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Moreira JR Editora

Prevalência, causas e conseqüências de quedas de idosos em instituições asilares
Prevalence, the cause and the consequences of falls in elderly people in nursing homes


Tatiana Alves de Andrade
Residente de Clínica Médica pela Universidade de Taubaté - SP (Unitau). Especializanda de Geriatria da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina (Unifesp-EPM).
Telma da Silva Santos
Chefe da Disciplina de Clínica Médica da Universidade de Taubaté - SP (Unitau). Coordenadora da Residência de Clínica Médica da Unitau.
Walnei Fernandes Barbosa
Doutor em Gastroenterologia da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina (Unifesp-EPM). Professor assistente doutor da Universidade de Taubaté - SP (Unitau).
Gabriel César Dib
Mestrando em Otorrinolaringologia da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina (Unifesp-EPM).
Trabalho realizado na Universidade de Taubaté - SP (Unitau) - Residência de Clínica Médica.

Endereço para correspondência:
Dra. Tatiana Alves de Andrade - Rua Borges Lagoa, 980 - Apto 12 - Vila Clementino - CEP 04038-002 - São Paulo - SP - E-mail: Tatiana_se@yahoo.com.br - Tels.: (11) 5573-1589 e 9623-0702.

Recebido para publicação em 04/2006.
Aceito em 06/2006.

© Copyright Moreira Jr. Editora.
Todos os direitos reservados.

Unitermos: queda, idoso, prevalência.
Unterms: fall, elderly, prevalence.


Sumário
Define-se queda como o deslocamento não intencional do corpo para um nível inferior à posição inicial, com incapacidade de correção em tempo hábil. Considerada síndrome geriátrica por ser evento multifatorial e heterogêneo, com superposição de vários sintomas. Objetivos: identificar a prevalência da queda em idosos asilados, fatores de risco associados, causas que provocaram a queda e conseqüências pós-queda. Método: estudo descritivo, transversal, realizado com idosos asilados em duas instituições de Taubaté-SP, com idade ³60 anos, que apresentaram queda nos últimos três anos. Resultados: dos 123 idosos estudados, 58 (47%) apresentaram queda, sendo 81% do sexo feminino e 19% do masculino, com idade média de 80 anos. Encontrou-se presença de quedas anteriores em 67% dos casos. Quanto aos medicamentos utilizados, predominou a polifarmácia (77%), sendo anti-hipertensivos e psicotrópicos os mais citados. Dos idosos, 83% tinham comorbidades, sendo hipertensão arterial sistêmica e artrose as mais prevalentes. Somente 9% faziam atividades físicas. As principais causas das quedas foram: tontura (28%), problemas com degraus (19%), tropeço (17%), piso molhado (10%) e alteração da acuidade visual (7%). Encontramos como principais conseqüências pós-queda: medo de voltar a cair (52%), ferimentos (40%), necessidade de ajuda nas atividades habituais (36%) e fratura (29%). Conclusão: é alta a prevalência de quedas em idosos institucionalizados. História prévia de quedas, uso de vários medicamentos, presença de comorbidades e ausência de atividade física são fatores de risco para ocorrerem quedas. As principais causas são relacionadas ao ambiente físico. Prejuízos à saúde física e emocional são conseqüências das quedas, daí a necessidade de preveni-las.

Sumary
Fall is a not intentional dislocation of the body to an inferior level than the initial, which correction is not possible in correct time. It is considered a geriatric syndrome because of their multifactorial and heterogenic aspects, with superposition of many symptoms. Objective: to identify the prevalence of falls in elderly persons, associated risk factors, the cause of falls and resulting consequences. Method: transversal, descriptive study, performed with people ³60 years, in two nursing homes in Taubaté - SP, who presented falls in the last 3 years. Results: 58 (47%) of 123 elderly persons presented fall. 81% were women and 19% men. The average age was 80 years. Anterior falls happened in 67% of cases. About the use of medicines, polypharmacy predominated (77%), and antihypertensives and psychotropics were the most used drugs. 83 % had other comorbid diseases. Hypertension and arthrosis were the most prevalent. Only 9 % used to practice physical activities. The most prevalent causes of falls were dizziness (28%), stairways (19%), trips (17%), wet floor (10%) and bad visual acuity (29%). The principal consequences of falls were fear of falling recurrence (52 %), wounds (40 %), need of help in habitual activities (36%) and bone fractures (29%). Conclusions: there is a high prevalence of falls in elderly people in nursing homes. Previous episodes of falls, use of many drugs, comorbid diseases and absence of physical activity are risk factors to occurrence of falls. The most important causes are related to physical ambient. Injuries to physical and emotional health are consequences of falls, so there is a necessity of preventing them.

