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Transplantes
Manutenção hemodinâmica do potencial doador de órgãos por meio do cateter central de inserção periférica
Hemodynamics maintaining the potential donor organs through peripherally inserted central venous catheter


Priscilla Caroliny de Oliveira
Enfermeira, Doutoranda, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Instituto Israelita Albert Einstein de Ensino e Pesquisa, São Paulo (SP), Brasil. E-mail: priscilla. oliveira@einstein.br
Inês Aparecida Reis
Enfermeira, Pós-Graduação em Captação, Transplante e Doação de Órgãos e Tecidos, Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa. São Paulo (SP), Brasil. E-mail: inesareis@hotmail.com
Heloísa Barboza Paglione
Enfermeira, Mestranda, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Instituto Israelita Albert Einstein de Ensino e Pesquisa. São Paulo (SP), Brasil. E-mail: heloísa .paglione@einstein.br
Renata Fabiana Leite
Enfermeira, Mestranda, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Instituto Israelita Albert Einstein de Ensino e Pesquisa. São Paulo (SP), Brasil. E-mail: renata. fleite@einstein.br
Vanessa Silva e Silva
Enfermeira, Doutoranda, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Brasil. E-mail: vanessa. emp66@gmail.com

Endereço para correspondência:
Priscilla Caroliny de Oliveira
Universidade Federal de São Paulo
Hospital Israelita Albert Einstein
Rua Monsenhor Henrique Magalhães,
26 - 2º andar - Casa Laranja 2 -
Morumbi. CEP: 05653-110 - São
Paulo/SP, Brasil

RBM Transplantes
Dez 16 V 73 N Especial L2
págs.: 7-12

Unitermos: Transplante de fígado, qualidade de vida, Doença hepática terminal, sobrevida
Unterms: Liver transplantation, quality of life, End-stage liver disease, survival

Resumo

Objetivo: Descrever a prática na utilização do PICC na manutenção hemodinâmica do potencial doador de órgãos. Método: Estudo descritivo e exploratório, de abordagem quantitativa, realizado em um hospital público da cidade de São Paulo, Brasil. A coleta de dados realizada com um questionário e analisados com apoio do Programa Microsoft Exel®. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa, CAAE nº 43061014.4.0000.5452. Resultados: Nove potenciais doadores utilizaram o cateter PICC, destes sete tornaram-se doadores efetivos. Um paciente apresentou parada cardíaca antes da conclusão do protocolo de morte encefálica. Não foi identificada nenhuma complicação relativa ao uso do cateter. Conclusão: O PICC veio como alternativa aos outros cateteres venosos centrais, dada sua facilidade de inserção, baixo custo, e menor risco de complicações, mostrando-se eficaz e seguro para realizar o manejo hemodinâmico do potencial doador.

Introdução

Para realizar o manejo hemodinâmico do potencial doador (PD) é essencial um acesso venoso central para infusão da terapia medicamentosa. Entre os avanços tecnológicos e terapêuticos disponíveis, ressalta-se o cateter central de inserção periférica (PICC), sigla em inglês correspondente a Peripherally Inserted Central Venous Catheter, que se encontra em expansão de uso pelos seus inúmeros benefícios. (1)

O cateter venoso central de inserção periférica (PICC) é um dispositivo intravenoso inserido através de uma veia superficial da extremidade e que progride, por meio de uma agulha introdutora e com a ajuda do fluxo sanguíneo, até o terço médio distal da veia cava superior ou da veia cava inferior, adquirindo características de um cateter central. Este dispositivo possui um ou dois lumens, é longo (20 a 65 cm de comprimento), possui calibre que varia de 14 a 24 Gauge ou 1 a 5 French (Fr), é flexível, radiopaco, de paredes lisas e homogêneas, feito com material estável e compatível - como silicone, polietileno ou poliuretano.2 Está indicado para pacientes em uso de terapia intravenosa com drogas vasoativas, nutrição parenteral, antibioticoterapia, infusões hipertônicas entre outras. (3)

É de competência técnica e legal do enfermeiro inserir, manipular e garantir a manutenção do cateter PICC, de acordo com a Lei 7498/86 e o seu Decreto 94406/87 e do parecer técnico COREN-RJ nº 09/2000.4

