Home CopyRight
Grupo Editorial Moreira Jr
Assinaturas Normas de Publicação Busca Avançada Fale Conosco
Contact Us
 

 


Proibida a reprodução
sem autorização expressa
 

 

 
Moreira JR Editora

Tratamento dermatológico das hipercromias
Dermatologic treatment of hyperchromic lesions of skin


Maurício M. A. Alchorne
Professor titular e chefe do Departamento de Dermatologia da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina (Unifesp-EPM).
Silmara C. P. Cestari
Professora adjunta do Departamento de Dermatologia da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina (Unifesp-EPM).
© Copyright Moreira Jr. Editora. Todos os direitos reservados.

Unitermos: hipercromias, discromias, alterações da cor da pele.
Unterms: hyperchromic lesions of skin, disorders of skin colour.


Sumário
As alterações da cor da pele (discromias) são divididas em hipocromias (manchas claras), hipercromias (manchas escuras) e leucomelanodermias (manchas claras e escuras associadas). Os autores farão considerações gerais sobre o quadro clínico e tratamento das hipercromias de ocorrências mais freqüentes.

Sumary
The alterations of the skin colour are divided in hypopigmentation or hypocromic lesions and hyperpigmentation or hyperchromic lesions. The authors made general considerations on clinical aspects and treatment of the most frequent hyperchromic lesions of the skin.

Considerações gerais

As alterações da cor da pele são denominadas discromias e podem ser representadas por manchas mais claras (hipocromias) ou mais escuras (hipercromias) do que a pele normal, podendo ocorrer associação de ambas as alterações (leucomelanodermias).
As hipercromias de maior ocorrência são: cloasma, efélides, nevo melanocítico, eritema fixo pigmentado, fitofotodermatose e melanodermias pós-inflamatórias.

Hipercromias

Cloasma: manchas escuras, pardacentas ou de cor café-com-leite, de formas, tamanhos e números variáveis, contornos irregulares, limites imprecisos, localizadas de preferência na face. Mais freqüente em mulheres grávidas, persistem após o parto em grande número de vezes. Estariam relacionadas a distúrbios hormonais, uso de cosméticos fotossensibilizantes e exposição ao sol. Os anticoncepcionais têm sido responsabilizados por certos casos. Podem também surgir em homens.
Tratamento local: indicam-se hipocromiantes. Exemplo: água oxigenada a 10 vol. 15 cm3; lanolina anidra 10 g; vaselina 5 g; aplicar uma a duas vezes por dia. A este creme, depois de 20 a 30 dias de tratamento, pode-se adicionar bicloreto de mercúrio (0,05 g), tornando-o mais ativo. Alerta-se para a possibilidade de reações alérgicas. A clássica solução de Hardy (sublimado corrosivo 1 g; álcool q.s.; sulfato de zinco e acetato de chumbo 2 g; água destilada 250 cm3), aplicada uma a duas vezes por dia, poderá ser útil, havendo, porém, maior risco de reações alérgicas. Recomenda-se abolir o uso de cosméticos fotossensibilizantes e usar antiactínicos (v. vitiligo). A hidroquinona a 3% - 5% em álcool a 90% pode ser usada, mas devem ser evitadas preparações com éter benzílico de hidroquinona que podem provocar lesões hipocrômicas indeléveis.
A tretinoína tópica a 0,05% a 0,1% deve ser usada duas vezes por dia; se ocorrer irritação, seu uso deve ficar limitado a uma vez por dia, à noite. A isotretinoína é menos irritante do que a tretinoína.
Outra alternativa terapêutica é o ácido azeláico a 20%, aplicado pela manhã e à noite. Pode ser associado a hidroquinona ou tretinoína, à noite. Pode ser associado à hidroquinona ou à tretinoína.
Tratamento geral: corrigir distúrbios hormonais; combater infecções; evitar exposição ao sol.

Efélides: manchas castanhas, pequenas, em número variável, localizadas de preferência nas partes expostas ao sol. São devido ao aumento da atividade dos melanócitos e surgem após exposição à luz solar, principalmente crianças e adolescentes ou adultos jovens de pele clara. Freqüentemente apresentam caráter hereditário.
Tratamento: evitar exposição ao sol e uso de fotoprotetores. Em alguns casos se pode recomendar o uso de antiactínicos e hipocromiantes (v. cloasma).

Nevo melanocítico: também denominado mancha hepática ou mancha cafe au lait. É malformação congênita ocasionada por aumento da atividade dos melanócitos, sem alteração do número. Apresenta diâmetro variado de 2 a 10 cm e pode localizar-se em qualquer região cutânea. Pode ocorrer em indivíduos normais, porém pode ser numerosa e ocorrer na neurofibromatose de Von Recklinghausen, sendo elemento característico da doença. Não sofre transformação maligna e não necessitam tratamento.

Eritema fixo pigmentado: farmacodermia caracterizada por eritema seguido de melanodermia de causa medicamentosa. A cada reexposição da droga ocorre recorrência do quadro.
O tratamento consiste na suspensão da droga responsável. A mancha melanodérmica involui espontaneamente, porém muito lentamente.

Fitofotodermatose: ocorre em áreas expostas por mecanismo de fotossensibilização por substâncias como psoralênicos, essência de bergamota ou outros furocumarínicos existentes em diversas frutas, principalmente figo e limão. Após contato com o sumo da casca das frutas e exposição ao sol ocorre aparecimento de manchas eritematosas, com formas variáveis, localizadas nas áreas expostas, que se tornam melanodérmicas.
Desaparecem em algumas semanas, sem necessidade de tratamento.
Melanodermias pós-inflamatórias: afecções cutâneas como impetigo, eczemas, líquen plano, pênfigos e picadas de insetos podem deixar hipercromias residuais. O mesmo se observa nas cicatrizes. Esta pigmentação é mais comum nas crianças de pele escura, particularmente mulatos. Essas manchas tendem a clarear lentamente com o tempo, não necessitando de tratamento.



Bibliografia
1. Azulay RD & Azulay DR. Discromias. In: Azulay RD & Azulay DR, ed. Dermatologia. 2nd ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 54-62, 1999.
2. Sampaio SAP & Rivitti EA. Discromias. In: Sampaio SAP & Rivitti EA, ed. Dermatologia. 1st ed. São Paulo: Artes Médicas, 267-283, 1998.
3. Bleehen SS, Ebling FJG & Champion RH. Disorders of Skin Colour. In: Champion RH, Burton JL & Ebling FJG, ed. Textbook of Dermatology. 5th ed. USA: Blackwell Scientific Publications, 1561-1622, 1993.