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Efeitos da exposição aos campos eletromagnéticos do telefone celular
Effects of exposure to mobile phone electromagnetic fields


Aracy P. S. Balbani
Médica otorrinolaringologista. Doutora em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP).
Alberto L. Krawczyk
Engenheiro eletricista. Mestre em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Unitermos: audição, micro-ondas, telefone celular.
Unterms: hearing, microwaves, cellular phone.


Sumário
Os telefones celulares emitem radiofrequência (RF), uma radiação não ionizante. Os efeitos biológicos dos campos eletromagnéticos variam de acordo com a frequência destes e podem ser: aquecimento dos tecidos por dissipação de energia, surgimento de correntes elétricas ou polarização de moléculas. Fisiologicamente, várias espécies animais usam a informação sensorial do campo geomagnético para orientação espacial. Na fisiopatologia da exposição a campos eletromagnéticos de RF há efeitos térmicos (aquecimento) e não térmicos (estresse oxidativo, desorganização da cromatina e prejuízo do reparo do DNA). A simulação em computador estima que a absorção da energia da RF na orelha interna é maior no vestíbulo do que na cóclea. Nesta, o campo elétrico é mais absorvido nos giros basal e apical. Não há evidências de que a exposição aguda aos campos eletromagnéticos dos celulares, dentro dos limites de segurança ocidentais, modifique as funções auditiva e vestibular. Alteração imediata e reversível da função do nervo facial pode ocorrer no modelo experimental. Os estudos epidemiológicos não comprovam o aumento do risco de tumores na cabeça pelo uso dos aparelhos celulares. É recomendável que se use o celular no modo viva voz sempre que possível e jamais se utilize o aparelho durante a direção de veículos.

Sumary
Mobile phones emit radiofrequency (RF), a non-ionizing radiation. The biological effects of electromagnetic fields vary according to their frequency and may be tissue heating due to the energy dissipation, occurrence of electric currents or molecule polarization. Physiologically, several animal species use the geomagnetic field sensory input for their spatial orientation. In the pathophysiology of RF electromagnetic fields exposure there are both thermal effects (heating) and non-thermal effects (oxidative stress, changes in chromatin conformation and impairment of DNA repair). A computer simulation estimates that RF energy absorption in the inner ear is greater in the vestibule than in the cochlea. Within the cochlea, the electric field is noticeably absorbed in the apical and basal turns. There is no evidence that the acute exposure to mobile phone electromagnetic fields according to the occidental safety limits can affect the vestibular or auditory functions. Immediate and reversible alteration of facial nerve function may occur in an experimental model. Epidemiologic surveys do not confirm the increased risk of head tumors as a consequence of mobile phone use. It is highly recommended that mobile phones are used in the hands free mode whenever possible and never used while driving.

Numeração de páginas na revista impressa: 87 à 96

Resumo


Os telefones celulares emitem radiofrequência (RF), uma radiação não ionizante. Os efeitos biológicos dos campos eletromagnéticos variam de acordo com a frequência destes e podem ser: aquecimento dos tecidos por dissipação de energia, surgimento de correntes elétricas ou polarização de moléculas. Fisiologicamente, várias espécies animais usam a informação sensorial do campo geomagnético para orientação espacial. Na fisiopatologia da exposição a campos eletromagnéticos de RF há efeitos térmicos (aquecimento) e não térmicos (estresse oxidativo, desorganização da cromatina e prejuízo do reparo do DNA). A simulação em computador estima que a absorção da energia da RF na orelha interna é maior no vestíbulo do que na cóclea. Nesta, o campo elétrico é mais absorvido nos giros basal e apical. Não há evidências de que a exposição aguda aos campos eletromagnéticos dos celulares, dentro dos limites de segurança ocidentais, modifique as funções auditiva e vestibular. Alteração imediata e reversível da função do nervo facial pode ocorrer no modelo experimental. Os estudos epidemiológicos não comprovam o aumento do risco de tumores na cabeça pelo uso dos aparelhos celulares. É recomendável que se use o celular no modo viva voz sempre que possível e jamais se utilize o aparelho durante a direção de veículos.


