Home Busca Avançada Normas de Publicação Assinaturas Fale Conosco
Contact Us
 
 

 

CopyRight
Moreira Jr Editora
Proibida a reprodução sem autorização expressa


 
sêlo de qualidade
Like page on Facebook



Editorial
Suicídio em revisão e novos esquemas terapêuticos sempre são destaque
Vladimir Bernik
Editor Científico da RBM Neuropsiquiatria. Coordenador da Equipe de Psiquiatria do Hospital Alemão Oswaldo Cruz
RBM Neuropsiquiatria
Set 16 V 73 N Especial H4

O suicídio sempre foi um preocupante problema médico e social. Por todos os tempos e em todas as épocas. Certamente é uma das principais causas de morte no mundo e não só não aparece com relevância ainda maior por ser um estigma pouco divulgado e comentado até mesmo em níveis médicos. Pode ser tornado como indicador indireto do estado de saúde mental de uma população.

A professora doutora Alexandrina Meleiro, da Faculdade de Medicina da USP, tem se dedicado frequentemente ao seu estudo.

O seu artigo, em publicação, "Comportamento suicida: os números revelam o Mundo e o Brasil", analisa mais uma vez uma situação complexa pelo estigma que ainda se mantém dentro da própria Medicina. Muitas vezes, os seus números são mascarados com palavras como "intoxicação exógena aguda", "acidente", "morte sem causa definida" e outros, para que o paciente suicida fuja do rótulo, ou por questões pessoais ou familiares, ou por questões relativas a bens patrimoniais, o que certamente invalida a maior parte das estatísticas em todo o mundo.

Por exemplo: segundo a autora, dos 194 países, somente 60 mantém estatísticas confiáveis de sua ocorrência. Dai a dificuldade que tem a Psiquiatria em estudar a sua epidemiologia e, consequentemente, propor medidas que sejam pelo menos parcialmente inibitivas de sua ocorrência. O número de mortes pelo suicídio é maior que o das vitimas em acidentes, mortos pela AIDS, doenças cardiovasculares e leucemias.

Consequentemente, dada a sua "baixa prevalência", poucas verbas são destinadas aos estudos de sua prevenção, apesar de ser altamente prevalente, a terceira causa de morte, perdendo apenas para o diabetes e o câncer de mama. Assim, as verbas destinadas a esta área não são compatíveis com a sua gravidade médica e social.

A observação dos gráficos que ilustram a apresentação somam informações ao nosso conhecimento geral sobre o tema.

Outro assunto de grande importância clinica é o debate sobre o uso "off label" de medicamentos. Ou seja, o seu emprego em doses diferentes das anotadas nos tão famosos "bulários" de livre acesso publico, mostrando o quanto um profissional de Medicina tem conhecimento próprio desenvolvido em anos de trabalho, permitindo-se prescrever medicamentos segundo a sua opinião e decisão, estudando a gravidade do paciente e a necessidade que este, em particular, tem de fazer em usar o medicamento em dose ’individualizada’ que, muitas vezes, foge da preconizada em teorias e nas bulas delas derivadas.

As dosagens descritas em bulas são as aferidas pela pesquisa de seus fabricantes sobre medias apuradas em estudos clínicos multicêntricos, que nem sempre observam as condições particulares de um paciente. Este, algumas vezes requer doses maiores; vejam-se os obesos, e outras vezes requerem doses inferiores, seja pela pouca gravidade de seu quadro ou mesmo pelo seu baixo peso ou diminuído perfil de sua resistência.

Mais uma vez é o critério do médico observador que vai determinar a dosagem da medicação. Este é o caso da quetiapina, um antipsicótico que cada vez mais está sendo utilizado em baixas doses no controle da ansiedade. Esta é a vantagem do uso de doses menores e a tentativa de, em casos crônicos de ansiedade, evitar a criação de um estado de tolerância aos benzodiazepínicos habitualmente prescritos nesta indicação.

"O uso off label da quetiapina em pacientes com ansiedade", dos doutores Kalil Duailibi, professor da UNISA e diretor científico de Psiquiatria da APM, Anderson Soares M. da Silva, da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, e Marcela Mosconi Caldas, da UNISA, analisam este tipo de procedimento com a quetiapina, hoje amplamente utilizada em baixas doses no controle de quadros não psicóticos.

Certamente o tratamento da Doença de Parkinson, historicamente famosa, mas ainda sem uma eficaz diretriz terapêutica, continua sendo um desafio, pois atinge grande parte de pessoas de terceira idade, quando não algumas ainda mais jovens. Um desafio para a Medicina, pois envolve de degeneração de alguns núcleos de base com consequente prejuízo na dopamina. Contudo, deve se observar que o comprometimento de outras estruturas cerebrais ocorre em função da baixa geral da dopamina em outras estruturas cerebrais, um desenvolvimento secundário com o agravamento da doença.

O uso da levodopa ainda é tradicional e ainda é o medicamento mais prescrito, mas o avançar das pesquisas vem revelando a utilidade cada vez maior de pramipexol, um não fármaco no controle da Doença de Parkinson que, muitas vezes, por uma questão de costume, é prescrito com a levodopa, mas que vem mostrando eficácia como monoterapia em Parkinson.