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Moreira JR Editora

Eficácia sintomática dos insaponificáveis de abacate e soja (IAS)* no tratamento de osteoartrose (OA) de quadril e joelho
Efficacy and tolerability of unsaponifiables of avocado and soy in the treatment of symptomatic hip and knee osteoarthritis


Wiliam H. Chahade
Hospital Servidor Público Estadual de São Paulo - SP.
Adil M. Samara
Hospital das Clínicas da Unicamp - SP
Nílzio A. da Silva
Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiânia - GO.
Rubem Lederman
Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro - RJ.
Hilton Seda
Hospital do Andaraí - Rio de Janeiro - RJ.
Sebastião Cezar Radominski
Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná - Curitiba - PR.
Mauro Keiserman
Hospital São Lucas Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - RS.

Ângela Duarte
Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco - PE.

Lipe Goldenstein
Hospital Santa Izabel - Salvador - BA.

Helenice Gonçalves
Hospital de Base do Distrito Federal - Brasília - DF.

Antônio Carlos Ximenes
Hospital Geral de Goiânia - GO


* Piascledine© - Solvay Farma Ltda.

Recebido para publicação em 09/2004.
Aprovado em 10/2004.

© Copyright Moreira Jr. Editora.
Todos os direitos reservados.

Unitermos: IAS, osteoartrose
Unterms: ASU, osteoarthritis.


Sumário
Introdução: A osteoartrose (OA) é uma doença idiopática, multifatorial, caracterizada por uma lenta e progressiva degradação da cartilagem articular.

Objetivo: Avaliar a eficácia e segurança dos insaponificáveis de abacate e soja (IAS) no tratamento de pacientes com osteoartrose sintomática (OA) do joelho e do quadril.

Métodos: Foram incluídos 231 pacientes de ambos os sexos, com idade entre 45 e 75 anos, que apresentavam osteoartrose sintomática de joelho e/ou quadril confirmadas, clínica e radiologicamente, pelos Critérios do Colégio Americano de Reumatologia. Entraram em um estudo aberto, não randomizado, multicêntrico, controlado, com um período de tratamento de seis meses. Um intervalo de 15 dias ("washout") para drogas antiinflamatórias não esteroidais (AINEs) precedeu o estudo. A eficácia foi julgada de acordo com: 1) Índice Funcional de Lequesne (IFL); e 2) dor na Escala Visual Analógica (EVA; escala de 100 mm), ingestão de AINE/analgésicos e escore de incapacidade total (pela EVA de 100 mm).

Resultados: 231 pacientes receberam os IAS . Os dados de todos os pacientes encontravam-se disponíveis para avaliação no mês 6. A média +/- SEM no escore do IFL diminuiu de 11,88+/-0,24 para 6,84+/-0,29 no final de 6 meses (p < 0,001). A dor diminuiu de 6,65+/-0,11 mm para 3,21+/-0,17 mm (p < 0,001). O consumo de AINEs diminuiu de 1,95+/-0,10 para 0,67+/-0,14 (p <0,001) ao final de 6 meses. A taxa de sucesso foi de 42,3% no grupo de IAS ao final de 6 meses. A incapacidade funcional total foi significativamente reduzida no grupo IAS. A tolerância foi de boa a excelente para a maioria dos pacientes.

Conclusão: Os IAS, neste estudo aberto, controlado e multicêntrico, mostrou ser seguro e eficaz, no controle sintomático da osteoartrose de quadril e de joelho. Estudos mais prolongados, com metodologias mais avançadas, na procura de desvendar seus mecanismos de ação ainda são necessários.

Sumary
Background: Osteoarthritis (OA) is an idiopathic, multifatorial disease characterized by a progressive and slow loss of articular cartilage.

Objectives: To evaluate efficacy and tolerability of unsaponifiables of avocado and soy in the treatment of symptomatic hip and knee OA.