Aracy P. S. Balbani

Introdução

Os sistemas de telecomunicações emitem radiofrequência (RF), uma radiação eletromagnética invisível, não ionizante, que inclui as micro-ondas (frequências de 300 MHz a 300 GHz) (Figura 1).


Figura 1 - Espectro da radiação eletromagnética.

A telefonia sem fio é uma das tecnologias cujo mercado consumidor se expandiu com maior rapidez nas últimas décadas. Mais da metade da população mundial usa telefones móveis celulares, proporção que supera 90% do total de habitantes em alguns países desenvolvidos(1). No Brasil já há cerca de 160 milhões de aparelhos em operação(2). Por esse motivo, o impacto da exposição dos usuários aos campos eletromagnéticos gerados pelos celulares é uma questão de saúde pública. O tema é de especial interesse dos otorrinos, já que a maior parte da radiação emitida incide sobre a região da orelha e glândula parótida.

Um dos primeiros estudiosos das consequências dos campos eletromagnéticos (CEM) na saúde foi d’Arsonval, médico e inventor francês, em 1850. Durante a Segunda Guerra Mundial os efeitos adversos se tornaram publicamente conhecidos em razão de acidentes com soldados que trabalhavam próximo a campos intensos na faixa de UHF e, então, surgiu a iniciativa de limitar a exposição humana aos CEM para prevenir danos à saúde(3). Em 1996, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou o Projeto Internacional EMF, incentivando as pesquisas sobre o assunto(4).

Os efeitos biológicos dos CEM variam de acordo com a frequência destes. O principal efeito das micro-ondas, por exemplo, é a dissipação de energia nos tecidos sob a forma de calor. Dependendo da intensidade da ação dos CEM, podem surgir correntes elétricas e polarização de moléculas.

Os campos são analisados segundo a intensidade do campo elétrico (E), expressa em V/m, e a intensidade do campo magnético (H), expressa em A/m ou teslas – T. O principal parâmetro para avaliar os efeitos nos organismos vivos é dose de energia dissipada, chamada taxa de absorção específica (specific absorption rate – SAR), expressa em energia (Watts) por massa de tecido (quilogramas).

Como inexiste harmonização internacional das normas de segurança para exposição aos campos elétricos, magnéticos e eletromagnéticos na faixa de RF, encontramos três diretrizes diferentes(4,5).

1. Normas ocidentais
Estabelecidas pelo Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE C95.1-1999) e International Commission on Non Ionizing Radiation Protection (ICNIRP), são fundamentadas nos trabalhos científicos publicados em periódicos com revisão por pares.

Nos Estados Unidos há também uma normatização do National Council on Radiation Protection and Measurements (NCRPM), adotada por alguns órgãos governamentais.

Os limites da Resolução 303/2002 da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) se baseiam nas normas da ICNIRP, restringindo a exposição da população em geral à SAR de 2 W/kg localizada na região da cabeça e tórax(6).

2. Normas orientais
São adotadas pela China, Rússia e vários países do Leste Europeu. Diferenciam-se das ocidentais em dois aspectos:
a) A metodologia científica utiliza o conceito de dose da RF (densidade de potência multiplicada pelo tempo de exposição) e critérios mais tolerantes para diagnosticar efeitos dos CEM em humanos, admitindo sintomas inespecíficos como cefaleia, fadiga, irritabilidade, distúrbios do sono e tontura
b) Estabelecem margem de segurança mais restritiva, pois na escola médica russa existe a convicção de que a exposição aos CEM durante horas é suficiente para causar danos à saúde, ainda que não haja aumento da temperatura dos tecidos vivos, como veremos adiante(7).