Dentre os cateteres venosos centrais, é o que apresenta melhor relação custo-benefício: menor custo; menores riscos relacionados ao cateter, dispensando a utilização de sala cirúrgica, podendo ser inserido em qualquer local, inclusive no leito de internação ou em residências; exige apenas um Raio X de tórax para confirmação de sua localização após ser inserido; apresenta eficiente resposta a tratamentos intravenosos com extremos de pH e osmolaridade. Dadas suas vantagens e a fim de diminuir a necessidade de acesso venoso central por meio de flebotomia, o PICC tem sido utilizado nos pacientes que necessitam um acesso venoso central confiável e que possa permanecer durante toda a terapia venosa. (5)

Tendo em vista as características do PICC e sua utilidade na terapia intravenosa, levantou-se a seguinte questão: esse dispositivo poderia ser utilizado na manutenção do potencial doador de múltiplos órgãos? Sendo assim, o objetivo deste artigo é descrever as práticas de inserção e manutenção do PICC em potenciais doadores de um hospital público da cidade de São Paulo.

Método

Trata-se de uma pesquisa descritiva e exploratória, de abordagem quantitativa. A pesquisa descritiva aborda as características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre as variáveis e a pesquisa exploratória aprimora as ideias ou descobertas de intuições, tornando o problema mais familiarizado com o autor por buscar identificar as dimensões dos fenômenos, a forma como se manifestam e seu relacionamento com outros fatores.6

Nesse estudo, a população foi constituída de Potenciais Doadores (PD) internados no Hospital Municipal do Campo Limpo, localizado na zonal sul da cidade de São Paulo, que utilizaram como via de acesso venoso o cateter central de inserção periférica (PICC) para manutenção hemodinâmica no período de fevereiro 2013 a agosto de 2014.

A coleta de dados foi realizada por meio da análise de prontuário dos pacientes submetidos à inserção do PICC e de impresso próprio criado para documentar a inserção do PICC preenchido em todos os procedimentos (apêndice 01). Foram definidos como localização central todos os cateteres cuja extremidade estivesse em veia cava superior após confirmação por exame de Raio X.

Foi desenvolvido uma planilha no programa Microfoft Exel (apêndice 02) para coleta de dados com as seguintes variáveis: identificação do PD, idade, sexo, causa do coma, tipo de PICC, droga vasoativa utilizada, desfecho do caso. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva univariada.

O estudo atendeu às determinações preconizadas pela Resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), que normatiza as pesquisas envolvendo seres humanos e foi aprovada pelo CEP via Plataforma Brasil, sob número de parecer 1.015.323.




Resultados

A decisão da inserção do cateter é tomada em conjunto com a equipe médica, e o procedimento nesse período, que foi de 34. Um fator limitante para o uso do PICC é o fato de apresentar um único lúmem, o que dificulta o manejo das drogas, tendo em vista que muitas vezes são empregas em associação. A disponibilização de PICC com duplo e triplo lúmen em pacientes sob cuidados críticos parece ser mais factível.

Conclusão

O PICC veio como alternativa aos outros cateteres venosos centrais, dada sua facilidade de inserção, baixo custo e menor risco de complicações. No entanto, seu uso para manutenção do potencial doador é pouco estudado, não sendo encontrados estudos que avaliem segue as normas e protocolo institucionais para a inserção do PICC.