Methods: Two hundred and thirty one patients of both sexes were included, aged 45 to 75 years old, that presented hip and/or knee symptomatic OA. They entered an open label, non-randomized, controlled trial for 6 months. They followed a 15 days washout period for anti-inflammatory drugs (NAIDs). Efficacy was evaluated according to: 1) Lequesne Algo-Funcional Index (IFL) e 2) pain in the Visual Analogue Scale (VAS; 100 mm), NAIDs /analgesics ingestion and total incapacity score (EVA de 100 mm).

Results: Two hundred and thirty one patients received IAS. The data for all patients were available in the final evaluation (6 months). The average +/- SEM in the LFI improved from 11,88+/-0,24 to 6,84+/-0,29 in the final evaluation-6 months (p < 0,001). Pain improved from 6,65+/-0,11 mm to 3,21+/-0,17 mm (p= 0,001). NAIDs consumption improved from 1,95+/-0,10 to 0,67+/-0,14 (p <0,001). Success rate was 42,3% in the IAS after 6 months. Tolerance was considered good or excellent.

Conclusion: The ASU in this open label controlled multicentric study shown to be effective and safe for the symptomatic pain of AO of the hip and knee. Long term studies are needed to determine the possible mechanisms of action.

Numeração de páginas na revista impressa: 711 à 718

Resumo


Introdução: A osteoartrose (OA) é uma doença idiopática, multifatorial, caracterizada por uma lenta e progressiva degradação da cartilagem articular.

Objetivo: Avaliar a eficácia e segurança dos insaponificáveis de abacate e soja (IAS) no tratamento de pacientes com osteoartrose sintomática (OA) do joelho e do quadril.

Métodos: Foram incluídos 231 pacientes de ambos os sexos, com idade entre 45 e 75 anos, que apresentavam osteoartrose sintomática de joelho e/ou quadril confirmadas, clínica e radiologicamente, pelos Critérios do Colégio Americano de Reumatologia. Entraram em um estudo aberto, não randomizado, multicêntrico, controlado, com um período de tratamento de seis meses. Um intervalo de 15 dias ("washout") para drogas antiinflamatórias não esteroidais (AINEs) precedeu o estudo. A eficácia foi julgada de acordo com: 1) Índice Funcional de Lequesne (IFL); e 2) dor na Escala Visual Analógica (EVA; escala de 100 mm), ingestão de AINE/analgésicos e escore de incapacidade total (pela EVA de 100 mm).
Resultados: 231 pacientes receberam os IAS . Os dados de todos os pacientes encontravam-se disponíveis para avaliação no mês 6. A média +/- SEM no escore do IFL diminuiu de 11,88+/-0,24 para 6,84+/-0,29 no final de 6 meses (p < 0,001). A dor diminuiu de 6,65+/-0,11 mm para 3,21+/-0,17 mm (p < 0,001). O consumo de AINEs diminuiu de 1,95+/-0,10 para 0,67+/-0,14 (p <0,001) ao final de 6 meses. A taxa de sucesso foi de 42,3% no grupo de IAS ao final de 6 meses. A incapacidade funcional total foi significativamente reduzida no grupo IAS. A tolerância foi de boa a excelente para a maioria dos pacientes.
Conclusão: Os IAS, neste estudo aberto, controlado e multicêntrico, mostrou ser seguro e eficaz, no controle sintomático da osteoartrose de quadril e de joelho. Estudos mais prolongados, com metodologias mais avançadas, na procura de desvendar seus mecanismos de ação ainda são necessários.

Introdução

A osteoartrite ou osteoartrose (OA) é uma doença idiopática, multifatorial, caracterizada por uma lenta e progressiva degradação da cartilagem articular, resultando no aparecimento de deformidade, podendo evoluir para a perda total da articulação, determinando grave incapacidade funcional; em particular, tal fato é mais freqüente, quando são acometidas as articulações "ditas de carga", como os joelhos e os quadris.