3. Princípio da precaução
Não considera os resultados dos trabalhos científicos e preconiza “minimizar os riscos ainda desconhecidos” através da cautela. Pouquíssimos países, como a Itália e a Suíça, seguem este princípio, adotando na legislação alguns limites para exposição humana que correspondem a 1/10 dos valores máximos permitidos pelas normas da ICNIRP(7). Críticos alegam que o princípio da precaução é um empecilho para a incorporação de novas tecnologias à vida cotidiana(8).
Predominam no Brasil os celulares de tecnologia digital que operam no sistema GSM com micro-ondas nas bandas de 900 ou 1.800 MHz. Os mesmos aparelhos podem operar com tecnologia UMTS (Universal Mobile Telecommunication System) nas frequências de 1.750 ou 1.950 MHz(9). Paralelamente, está crescendo a rede de terceira geração (3G), no sistema PCS em 1.900 e 2.100 MHz, para acesso móvel à Internet.

Os fabricantes dos aparelhos devem obedecer às especificações técnicas da Associação das Indústrias de Telecomunicações (TIA) e do Instituto Europeu de Padrões em Telecomunicações (ETSI). Também é necessário apresentar resultados de dosimetria da radiação emitida para a certificação dos equipamentos na Anatel, confirmando que eles não excedem os limites permitidos na legislação.

Dependendo da operadora de telefonia, a rede pode ser configurada para aplicar recursos técnicos que reduzem o consumo de energia da bateria do aparelho e, consequentemente, a radiação emitida para a cabeça do usuário. Um controle automático é capaz de ajustar a potência ao mínimo necessário para emitir um sinal de intensidade satisfatória para a estação radiobase (antena na torre). A potência máxima só será utilizada quando o celular estiver muito distante da estação radiobase (em áreas rurais, por exemplo). A transmissão descontínua (DTX) promove uma interrupção automática quando o usuário para de falar(10).

Nesta revisão resumimos os efeitos dos CEM da radiação não ionizante sobre os organismos vivos e os resultados de estudos recentes sobre o efeito dos telefones celulares nos sistemas auditivo e vestibular, na função do nervo facial e no aparecimento de tumores na cabeça.

Efeitos biológicos da exposição a campos magnéticos, elétricos ou eletromagnéticos

Fisiologia

Ao menos 50 espécies animais – peixes, répteis, anfíbios, insetos, crustáceos, aves e mamíferos – utilizam o campo magnético terrestre como informação sensorial para orientar seu deslocamento espacial(11). Supõe-se que isso seja importante para manter as rotas migratórias de diversas espécies (pássaros, cetáceos e tartarugas marinhas, por exemplo), já que o campo geomagnético é uma referência constante, isto é, não sofre influência de variações climáticas, de altitude ou luminosidade(12).

Há duas teorias sobre esse mecanismo sensorial, o qual tem sido estudado mais detalhadamente nos peixes e aves migratórias. Uma hipótese se baseia na existência de depósitos especializados de partículas ferromagnéticas, os cristais biogênicos de magnetita (Fe3O4)(13). Nos peixes, eles compõem cadeias lineares chamadas magnetossomos(14). A exposição a campos magnéticos externos provoca oscilações mecânicas dos cristais, possivelmente mudando a conformação de canais iônicos na membrana celular e abrindo-os(14,15).

Outra teoria sugere que ocorrem reações fotoquímicas com radicais livres sensíveis a campos magnéticos. Até o momento, porém, não se conseguiu que uma reação fotoquímica in vitro fosse alterada por um campo magnético de intensidade tão fraca quanto o da Terra (aproximadamente 50 µT)(10). Por outro lado, a magnetita é encontrada em estruturas nervosas relacionadas ao sistema visual de alguns pássaros, o que leva biólogos a acreditarem em ambas as hipóteses. É possível que o campo geomagnético atue sobre os cristais de magnetita em estruturas anatômicas em que acontecem reações químicas com pigmentos fotossensíveis(12). Em ratos expostos a CEM na frequência de 60 Hz, a tomografia por emissão de pósitrons mostra maior atividade metabólica no cerebelo(16).