Numeração de páginas na revista impressa: 454 à 458

RESUMO


Define-se queda como o deslocamento não intencional do corpo para um nível inferior à posição inicial, com incapacidade de correção em tempo hábil. Considerada síndrome geriátrica por ser evento multifatorial e heterogêneo, com superposição de vários sintomas. Objetivos: identificar a prevalência da queda em idosos asilados, fatores de risco associados, causas que provocaram a queda e conseqüências pós-queda. Método: estudo descritivo, transversal, realizado com idosos asilados em duas instituições de Taubaté-SP, com idade ³60 anos, que apresentaram queda nos últimos três anos. Resultados: dos 123 idosos estudados, 58 (47%) apresentaram queda, sendo 81% do sexo feminino e 19% do masculino, com idade média de 80 anos. Encontrou-se presença de quedas anteriores em 67% dos casos. Quanto aos medicamentos utilizados, predominou a polifarmácia (77%), sendo anti-hipertensivos e psicotrópicos os mais citados. Dos idosos, 83% tinham comorbidades, sendo hipertensão arterial sistêmica e artrose as mais prevalentes. Somente 9% faziam atividades físicas. As principais causas das quedas foram: tontura (28%), problemas com degraus (19%), tropeço (17%), piso molhado (10%) e alteração da acuidade visual (7%). Encontramos como principais conseqüências pós-queda: medo de voltar a cair (52%), ferimentos (40%), necessidade de ajuda nas atividades habituais (36%) e fratura (29%). Conclusão: é alta a prevalência de quedas em idosos institucionalizados. História prévia de quedas, uso de vários medicamentos, presença de comorbidades e ausência de atividade física são fatores de risco para ocorrerem quedas. As principais causas são relacionadas ao ambiente físico. Prejuízos à saúde física e emocional são conseqüências das quedas, daí a necessidade de preveni-las.

INTRODUÇÃO

O envelhecimento é hoje um fenômeno universal, tanto nos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento. No Brasil impressiona a rapidez com que tem ocorrido o envelhecimento. Segundo a Organização Mundial da Saúde, até o ano de 2025 a população idosa no Brasil crescerá 16 vezes, contra 5 vezes da população total. Isso classifica o país como a sexta população do mundo em idosos, correspondendo a mais de 32 milhões de pessoas com idade ³60 anos(1) .

A queda é considerada uma síndrome geriátrica porque geralmente resulta da interação de vários sintomas, de diversos fatores de risco e situações(2-5). É definida como o deslocamento não intencional do corpo para um nível inferior à posição inicial, com incapacidade de correção em tempo hábil(2,6,7,8) .

Em todos os grupos étnicos e raciais, em ambos os sexos, o número de quedas aumenta progressivamente com a idade, sendo mais freqüente em mulheres do que nos homens(2,6,7). No Brasil a incidência de quedas nos idosos é em torno de 30%(6). Nos Estados Unidos da América do Norte varia de 20% a 40% por ano, sendo mais alta em idosos institucionalizados(10). Na realidade, a freqüência de quedas em pessoas idosas é muito mais alta do que se imagina, uma vez que os idosos as aceitam como um acontecimento inevitável do envelhecer e, além disso, têm medo de ter suas atividades restritas por seus familiares ou serem internados em instituições de longa permanência, por isso normalmente não as relatam, a menos que interrogados(12-14). Cabe ao médico questionar sobre a ocorrência de quedas pelo menos uma vez no ano, visto que este pode ser um evento sentinela na vida de uma pessoa idosa. Além de apresentar relação com doenças já existentes, a queda pode ser um fator preditório de que há algo errado com a saúde desse idoso, indicando o início de um importante declínio da função cognitiva ou a eminência de uma doença ainda não diagnosticada(3,17).

Existem fatores classificados em intrínsecos e extrínsecos que contribuem para aumentar a ocorrência de quedas em idosos(2,3,6,10,15,16).

Os fatores intrínsecos são aqueles decorrentes de alterações fisiológicas relacionadas ao envelhecimento, a doenças e efeitos causados por uso de fármacos(6,8,10,13,15,16,18,19).