A osteoartrose constitui a forma mais comum do comprometimento das articulações diartrodiais.

Acomete aproximadamente 15% da população mundial, sendo que 60% incide na faixa etária de 55 a 65 anos. Esses e outros dados epidemiológicos demonstram que a prevalência da OA aumenta com a idade. Dessa forma, parece claro prever que, num futuro próximo, a osteoartrose se constituirá em grave problema de saúde pública, principalmente quando se sabe que a "população idosa" mundial vem aumentando progressivamente nos últimos anos.

Estes dados são suficientes para justificar os esforços realizados por vários investigadores nesta área, na procura de novas formas de tratamento, dirigidas não somente para o alívio sintomático da dor, mas com o intuito de limitar, manter ou melhorar o prejuízo funcional da articulação. Nesse sentido, pesquisas da indústria farmacêutica, nas últimas décadas, culminaram com o surgimento de agentes farmacológicos, capazes de interferir nos mecanismos patogênicos da OA.

Esses novos agentes farmacológicos foram denominados de Agentes ou Fármacos Modificadores da Osteoartrose (FAMOA), devido a sua capacidade de inibir ou ativar sistemas enzimáticos envolvidos no equilíbrio metabólico da matriz cartilaginosa. Além disso, os FAMOAs se caracterizam pelo seu início de ação lenta, a qual persiste por alguns meses após a suspensão do tratamento. Alguns fármacos, atualmente utilizados no nosso meio, apresentam essas propriedades, como, por exemplo, os insaponificáveis de abacate e soja (IAS), extraídos por uma sofisticada técnica de destilação molecular.

Várias publicações, envolvendo estudos experimentais e ensaios clínicos, demonstraram que os IAS (Piascledine®) têm algumas propriedades antiartrósicas, dando suporte para a difusão do seu uso terapêutico, no continente europeu, onde, há mais de uma década, este medicamento fitoterápico vem sendo utilizado rotineiramente no tratamento da osteoartrose, com resultados promissores, além da boa tolerância.

Estudos em culturas celulares mostraram que os IAS inibem a IL-1 de células sinoviais e estimulam a síntese de colágeno de condrócitos articulares(1). Outro estudo semelhante, evidenciou que a adição de IAS nas culturas de células sinoviais humanas, abolia parcialmente o efeito deletério da IL-1, enquanto que nas culturas de condrócitos articulares de coelhos, esse efeito era totalmente bloqueado(2). Além desses, outras pesquisas demonstraram que os IAS podem inibir a ação estimulatória da IL-1b sobre a síntese de proteases - como a colagenase e a estromelisina -, de citocinas: como a IL-6 e IL-8 e, de prostaglandinas pró-inflamatórias: como a PGE-2, em culturas de condrócitos humanos(3). Usando a técnica de reação em cadeia de polimerase-transcriptase-reversa, outros autores verificaram que a adição de IAS na cultura de condrócitos articulares exerce um efeito anabólico na cartilagem, através de estímulo da produção do fator de transformação de crescimento beta (TGF-b) e dos inibidores da atividade do plasminogênio (PAI-1 e PAI-2)(4). Esses e outros achados em modelos animais(5) sugerem que o Piascledine® pode exercer, através de várias vias, um efeito potencial de proteção ou de reparação da cartilagem articular.

Ensaios clínicos também demonstram o efeito benéfico e prolongado deste fármaco, no controle terapêutico dos sintomas clínicos da osteoartrose de joelho(s) e de quadril (is), permitindo a redução significativa do consumo de antiinflamatórios(6).

O presente estudo tem como objetivo avaliar a eficácia e tolerabilidade do extrato insaponificável de abacate e soja (Piascledine®), em nosso meio, administrado por via oral a pacientes portadores de osteoartrose sintomática de joelho(s) e/ou quadril(is).