O conhecimento sobre essa habilidade sensorial na espécie humana é ainda mais escasso. Quantidades ínfimas de cristais de magnetita foram encontradas difusamente no sistema nervoso central (lobos cerebrais, cerebelo, gânglios da base e mesencéfalo)(13), não permitindo localizar uma estrutura magnetossensorial. Foram registrados potenciais evocados no eletroencefalograma (EEG) de dez voluntários expostos a um estímulo magnético de baixa frequência e intensidade, com curtíssima duração, aplicado na região da cabeça (35 Hz, 0,1 mT por 0,2 ms)(15).

Fisiopatologia
Os efeitos biológicos potencialmente nocivos podem ser térmicos ou não térmicos. Os limites ocidentais de segurança para exposição humana aos CEM foram estabelecidos com base nas evidências científicas sobre os efeitos térmicos.

Efeitos térmicos
Decorrem da dissipação da energia nos tecidos e variam de acordo com as propriedades elétricas destes. O corpo humano absorve com maior eficiência a energia dos CEM de frequências acima de 100 kHz, podendo ocorrer queimaduras ou catarata(3).

É comum a sensação de aquecimento da orelha durante as chamadas prolongadas ao celular. Um experimento com coelhos analisou as variações de temperatura na região do nervo facial e a função neural antes e depois da exposição à radiação em 1.900 MHz, com SAR 3,72 W/kg, por 25 minutos. Imediatamente após a exposição a temperatura local aumentou 0,39oC e a amplitude do potencial de ação muscular (CMAP) foi significativamente menor, com recuperação espontânea 25 minutos depois(17). Porém, destacamos que a SAR nos animais foi superior ao limite permitido para seres humanos.

O aumento de temperatura no tecido cerebral pelo uso de celulares não ultrapassa 0,1oC, tornando improvável a ocorrência de efeitos térmicos no sistema nervoso central (SNC) nessa situação(10).

Efeitos não térmicos
A energia da radiação eletromagnética é diretamente proporcional à sua frequência. Raios ultravioleta, X e gama, cujas frequências estão acima de 109 MHz, têm alta energia na sua partícula elementar, o fóton, portanto são capazes de excitar elétrons e provocar ionização. As radiações ionizantes lesam diretamente o DNA, através da quebra de ligações químicas.

Não ocorre o mesmo com a radiofrequência, cuja energia do fóton é dezenas de bilhões de vezes menor. As alterações do genoma aconteceriam através de mecanismos indiretos como: estresse oxidativo (aumento da produção de oxidantes e formação intracelular de espécies reativas de oxigênio), desorganização da cromatina e prejuízo do reparo do DNA.

Estresse oxidativo
Aplicando o teste do cometa (método da eletroforese em gel para avaliar o dano ao DNA), observa-se que ratos expostos às micro-ondas GSM 915 MHz, SAR de corpo inteiro 0,6 W/kg, durante uma hora diária, sete dias por semana, ao longo de duas semanas, apresentam genotoxicidade nos leucócitos do sangue periférico. Há incorporação de bases purínicas oxidadas ao DNA nestes animais, o que não ocorre no grupo-controle (não exposto à radiação)(18).

Células de neuroblastoma humanas em cultura irradiadas com micro-ondas contínuas (CW) de 872 MHz, SAR 5 W/kg, têm aumento significativo da quantidade de espécies reativas de oxigênio já nos primeiros cinco minutos de exposição. Esse efeito também é observado a partir de 15 minutos de exposição às micro-ondas de mesma frequência, mas pulsadas no padrão GSM a 217 Hz(19).