Os fatores extrínsecos são aqueles que dependem das circunstâncias sociais e ambientais, como iluminação inadequada, tapetes soltos ou dobrados, falta de corrimãos, pisos escorregadios, degraus altos ou estreitos, presença de animais pela casa, prateleiras de difícil alcance, calçados inadequados, buracos em ruas e calçadas(2,6,10,13).

As principais causas de queda nos pacientes da terceira idade decorrem de situações que levam a quadro de tontura, hipotensão postural, síncope, escorregar, tropeçar, pisar em falso, trombar em objetos, pessoas ou animais(2,10).

Cerca de 50% das quedas em pessoas idosas resultam em algum tipo de injúria e 36% a 51% destas são injúrias graves. No Brasil as quedas têm relação causal com 12% de todos os óbitos na população geriátrica e são responsáveis por 70% das mortes acidentais em idosos com idade ³ 75 anos(8,12,20).

A gravidade potencial das quedas nos idosos faz da prevenção a principal preocupação. Por isso a preocupação de todo médico que atende um paciente idoso deve ser prevenir ou diminuir a ocorrência de quedas futuras e injúrias ou complicações pós-queda(12,14).

Uma interação multidisciplinar é necessária para realizar ações preventivas e reabilitadoras com o objetivo de diminuir os fatores de risco para quedas e manter a capacidade funcional do idoso, ou seja, manter plena suas habilidades físicas e mentais, prosseguindo com uma vida independente e autônoma(2,6,7,21).

O envelhecimento e o aumento da expectativa de vida é algo notável na população brasileira, portanto se faz necessário estudos mostrando os principais fatores de risco e causas associadas a esses eventos.

MATERIAL E MÉTODOS

1. Local e população de estudo
O estudo foi desenvolvido nos seguintes centros:

1) Instituição Casas Pias na cidade de Taubaté-SP
2) Instituição Asilo São Francisco na cidade de Taubaté-SP

2. Tipo de estudo e tamanho da amostra
Trata-se de um estudo descritivo, transversal, desenvolvido com 165 idosos, de ambos os sexos, residentes nas duas instituições asilares referidas acima. Após o consentimento dos mesmos, foi aplicado um questionário preestabelecido e aprovado, abordando sobre a ocorrência de quedas nos últimos três anos, fatores associados a essas quedas, causas que desencadearam esse evento, doenças existentes, medicações utilizadas, conseqüências após a queda.

3. Critérios de inclusão e exclusão de pacientes

Critérios de inclusão:

· Idade ³ 60 anos;
· História de queda nos últimos três anos;
· Estar institucionalizado.

Critérios de exclusão:

· Idade < 60 anos;
· Presença de déficit cognitivo que impeça responder ao questionário.

4. Análise estatística e processamento de dados
Os dados obtidos pelo preenchimento dos questionários foram submetidos à análise estatística descritiva em porcentagem (prevalência).

5. Questões éticas
Esse trabalho foi analisado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Taubaté, em reunião realizada no dia 10/06/2005, com protocolo n° 060/05.


Gráfico 1- Distribuição quanto ao sexo dos idosos que caíram.



RESULTADOS

O presente estudo foi desenvolvido com 165 idosos residentes em duas instituições asilares. Foram excluídos do estudo 42 idosos, por apresentarem déficit cognitivo, que impedia a realização da entrevista. A presença de queda nos últimos três anos foi encontrada em 58 pacientes (47%) dos 123 idosos asilados estudados, 19% do sexo masculino e 81% do sexo feminino, com idades variando de 66 a 94 anos e idade média de 80 anos (Gráfico 1).

História de quedas anteriores foi relatada em 39 casos (67%).

A Tabela 1 mostra o número de doenças associadas na ocasião da queda atual. Dentre as doenças citadas, a hipertensão arterial sistêmica (HAS) esteve presente em 40 casos (69%), seguido de artrose em 19 (33%), diabetes mellitus em 18 (31%), cardiopatia em 12 (21%), incontinência urinária em 9 (15,5%), seqüela de déficit encefálico vascular em 8 (14%), demência em 11 (19%), labirintopatia em 7 (12%) e epilepsia em 6 casos (10%), seguidos de outras menos freqüentes, conforme Gráfico 2.