Desenho do estudo

Trata-se de um estudo de fase IV, multicêntrico nacional, aprovados pelos Comitês de Ética em Pesquisas dos diferentes centros participantes, não randomizado, aberto controlado, com duração de 180 dias. Foram envolvidos 11 centros de Reumatologia.

Pacientes e métodos

Foram incluídos pacientes de ambos os sexos, com idade entre 45 e 75 anos, que apresentavam osteoartrose sintomática de joelho e/ou quadril confirmada, clínica e radiologicamente, pelos Critérios do Colégio Americano de Reumatologia(7,8). Os pacientes deveriam apresentar dor em repouso ou ao movimento maior ou igual a 4 na Escala Visual Analógica (EVA) de dor de 0 a 10, velocidade de hemossedimentação eritrocitária (VHS), pelo método de Westergren, menor ou igual a 30 mmHg na primeira hora, Índice de Massa Corpórea (IMC) £ 35, além da compreensão do estudo e concordância em assinar o termo de consentimento pós-informado.

Critérios de exclusão: pacientes que receberam corticosteróide por via oral ou injetável nos últimos 30 dias; aqueles que estavam em uso de outras medicações consideradas de ação lenta ou modificadora da osteoartrose; portadores de artropatias infecciosas e outras de caráter inflamatório, em que a osteoartrose fosse considerada secundária; ou, aqueles casos nos quais a articulação envolvida no estudo apresentasse desvio articular acima de 15°, incapacidade funcional grau IV (completo estreitamento articular e erosão óssea subcondral) e onde houvesse possibilidades de indicação cirúrgica articular iminente.

Metodologia do estudo: após assinarem o termo de consentimento, os pacientes na visita de seleção passavam por anamnese completa, exame clínico com ênfase no exame reumatológico; utilizou-se a avaliação radiológica já realizada anteriormente, no último ano. Foram colhidas amostras de sangue para perfil laboratorial de segurança na visita pré-estudo (até dia 7) e na visita 4 (dia 180), composto das seguintes análises: VHS, colesterol total, HDL, LDL, triglicérides e acido úrico. Entre a visita de seleção e a visita 1 (período de até 7 dias) o paciente era orientado para que não utilizasse antiinflamatório não hormonal; apenas acetoaminofeno na dose diária máxima de 2 g/dia, caso necessário, era permitido.
Cada paciente incluído no estudo foi orientado, na visita ambulatorial, o uso de Piascledine® na dose de 300 mg em dose única, via oral, por dia, sendo permitido o uso de até 4 comprimidos ao dia (2,0 g) de paracetamol, segundo a necessidade de cada paciente. O uso de antiinflamatórios não hormonais (AINE) foi permitido durante o estudo, se necessário, ficando a critério médico a escolha do AINE, bem como sua dose, caso houvesse necessidade clínica. O uso de corticosteróide* (oral ou injetável - intramuscular, endovenoso ou intra-articular), miorrelaxantes e tratamento tópico não foi permitido durante o estudo.

As avaliações clínicas dos parâmetros de eficácia e tolerabilidade foram feitas, pelo mesmo investigador, para cada paciente, nas visitas 2 (60 dias), 3 (120 dias) e 4 (180 dias) ou na interrupção do estudo. Os critérios de eficácia foram avaliados pelo Índice Algo-Funcional de Lequesne, que pontua através de um questionário a dor ou o desconforto das articulações estudadas, e uma análise em forma de questionário das atividades da vida diária para estas articulações(9); pela dor espontânea global, em uma escala visual analógica (EVA) de 0-10 mm*; pela avaliação clínica dos sinais inflamatórios do joelho e da rigidez matinal em minutos do joelho ou do quadril; a avaliação global da medicação quanto a eficácia pelo paciente e pelo pesquisador**, a contabilização do uso de antiinflamatórios não hormonais e analgésicos.

Avaliação de segurança: foi analisada de acordo com:

1) A descrição e freqüência de reações adversas e eventos do estudo;
2) A taxa de descontinuidade devido às reações adversas.