Desde a implantação do protocolo de PICC, em fevereiro de 2013, foram realizadas 9 inserções do cateter PICC com o objetivo de realizar o manejo hemodinâmico do PD. Os cateteres tinham em sua composição silicone, compatível com as drogas administradas (noraepinefrina, vasopressina e dobutamina). Todos os cateteres eram de apenas um único lúmen e não valvulados, com calibre de 4 ou 5 french. Em todos os casos foi verificado o posicionalmente central do PICC por meio de Raio X de tórax. Dos nove pacientes que fizeram uso do dispositivo, 7 se tornaram doadores efetivos; 1 paciente apresentou parada cardíaca antes da conclusão do protocolo de morte encefálica e houve 1 recusa familiar para doação de órgãos. Foram captados 14 rins, 07 fígados, 1 coração e 1 pulmão. As veias mais utilizadas foram as da fossa antecubital, com predomínio da veia basílica, sendo que em apenas 2 casos optou-se pela introdução do PICC em via veia jugular externa. O tempo médio de permanência do cateter foi de 42 horas. Não foram identificadas complicações relativas ao uso do PICC. Discussão Após a realização do diagnóstico de morte encefálica e obtenção do consentimento para doação de órgãos, todos os esforços devem ser realizados para a efetivação do transplante o mais rápido possíve (l7). Verifica-se que muitos dos problemas de oferta de órgãos estão associados ao inadequado manejo hemodinâmico do doador falecido. Não se observa em grande parte das unidades de cuidados críticos brasileiras a devida valorização do problema, fato evidenciado pela carência de sistematização do atendimento ao potencial doador de múltiplos órgãos. Trata-se de algo que suplanta a esfera técnica, uma questão humanitária e de cidadania de todos os atores envolvidos na manutenção do potencial doador falecido (8). É comum ocorrer perda de doadores falecidos nos momentos que antecedem a retirada dos órgãos em razão da demora na realização do diagnóstico e do atraso provocado por aspectos administrativos e assistenciais.7 Em nossa população, apenas em um caso ocorreu parada cardíaca antes da conclusão do protocolo de morte encefálica. A Instabilidade hemodinâmica é o principal desafio no tratamento do potencial doador, sendo a hipotensão um problema comum que leva a diminuição da perfusão dos diversos órgãos.8-9 A inserção do PICC é realizada por enfermeiros capacitados, o que mostrou ser um fator decisivo neste contexto, por proporcionar maior agilidade ao processo, visto que possibilitou a introdução de drogas vasoativas desde sua indicação, auxiliando na adequada manutenção do potencial doador de órgãos. Em relação aos aspectos assistenciais, infelizmente poucos potenciais doadores de órgãos são manuseados de forma ótima pela equipe responsável pela manutenção do falecido. A grande variabilidade de medidas terapêuticas adotadas dificulta a utilização das melhores práticas relacionadas à manutenção do doador falecido. Esta dificuldade resulta na limitação do número de doações e da qualidade dos órgãos transplantados.10-11 Por outro lado, a adoção de políticas uniformes e agressivas de manutenção do potencial doador falecido aumenta o número de potenciais doadores (19%), aumenta o número de doadores reais (82%), reduz a perda de doadores por instabilidade hemodinâmica (87%) e aumenta o número de doações efetivas (71%).12 Houve reduzido número de pacientes estudados, considerando-se o total de potenciais doadores a utilidade desse dispositivo neste contexto, limitando a comparação dos achados dessa pesquisa. Neste estudo, o PICC mostrou-se eficaz e seguro para realizar o manejo hemodinâmico do potencial doador de órgãos, não sendo evidenciada nenhuma complicação relativa ao seu uso.




Bibliografia
1. Vendramin P. Cateter central de inserção periférica (CCIP).
In: Harda MJCS, Rego RC, organizadores. Manual de terapia
intravenosa em pediatria. São Paulo: ELLU; 2005. p. 75-95.
2. Toma E. Avaliação do uso do PICC - cateter central de inserção
periférica em recém-nascidos [Tese de Doutorado]. São Paulo:
Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo; 2004.
3. O'Grady NP, Alexander M, Dellinger EP, Gerberding JL, Heard
SO, Maki DG, et al.; Centers for Disease Control and Prevention.
Guidelines for the prevention of intravascular catheter-related
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4. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução COFEN -RJ nº
09/2000.
5. Paiva BSR, Fioretto JR, Paiva CE, Bonatto RC, Carpi MF, Ricchetti
SMQ, et al. Cateterização venosa central em crianças
internadas em Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica: complicações.
Rev Paul Pediatr. 2006;24(1):35-41.
6. Gil AC. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo:
Atlas; 2006.
7. Franceschi AT, Cunha MLC. Adverse events related to the use of
central venous catheters in hospitalized newborns. Rev Latino
Am Enferm.2010;18(2):57-63.
8. Pereira WA, Cols. Diretrizes Básicas para Captação e retirada
de Múltiplos Órgãos e Tecidos da Associação Brasileira de
Transplante de São Paulo Companygraf Produções Gráficas
e Editora; 2009.
9. Haider G, Kumar S, Salam B, Masood N, Jamal A, Rasheed YA.
Determination of complication rate of PICC lines in oncological
patients. Pak J Med Assoc, 2009. http://http://ecommons.aku.
edu/pakistan_fhs_mc_radiat_oncol/5/
10. Diretrizes para manutenção de múltiplos órgãos no potencial
doador adulto falecido. Associação de Medicina Intensiva
Brasileira; 2011.
11. GuettiI NR, Marques IR. Assistência de enfermagem ao
potencial doador de órgãos em morte encefálica. Rev Bras
Enferm,2008;61(1):91-7.
12. Delmonico FL. Cadaver Donor Screening for Infectious Agents
in Solid Organ Transplantation. Clinical Infections Diseases.
2000;31:781-6.