A Tabela 2 mostra o número de medicações utilizadas pelos idosos na ocasião da última queda. Quanto aos tipos das medicações utilizadas, os anti-hipertensivos foram citados em 32 casos (55%), psicotrópicos em 23 (40%), diuréticos em 21 (36%), analgésicos em 20 (35%), hipoglicemiantes em 13 (22%), vasodilatadores em 11 (19%) e o uso de antiinflamatórios não esteróides em 8 casos (14%), seguidos de outros menos freqüentes, conforme Gráfico 3.

A prática regular de atividade física foi citada por 5 pacientes (9%), 53 idosos (91%) não faziam nenhuma atividade física.

A Tabela 3 mostra as causas que precipitaram as quedas em nosso estudo.

As conseqüências encontradas após as quedas foram: o medo de voltar a cair em 30 casos (52%), seguido dos ferimentos superficiais em 23 (40%), necessidade de ajuda nas atividades habituais em 21 (36%), fraturas em 17 (29%), hospitalização em 13 (22%), imobilização em 12 (21%), dor no local afetado em 4 (7%) e lesão neurológica (hematoma subdural) em 1 caso (2%), conforme Gráfico 4.






Gráfico 2 - Principais doenças eistententes pelos idosos na ocasião da queda.
Ins.v.periférica: insuficiência vascular periférica; Seq. DEV: seqüela de déficit encefálico vascular; IU: incontinência urinária; DM: diabetes mellitus; HAS: hipertensão arterial sistêmica.



Gráfico 3 - Medicações que eram utilizadas na época das quedas.
AAS: ácido acetilsalicílico; AINE: antiinflamatório não esteróide.


DISCUSSÃO

A literatura mostra que é alta a prevalência de quedas em idosos e maior ainda nos idosos institucionalizados(10,11,14). Um estudo feito por Tinetti et al.(11), 1989, mostra que 50% dos idosos que moram em asilos ou casas de repouso já sofreram queda. Prevalência semelhante à encontrada no presente trabalho, no qual 47%, dos 123 idosos asilados estudados, apresentaram queda nos últimos três anos.

Quando se aborda sexo, observa-se que há predomínio de quedas no feminino, citado por vários autores(2,6,7). Neste trabalho foi encontrado resultado condizente com a literatura, já que 81% dos idosos que caíram eram do sexo feminino.

A literatura cita que existem fatores intrínsecos e extrínsecos que contribuem para aumentar a ocorrência de quedas nos idosos e, segundo Tinetti et al.(16), 1993, o sinergismo entre esses fatores aumenta o risco de quedas(2,3,6,10,15,16). Neste estudo encontramos como principais fatores de risco para a ocorrência de quedas: presença de quedas anteriores, presença de comorbidades associadas, uso de vários medicamentos, ausência de prática regular de exercícios físicos, coincidindo com os trabalhos realizados por Martins(5), 1999, e Kay et al.(18), 1995.


Gráfico 4 - Conseqüências pós-queda. * Nas atividades habituais; ** Hematoma subdural.

Estudo feito por Baraff et al.(8), 1997, mostra que a presença de quedas no último ano por si só já é fator de risco para ocorrerem novas quedas e que mais de dois terços daqueles que têm uma queda cairão novamente nos seis meses subseqüentes. Neste trabalho a história de quedas anteriores esteve presente em 67% dos casos, comprovando que história prévia de quedas é fator de risco para ocorrerem quedas futuras, o que também foi observado em outros estudos(2,6,8).

Tanto as alterações fisiológicas do envelhecimento quanto as alterações patológicas são fatores de risco para ocorrerem quedas nos idosos(6,8,10,13,16,18,19). De acordo com Kay et al.(18), 1995, as principais condições patológicas que predispõem à queda são: doenças cardiovasculares, neurológicas, endócrinas, osteomusculares, incontinência urinária, psiquiátricas e sensoriais. Resultado semelhante foi encontrado no presente trabalho, no qual 83% dos idosos tinham comorbidades associadas e dentre as mais prevalentes estavam a HAS em 69% dos casos, artrose em 33%, diabetes melitus em 31%, cardiopatias em 21% , demência em 19% e incontinência urinária em 15,5% dos casos.