Análise estatística: a análise do resultado do estudo utilizou:

1) Dados demográficos e outras características do estudo;
2) Desvio do protocolo / descontinuação prematura;
3) Duração e aderência ao tratamento, durante a pesquisa.

O período de tratamento foi estudado em grupos correspondentes à população inicial do estudo até o seu final, utilizando-se curva de sobrevida com método de Kaplan Méier. Outros dados analisados: diminuição da intensidade de dor analisada comparativamente do início ao final do estudo, análise de tolerabilidade através da avaliação da incidência de eventos adversos relacionados e possivelmente relacionados à medicação em estudo, e análise da eficácia através da intensidade da dor e do Índice Funcional de Lequesne.

Os estudos estatísticos serão realizados, utilizando os programas computacionais SPSS versão 8.0 ou SPlus (versão 4,5). Todos os estudos estatísticos foram baseados no intervalo de confiança de 95% e poder estatístico de 80%.

RESULTADOS

Foram incluídos 231 pacientes no estudo durante um período de um ano, os quais receberam Piascledine®, 300 mg ao dia, por seis meses. O último paciente saiu do estudo em fevereiro de 2003. Do total de indivíduos do estudo, 210 (90,91%) eram mulheres e 21 (9,09%) eram homens, idade média de 60 anos +/- 8 anos (variação de 45-77 anos), 210 tinham diagnóstico de osteoartrose (OA) de joelho e 21 com OA de quadril.
As características demográficas dos pacientes na avaliação inicial do estudo estão resumidas na Tabela 1. São mostrados os dados da população de pacientes como um todo. Não encontramos diferenças demográficas significativas entre os grupos de pacientes com OA de joelho e de quadril.

Resposta ao tratamento: os resultados foram semelhantes nas duas análises estatísticas (análise de intenção de tratar (ITT) e análise de pacientes que completaram o tratamento). Examinamos principalmente os resultados da análise realizada com todos os paciente que iniciaram o estudo (n =231) e tiveram pelo menos uma avaliação durante o estudo. Já que nenhuma interação foi detectada entre o fator de localização da OA (joelho ou quadril) e o efeito do tratamento, isso possibilita estudar a resposta global ao tratamento na população total. Para essa finalidade foi atribuído um "peso" similar para cada localização de OA.

Essa análise mostra uma melhora significante mais pronunciada em relação às pontuações encontradas na avaliação pré-estudo e na visita final (V4).

Observamos uma redução significante da pontuação média do Índice Funcional de Lequesne (IFL) no mês 6 em relação à pontuação inicial (11,88 +/-0,24 ao início versus 6,84+/-0,29 no mês 6 (V4); p< 0,001).

Apesar da ausência de interação entre o efeito do tratamento e o fator localizador da OA, foi observado um efeito acentuado após o mês 2 nos pacientes com OA de joelho em relação à pontuação inicial e na V4. As comparações das alterações entre as pontuações iniciais e da V4 para os outros parâmetros de resultados também mostraram uma redução significante em sua pontuação média. Quando comparamos as alterações médias entre os valores no inicio do tratamento e na V4 podemos observar uma redução significante em todos os parâmetros avaliados. Essas diferenças entre as pontuações de inicio do estudo e na V4 atingiram significância estatística para a redução da dor pela EVA, Avaliação da Rigidez Articular e na Avaliação Global de Eficácia pelo paciente e pelo médico. As diferenças entre as pontuações do início do estudo e a V4, para as avaliações de dor pela EVA foi de 6,65 (+/- 0,11) e 3,21 (+/-0,17; p <0,001) e para as pontuações de Rigidez Articular foi de 1,119 (+/-0,045 ao início do tratamento e de 0,482+/-0,17 na avaliação final; p< 0,001).