Interferência na organização da cromatina e reparo do DNA
As proteínas 53BP1 e g-H2AX, dentre outras, ligam-se a pontos onde ocorre o reparo do DNA, formando pequenos focos intranucleares. Um teste comparou os efeitos da exposição, in vitro, de linfócitos do sangue periférico humano à radiação no padrão GSM em três frequências diferentes (900, 905 ou 915 MHz), SAR 37 mW/kg, durante uma hora. Nos linfócitos de metade das amostras de sangue expostas à radiação em 915 MHz há diminuição dos focos intranucleares de 53BP1 e g-H2AX, com condensação da cromatina, enquanto numa amostra há descondensação. Esse efeito não é reproduzido nos linfócitos não irradiados, nem nos submetidos a aquecimento a 41oC, levando a crer que micro-ondas na frequência de 915 MHz podem interferir no reparo do DNA mesmo que a temperatura dos tecidos permaneça normal(20).

Efeitos no sistema nervoso central (SNC)
Acredita-se que os efeitos não térmicos no SNC seriam: alteração da neurotransmissão, aumento da permeabilidade da barreira hematoencefálica e mudanças na atividade bioelétrica(10). Como consequência, poderiam acontecer alterações morfológicas, neuro-hormonais e das funções nervosas superiores.

Não se observam diferenças na organização da cromatina e no número de alterações do DNA em células do cerebelo de ratos expostos às micro-ondas GSM 915 MHz, SAR 0,4 mW/g, durante duas horas, em comparação com animais não irradiados. O método de microarranjos mostra que, no tecido cerebelar dos ratos irradiados, há discreto aumento da expressão de 11 genes que codificam proteínas relacionadas à neurotransmissão, barreira hematoencefálica (gene Slc6a6) e síntese de melatonina (Nat1)(21). Apesar do pequeno número de animais estudados (quatro irradiados e quatro controles), há indícios de alterações moleculares no SNC induzidas pelas micro-ondas.

Aumento da permeabilidade da barreira hematoencefálica
Um experimento quantificou, no cérebro de ratos, a expressão de aquaporina-4 (AQP-4), proteína que forma canais de passagem da água nas membranas celulares. Os animais foram divididos em três grupos: controles, ratos expostos a uma simulação de CEM e ratos realmente expostos a CEM de micro-ondas GSM 900 MHz, SAR 4 W/kg, durante uma hora, cinco dias por semana, ao longo de dois anos. Ao término do experimento, eles foram comparados com controles positivos de edema cerebral vasogênico - animais inoculados com toxina botulínica. Somente houve aumento da expressão da AQP-4 no tecido cerebral dos ratos que receberam a toxina(22).

Alteração da atividade bioelétrica
Trabalhos experimentais sugerem alteração do fluxo de íons nas células, polarizando-as. Nos neurônios, o aumento da liberação de cálcio dos estoques intracelulares seria capaz de alterar a neurotransmissão.

Os estudos sobre a influência da RF dos celulares no eletroencefalograma em humanos têm resultados contraditórios. Alguns registram variações das ondas alfa(23,24), mas isso não se repete em outro trabalho(25).

Distribuição dos CEM dos celulares na orelha humana

A simulação em computador com imagens de ressonância magnética da cabeça do adulto estima que a absorção da energia da RF dos celulares (GSM 900 e 1.800 MHz) é maior no vestíbulo do que na cóclea, pela proximidade do primeiro com a fonte da radiação. Na cóclea, o campo elétrico é mais absorvido nos giros basal e apical(26).

Em outra simulação, o implante coclear Nucleus® C124M não provoca variação significativa da SAR na cabeça ou orelha interna durante a exposição à radiação no padrão GSM 900 MHz ou UMTS 1.750 e 1.950 MHz. A SAR máxima estimada nessa situação foi 0,4 W/kg, bem abaixo do limite para exposição do público em geral (2 W/kg). Todavia novas simulações precisam ser feitas para modelos diferentes de implante coclear(27). Na prática, o paciente deve verificar quais celulares são compatíveis com seu implante coclear.