Fabrício et al.(2), 2004, Brito et al.(9), 2001, Robbins et al.(22), 1989, falam sobre a relação entre o uso de medicações e quedas. A utilização de fármacos pode ser fator de risco, principalmente quando o uso é de polifármacos. Neste trabalho se obteve resultados semelhantes, pois na ocasião das quedas 77% dos pacientes estavam em uso de mais de um medicamento, sendo que 29% deles faziam uso de quatro ou mais drogas associadas. Observou-se que os medicamentos mais utilizados pelos idosos, neste trabalho, foram: os anti-hipertensivos (55%), psicotrópicos (40%), diuréticos (36%) e analgésicos (35%), coincidindo com os resultados de Rozenfeld et al.(23), 2003, e Fabrício et al.(2), 2004. Vários medicamentos podem propiciar a ocorrência de quedas, mas, segundo Chang et al.(24), 2004, e Rozenfeld et al.(23), 2003, os psicotrópicos (neurolépticos, benzodiazepínicos e antidepressivos) são os fármacos de maior risco.

Com relação à abordagem das causas de quedas nos idosos, elas podem ser induzidas por várias causas associadas. No entanto as principais decorrem de fatores passíveis de modificação ou correção. Baraff et al.(8), 1997, Fuller(12), 2000, Fabrício et al.(2), 2004, mostram que as causas ambientais podem ser citadas em até metade de todas as quedas. Neste trabalho os resultados não foram diferentes: em 60% dos idosos as quedas foram decorrentes de causas ambientais (problemas com degraus, tropeçar em algo, escorregar em piso molhado, uso de sandália inadequada, falta de corrimão) e em 40% dos idosos foram decorrentes de alterações intrínsecas (tontura, visão ruim, convulsão).

Há evidências demonstradas na literatura que a prática regular de exercícios físicos previne e diminui a ocorrência de quedas(3,6,20,24,25). Os exercícios físicos feitos de forma adequada melhoram o equilíbrio e a marcha, fortalecem a musculatura dos membros inferiores, melhoram a amplitude articular e a flexibilidade muscular, aumentam a densidade óssea evitando fraturas, fazem os idosos se sentirem mais seguros para fazer suas atividades habituais(6). Na casuística deste trabalho apenas cinco idosos (9%) faziam atividade física regular. A ausência da atividade, na maioria dos nossos pacientes, tornou esses idosos mais vulneráveis à ocorrência de quedas e provavelmente isso tenha contribuído para elevar a prevalência desse evento nessa população.
As conseqüências pós-queda podem ser as mais variadas possíveis, desde o surgimento de ferimentos importantes, fraturas com imobilização, dificuldade ou incapacidade para executar atividades habituais, medo de voltar a cair (síndrome pós-queda), delirium como síndrome neuropsiquiátrica, hospitalização e até a morte(2,6,20,24,25). No presente estudo as conseqüências pós-queda foram graves na maioria dos casos. Medo de voltar a cair foi a mais prevalente, citada em 52% dos casos, em seguida os ferimentos com 40%, necessidade de ajuda nas atividades habituais em 36% e fratura em 36% dos casos. Nos diversos estudos realizados as conseqüências variam, mas fraturas, ferimentos importantes e medo de voltar a cair são, nessa seqüência, as mais encontradas(2,20,26), diferindo um pouco do que encontramos, já que medo de voltar a cair e surgimento de ferimentos estiveram entre as três primeiras conseqüências e fratura foi a quarta mais freqüente.

Todos esses dados sugerem a necessidade de se realizar estudos analíticos comparando grupos de idosos asilados e não asilados, verificando as semelhanças e diferenças entre os fatores de risco, bem como as causas que predispuseram a ocorrência das quedas, assim como avaliando o resultado das intervenções feitas para prevenir ou diminuir a prevalência dessa síndrome geriátrica tão importante.

CONCLUSÕES

· É alta a prevalência de quedas em idosos institucionalizados.
· Foram fatores de risco para ocorrerem quedas:
- História prévia de quedas;
- Uso concomitante de vários medicamentos, principalmente quando psicotrópicos é um deles;
- Presença de comorbidades;
- Ausência de atividade física regular.
· As principais causas que predispuseram a ocorrência das quedas foram relacionadas ao ambiente físico e, portanto, passíveis de serem modificadas e corrigidas.
· As conseqüências após as quedas foram: medo de voltar a cair, ferimentos, necessidade de ajuda nas atividades habituais, fraturas, hospitalização, imobilização, dor local e lesão neurológica. Essas conseqüências tornaram os idosos mais dependentes.



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