No geral, 79% dos pacientes avaliaram a medicação ao final do estudo como ótima (35%) e boa (44%), 17% como regular e 4% como ruim. Os médicos, por sua vez, avaliaram os efeitos da medicação ao final do estudo e 75% avaliaram como ótimo (34%) e boa (41%), 20% como regular e 5% como ruim (Figuras 1 e 2).

* Entre a visita de seleção e a visita 1 (período de até 7 dias) foi orientado que o paciente não utilizasse antiinflamatórios não hormonais.
** De acordo com os quesitos: ótimo, bom, regular e ruim.




Não ocorreu uma redução significante no consumo de analgésicos em relação ao início e ao final do tratamento (V 0 = 93,57 +/- 5,33 e V 4 = 87,14 +/-5,50; p =0,945).

Houve uma redução no consumo de AINEs de forma significante durante o período do estudo (V 2 = 1,95+/-0,10 a V 4= 0,67 +/-0,14; p <0,001), tanto para OA de quadril como para OA de joelho, sendo esse efeito mais pronunciado para os portadores de OA de joelho (Gráfico 1).

A análise do consumo de AINEs, expressa em miligramas equivalentes a paracetamol, foi calculada pelos investigadores a cada intervalo entre as visitas, baseando-se nos registros auto-relatados nos diários dos pacientes. A ingestão de analgésicos durante o período do estudo permaneceu sem diferenças entre a visita inicial e a visita final.


Figura 1


Figura 2


Gráfico 1 - Consumo de Antiinflamatórios - Joelho.


Gráfico 2 - Índice Algo-Funcional de Lequesne - Joelho.

ANÁLISE DOS ÍNDICES DE SUCESSO

A análise dos índices de sucesso fornece resultados expressos em termos das porcentagens de pacientes que experimentaram redução clinicamente relevante da dor e deterioração funcional entre o início do estudo e avaliação final. Tal melhora foi definida a priori como uma diminuição de 30%no escore de IFL e 50 % na avaliação do dor (pela EVA), em relação ao inicio do estudo. Para OA de quadril houve uma alteração média de 34,8% no IFL e de 37,3% na EVA. Para OA de joelho houve uma alteração média de 42,3 no IFL e de 50,8% na EVA.

Resposta ao tratamento: os resultados foram semelhantes nas duas análises estatísticas (análise de intenção de tratar (ITT) e análise de pacientes que completaram o tratamento). Examinamos principalmente os resultados da análise realizada com todos os paciente que iniciaram o estudo (n= 231) e tiveram pelo menos uma avaliação durante o estudo. Já que nenhuma interação foi detectada entre o fator de localização da OA (joelho ou quadril) e o efeito do tratamento, isso possibilita estudar a resposta global ao tratamento na população total. Para essa finalidade foi atribuído um "peso" similar para cada localização de OA.

Essa análise mostra uma melhora significante mais pronunciada em relação às pontuações encontradas no pré-estudo e na visita final (V 4).

Foi observada uma redução significante da pontuação média do Índice Funcional de Lequesne (IFL) no mês 6 em relação à pontuação inicial (11,88 +/-0,24 ao início do estudo versus 6,84+/-0,29 no mês 6 (V 4); p< 0,001) (Gráfico 2).

Apesar da ausência de interação entre o efeito do tratamento e o fator localizador da OA, foi observado um efeito acentuado após o mês 2 nos pacientes com OA de joelho em relação à pontuação inicial e na V4. As comparações das alterações entre as pontuações iniciais e do mês 6 para os outros parâmetros de resultados também mostraram uma redução significante em sua pontuação média. Quando comparamos as alterações médias entre os valores no início do tratamento e no mês 6, podemos observar uma redução significante em todos os parâmetros avaliados. Essas diferenças entre as pontuações de início do estudo e no mês 6 atingiram significância estatística para a redução da dor pela EVA, avaliação da rigidez articular e na avaliação global de eficácia pelo paciente e pelo médico. As diferenças entre as pontuações entre o início do estudo e o mês 6 para as avaliações de dor pela EVA foi de 6,65 +/- 0,11 e 3,21+/-0,17 (p <0,001) e para as pontuações de rigidez articular foi de 1,119 +/-0,045 ao inicio do tratamento e de 0,482+/-0,17 na avaliação final (p< 0,001) (Gráfico 3).