Audição de micro-ondas

Embora a audição humana seja restrita à faixa de frequências entre 20 Hz e 20 kHz, em 1947 observou-se que algumas pessoas conseguiam ouvir sons quando se aproximavam da antena de um radar. A colocação de blindagem junto ao equipamento bloqueava a propagação das micro-ondas, e os indivíduos não mais ouviam o som.

A partir da década de 1960, a audição de micro-ondas foi melhor compreendida, e concluiu-se que pessoas com audição normal para altas frequências (= 8 kHz) são capazes de ouvir cliques, batidas, sopros ou zunidos zunidos de baixa intensidade quando estão junto a transmissores de RF pulsada na faixa de 200 MHz a 3 GHz em locais silenciosos. Na maioria das vezes é preciso usar tampões nos ouvidos para ter a percepção acústica das micro-ondas(28).

A frequência fundamental do som percebido é inversamente proporcional ao tamanho da cabeça, isto é, quanto maior a cabeça, menor a frequência do som. Em porquinhos-da-Índia, gatos e humanos o som das micro-ondas é percebido nas frequências de 45, 38 e 13 kHz, respectivamente(29).

A explicação do fenômeno é a expansão termoelástica dos tecidos. A absorção da energia a cada pulso de RF na cabeça provoca aumento de temperatura nos tecidos moles da ordem de um milionésimo de grau Celsius. Esse gradiente de temperatura é suficiente para gerar ondas de pressão sonora que se propagam por via óssea até a cóclea e resultam em potencial de ação no nervo coclear(28).

Efeitos do uso dos telefones celulares na audição e equilíbrio

Ratos expostos aos CEM de telefones celulares UMTS 1.946 MHz, SAR 10 W/kg, durante duas horas diárias, cinco vezes por semana, ao longo de quatro semanas, não sofrem alteração das otoemissões acústicas produtos de distorção, durante ou após o experimento, em relação aos controles, indicando que não há danos às células ciliadas externas da cóclea pela exposição aos CEM nestas condições(30).

A Tabela 1 resume estudos recentes da função auditiva em humanos durante ou imediatamente após a exposição a CEM emitidos pelos telefones celulares. Eles compõem o “Projeto Guard” sobre efeitos da radiação no padrão GSM. Os trabalhos são duplo-cegos, randomizados, nos quais nem examinadores, nem participantes sabiam se havia exposição real aos CEM de RF ou simulação. Não há alteração dos limiares tonais, otoemissões acústicas ou BERA(31-35).

Kwon e cols. (2009)(36) aplicaram o Mismatch Negativity Test (MMN) a 17 voluntários adultos expostos aos CEM de um celular GSM 902 MHz, pulsado em 217 Hz, SAR 1,14 W/kg. Não houve alteração da latência ou amplitude do potencial evocado de latência média (processamento auditivo no córtex supratemporal ou pré-frontal).

Para analisar a função vestibular, Bamiou e cols. (2008)(34) dividiram adultos, cuja audiometria tonal limiar era normal, em um grupo de nove pessoas com queixa de cefaleia, tontura ou mal-estar quando usavam telefones celulares (casos) e um grupo de 21 indivíduos assintomáticos (controles). Todos foram expostos a CEM de um celular GSM 900 MHz, SAR máxima 1,3 W/kg, durante 30 minutos em cada orelha, em estudo duplo-cego randomizado. Não foi registrado nistagmo na video-oculografia em nenhum caso ou controle.

Impacto do uso dos telefones celulares no desenvolvimento de tumores na cabeça

Envolvendo pesquisadores de 13 países ao longo de 10 anos, o estudo INTERPHONE reuniu dados sobre os hábitos de uso do telefone celular em mais de 2.600 casos de gliomas, 2.300 de meningiomas, 1.100 de neurinomas do acústico e seus respectivos controles(37). Na casuística, oito centros incluíram cerca de 400 tumores da glândula parótida. O objetivo principal era avaliar se a exposição aos CEM de RF emitidos pelos celulares aumenta o risco de aparecimento destes tumores(38).

