população.

Trata-se de uma contribuição desta revista para maior difusão dos conceitos sobre quadros clínicos que costumam ser comuns na prática médica cotidiana.

E esta é exatamente a nossa intenção.