Gráfico 3 - Escala Visual Analógica de Dor - Joelho.


Gráfico 4

PERFIL CINÉTICO CLÍNICO

Os pacientes entravam no estudo como graves e muito graves e ao final do estudo foram classificados como leves (Gráfico 4).

AVALIAÇÃO DA SEGURANÇA

Não ocorreu nenhuma reação adversa grave durante o estudo, com exceção de um quadro de angina pectoris. Tal fato se deveu a um paciente com história prévia de cardiopatia, não sendo relacionada à medicação em estudo. Ocorreu um total de 98 eventos adversos durante todo o período de estudo em que 90,8% apresentaram intensidade de leve a moderada, nove (3,9%) foram considerados graves e não relacionados à medicação do estudo. As reações adversas relatadas eram esperadas, sendo as mais freqüentes foram relacionadas aos sintomas gastrointestinais (15,3%), neurológicos (12,2%) e cutâneas (3,1%). As reações se resolveram espontaneamente. As avaliações globais dos pacientes e investigadores mostraram uma tolerabilidade muito boa ao tratamento.

DISCUSSÃO

Os nossos resultados indicam que, neste estudo aberto controlado, multicêntrico, a dose única diária de 300 mg de IAS, por via oral, por um período de seis meses, mostrou eficácia nos parâmetros (EVA e Índice Algo-Funcional de Lequesne), levando a uma redução estatisticamente significante no consumo de antiinflamatórios não hormonais.

Houve concordância nos resultados da avaliação global do estudo quanto à eficácia, tanto pelos médicos como pelos pacientes, onde os resultados considerados com respostas ótimas e boas alcançaram pelos médicos 75% dos casos e 79% pelos pacientes. Maheu e cols.(10) evidenciaram em seu estudo controlado, duplo-cego, contra placebo, respostas favoráveis pelos pacientes de 53% dos casos, em comparação com 30% no grupo placebo.

Quanto à margem de segurança, não ocorreram efeitos indesejáveis graves diretamente relacionados à medicação em estudo. Dos efeitos colaterais que apareceram no período de investigação, possivelmente em 15 casos, a cefaléia transitória foi a mais comum, seguida de queixas dispépticas. Nenhum caso foi considerado provável ou altamente provável quanto à relação direta com os IAS. O baixo índice de abandono do tratamento (1,73%) demonstra excelente segurança e tolerabilidade, confirmando os trabalhos anteriormente realizados.


Gráfico 5 - Proporção de pacientes pré-estudo em relação a Visita 4.

Observando-se os diferentes parâmetros clínicos avaliados verificamos que a resposta ao IAS se deu em torno de 60 dias após o início do período de tratamento, permanecendo até o final dos 180 dias de avaliação controlada, mostrando significância estatística nas visitas 2, 3 e 4. Estes achados são concordantes com os encontrados em outros trabalhos publicados(10,11) e sugerem que a resposta foi mantida durante o tratamento e persistente em até dois meses após a suspensão da medicação(10). Por sua vez, Maheu e cols.(10) evidenciaram em seu estudo, melhores índices de eficácia para a osteoartrose de quadril, ao sugerir um maior benefício para esta condição clínica. Como nossa casuística era de apenas nove pacientes com comprometimento coxofemoral não foi possível fazer esta análise comparativa com a OA de joelho.

Podemos definir como índice de sucesso a ser alcançada por uma terapêutica na osteoartrose as recomendações de Lequesne e cols.(12). Estas têm como objetivo normatizar protocolos para testes de avaliação clínica com fármacos de ação lenta na OA, embora ainda não exista um consenso básico quanto a elas(13).