Os resultados finais devem ser divulgados em breve, mas a maioria dos dados preliminares revela que o risco relativo de aparecimento de tumor em usuários regulares dos celulares é menor do que 1. O aumento do risco de glioma em pessoas que usavam o celular há 10 anos ou mais foi apontado apenas nos estudos dos países escandinavos e Reino Unido (IARC) e não se confirmou na análise do total de casos nos 13 países (RR 0,95, intervalo de confiança – IC – 95% 0,74-1,23)(1,39).

Discussão

O pequeno conhecimento sobre a interação fisiológica do corpo humano com o campo geomagnético abre um vasto horizonte para estudos, que se torna ainda mais desafiador porque também estamos expostos a inúmeros campos eletromagnéticos resultantes da própria atividade humana: linhas de transmissão de energia elétrica, sistemas de telecomunicações, radares, fornos de micro-ondas, equipamentos médicos de diatermia etc.

A telefonia móvel mudou a vida de bilhões de pessoas, facilitando a comunicação e auxiliando quem necessita chamar socorro em situações de perigo. Em contrapartida, uma pesquisa com 30.000 europeus revelou que 28% se preocupavam com os possíveis efeitos maléficos dos celulares na saúde(40).



* Estudo duplo cego: comparação entre exposição real ao CEM e simulação (sham) ** Estudo crossover: comparados os resultados dos testes em cada orelha

O risco principal e inquestionável é o de acidentes de trânsito – colisões de veículos e atropelamentos –, pela distração de motoristas e pedestres durante as ligações e o acesso às mensagens de texto no celular. Também pode acontecer a explosão da bateria, provocando ferimentos no usuário ou pessoas que estejam próximo ao aparelho. Para reduzir esse risco, é obrigatória a certificação das baterias pela Anatel, recomendando-se que o usuário não deixe o celular cair, não o exponha a altas temperaturas e não o guarde no bolso com moedas ou outros objetos metálicos, a fim de evitar curto-circuito ou aquecimento da bateria(41).

Não há reprodutibilidade na maioria dos trabalhos sobre os efeitos biológicos não térmicos das micro-ondas, cujos resultados diferem dependendo da intensidade da RF, sua polarização, frequência e modulação (padrão de repetição de sinais que transmite um conteúdo à onda eletromagnética – voz, dados etc.)(42). Além disso, a resposta aos campos eletromagnéticos varia segundo o tipo de célula ou organismo e se o experimento é feito in vivo ou in vitro(43).

Também há muita controvérsia sobre a “síndrome da hipersensibilidade eletromagnética”, na qual alguns indivíduos apresentam sintomas de fadiga, cefaleia, dificuldade de concentração, distúrbios do sono, zumbido, taquicardia, manchas cutâneas ou disestesia facial quando expostos a CEM, ainda que estes não excedam os limites de segurança ocidentais(44-47). Estudos duplo-cego, randomizados, com exposição aos CEM ou simulação, não encontraram alterações da frequência cardíaca e pressão arterial nessas pessoas. Alguns pesquisadores atribuem os sintomas ao efeito “nocebo”, ou seja, crença no efeito nocivo dos CEM(1). Para outra corrente de pensamento, esse estresse emocional é, per se, um efeito adverso dos campos.

Quase todos os estudos epidemiológicos sobre uso de telefones celulares e risco de aparecimento de tumores no SNC são caso-controle. Vários integram o projeto INTERPHONE e têm sido criticados justamente pelas falhas de pareamento entre os grupos de casos e controles, seja no número de indivíduos, distribuição por sexo ou duração média diária de uso dos celulares(48). Elas prejudicam a análise estatística e podem originar conclusões equivocadas, como a menor probabilidade de neurinoma do acústico na orelha em que se prefere usar o celular. Muitas vezes, a perda auditiva progressiva e o zumbido durante o crescimento tumoral obrigam o paciente a utilizar o aparelho na orelha contralateral, a qual então fica mais exposta aos CEM.