Representamos a aplicação desses parâmetros onde: o sucesso seria a melhora de 30% na pontuação do Índice de Lequesne associado com a melhora de 50% da dor pela EVA, comparados com os dados iniciais.

De acordo com esta conceituação, consideramos que 42,3% dos pacientes alcançaram o Índice de Lequesne e 50,8% quanto à resposta satisfatória a EVA e foram considerados como bem-sucedidos quanto ao uso de IAS a OA de joelho.

Em relação ao quadril, a análise fica prejudicada quanto ao pequeno tamanho da amostra. Os Gráficos 5 e 6 permitem, ao comparar os achados pré-estudo com os da visita final, encontrar significância estatística para o índice de Lequesne nos pacientes com comprometimento artrósico do joelho.




Gráfico 6 - Proporção de pacientes pré-estudo em relação a Visita 4.

A queda no consumo de antiinflamatórios não hormonais foi expressiva nos dois grupos de pacientes com OA, porém com significância estatística para os enfermos com acometimento do joelho, onde a amostra foi satisfatória. Quanto ao comprometimento do quadril, a diminuição no consumo foi mais gradual, uma vez que os casos incluídos no estudo eram de pacientes com acometimentos mais avançados. O resgate de consumo de analgésicos se mostrou prejudicado, pelo aparecimento de um fator complicador, segundo a análise dos investigadores, pois parece ter havido uso destes fármacos para outras manifestações álgicas que não apenas o quadro articular e também por outros familiares dos pacientes. No entanto, só o fato de pouparmos o uso de antiinflamatórios não hormonais, reconhecidos como agentes terapêuticos de alívio agudo dos sintomas artrósicos, embora causadores de eventos adversos gastrointestinais e renais sérios, representou ganho clínico muito satisfatório.

Na abordagem da terapêutica atual da osteoartrose, o emprego de fármacos ditos de ação lenta ou modificadores da patologia, suscita descrenças e necessidade de estudos adicionais em longo prazo (dois a cinco anos) que confirmem tais evidências de estudos de curto prazo (seis meses, um ano). Porém, os trabalhos clínicos realizados e já citados têm evidenciado que os IAS podem determinar alívio nos sintomas da artrose, com seu uso contínuo, devendo ser prescritos antes dos antiinflamatórios não hormonais ou em conjunto com estes nas primeiras semanas do tratamento, objetivando retardar o curso evolutivo, poupando o consumo prolongado de medicações sintomáticas responsáveis por efeitos colaterais indesejáveis.

CONCLUSÃO

O Piascledine© (IAS), neste estudo aberto, controlado e multicêntrico, mostrou-se seguro e eficaz no controle sintomático da osteoartrose de quadril e de joelho. Estudos mais prolongados, com metodologias mais avançadas, para desvendar seus mecanismos de ação ainda são necessários.

Agradecimentos

Centros Brasileiros


HSPE-SP
Dr. Wiliam H. Chahade
São Paulo - SP

Hospital das Clínicas - UFG
Dr. Nílzio A. da Silva
Goiânia - GO

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Dr. Adil M. Samara
Campinas - SP

Hospital Servidores do Estado do RJ
Dr. Rubem Lederman
Rio de Janeiro - RJ
Hospital do Andaraí
Dr. Hilton Seda
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Dr. Sebastião Cezar Radominski
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Dr. Mauro Keiserman
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Dra. Ângela Duarte
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Dr. Lipe Goldenstein
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Dra. Helenice Gonçalves
Brasília - DF

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Dr. Antônio Carlos Ximenes
Goiânia - GO



Bibliografia
1. Mauviel A., Daireaux M., Hartman Dj., Galera P., Loyan G., Pujol J.P. - Effects des insaponifables d'avocat et de soja (PIAS) sur la production de collagene par des cultures des synoviocytes, chondrocytes articularis et fibroblasts dermiques. Rev Rhum Mal Osteoartic 1989; 56:307-11.
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