Os epidemiologistas ressaltam que a coleta de informações no levantamento INTERPHONE durou uma década, período no qual a tecnologia dos aparelhos celulares e da rede de telefonia móvel evoluiu, modificando o padrão de exposição dos usuários à radiação(49).

O método ideal para confirmar a intensidade do campo elétrico no corpo do usuário é a dosimetria, mas o custo elevado do dosímetro tem restringido sua aplicação aos laboratórios dos fabricantes de equipamentos de telecomunicações. Parâmetros como tempo diário das ligações ou anos de uso do celular, usados nas pesquisas médicas, são imprecisos para estimar a absorção da energia de RF. O estímulo à formação de grupos de pesquisa com profissionais das áreas de Engenharia e Ciências da Saúde é importante para melhorar a qualidade dos estudos.

Também há dificuldade para homogeneizar a amostra de casos de neoplasias porque o período de indução dos tumores do SNC costuma ser longo (até 40 anos para o meningioma em adultos, por exemplo) e há dezenas de tipos histológicos de tumores do SNC, cujas diferentes características moleculares podem conferir-lhes respostas distintas aos CEM(49). Logo, dois casos de meningioma incluídos num mesmo estudo, porém com intervalo de cinco anos, podem ter exposição efetiva à radiação, perfis histopatológicos moleculares e efeitos da radiação de micro-ondas totalmente diversos.

Destacamos que a casuística de tumores analisada até o momento é de países desenvolvidos. Não encontramos trabalhos feitos na população brasileira, cujo perfil de uso dos celulares pode ser diferente em função do custo das ligações. Muitos brasileiros se limitam a receber chamadas, sintonizar rádio FM, enviar mensagens de texto e aproveitar recursos como câmera fotográfica digital, agenda e jogos, ficando menos expostos aos CEM dos aparelhos.

Um número cada vez maior de famílias permite que crianças utilizem os celulares, o que motiva a preocupação de educadores e médicos. De um lado, a distração durante o uso do aparelho pode interferir no aprendizado. De outro, as crianças têm o crânio menor e mais delgado, tecidos mais ricos em água, e o sistema nervoso ainda está desenvolvendo-se. Esses fatores predispõem à maior dissipação da energia e aumentam a suscetibilidade aos efeitos no SNC(50), razão pela qual a OMSUm número cada vez maior de famílias permite que crianças utilizem os celulares, o que motiva a preocupação de educadores e médicos. De um lado, a distração durante o uso do aparelho pode interferir no aprendizado. De outro, as crianças têm o crânio menor e mais delgado, tecidos mais ricos em água, e o sistema nervoso ainda está desenvolvendo-se. Esses fatores predispõem à maior dissipação da energia e aumentam a suscetibilidade aos efeitos no SNC(50), razão pela qual a OMS recomenda priorizar o estudo dos efeitos dos CEM nessa faixa etária.

Concluindo, não há evidências de que a exposição aguda aos campos eletromagnéticos dos telefones celulares, dentro dos limites de segurança estabelecidos na nossa legislação, modifique as funções auditiva e vestibular. Alteração imediata e reversível da função do nervo facial é observada como resultado dos efeitos térmicos da radiação no modelo experimental, porém acima dos limites para exposição humana. Os trabalhos epidemiológicos não comprovam o aumento do risco de tumores na cabeça pelo uso dos aparelhos celulares. É recomendável que se use o celular no modo viva voz, sempre que possível, a fim de reduzir a dissipação da energia dos CEM na cabeça e jamais se utilize o aparelho durante a direção de veículos.

Agradecimentos

Os autores agradecem às sras. Márcia Arruda e Marinalva Aragão pelo auxílio valioso com a bibliografia.



Bibliografia
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