Home Busca Avançada Normas de Publicação Assinaturas Fale Conosco
Contact Us
 
 

 

CopyRight
Moreira Jr Editora
Proibida a reprodução sem autorização expressa


 
sêlo de qualidade
Like page on Facebook



Editorial
Mais médicos. O que nos reserva o futuro?
Antonio Carlos Lima Pompeo
Professor Titular da Disciplina de Urologia Faculdade de Medicina do ABC
Revista Uro ABC - Maio/Ago 15 V 5 N 2

A longa jornada como docente e como profissional que vive o dia a dia dos problemas relacionados à Medicina e seu ensino, nos dá embasamento para participar da análise da assistência médica em nosso país que tem características próprias. Fica claro que nosso nível de atendimento, principalmente às classes mais necessitadas é ineficiente, heterogêneo e de baixo nível. Os usuários do SUS estimados em mais de 100 milhões de pessoas padecem em filas de espera intermináveis para consultas, internações e tratamento. Para este desfecho concorrem vários fatores relacionados aos gestores da saúde, investimento insuficiente ou mal direcionados e a visão míope sobre os problemas de saúde e as alternativas para solucioná-los ou, pelo menos, atenuá-los. É inequívoca a falta de médicos e, notadamente, a má distribuição dos mesmos, que sem estímulos econômicos e materiais procuram permanecer nos grandes centros onde as oportunidades de trabalho(s) são maiores.
Buscando "remendar" este problema as autoridades gestoras optam por soluções altamente discutíveis quanto à eficiência e à legitimidade. Numa primeira fase recente, decidem acolher médicos de outros países, quase 20 mil (a maioria cubanos) atraídos por oportunidades quase desconhecidas nesta terra de sonhos. Pessoalmente, nada contra eles, mas sim contra a maneira transgressora e estranha como foram admitidos para o exercício da Medicina, fato que deixou a todos perplexos! Tem liberdade da prática profissional sem fazer exames de qualificação, contrariando, assim, princípios estabelecidos há décadas. Esta etapa seletiva é fundamental para emprestar a esses colegas a situação de legitimidade nas suas atribuições. Vá um brasileiro exercer a medicina em países que respeitam a saúde pública sem passar por rígida qualificação - no mínimo será preso e provavelmente... deportado.

Outro aspecto muito grave a ser comentado é que estes colegas recebem seu salário parcialmente, pois parte dele é enviado, conforme amplamente divulgado, a seus países de origem!!! Não se trata de corporativismo, mas de ordem, de legitimidade... de respeito. Outra via do programa mais médicos investe de maneira desordenada, afoita, muitas vezes "agradando" grupos muito interessados na abertura de dezenas de novas "escolas médicas", em geral sem qualquer estrutura sob o ponto de vista material, hospitalar e humana, como se o complexo ensino médico se assemelhasse a uma auto-escola em que um velho automóvel e um motorista instrutor são suficientes. De onde vão surgir os docentes capacitados de maneira repentina? Vão ser importados? Quem paga a conta? As instituições oficiais tradicionais já sobrevivem com as conhecidas dificuldades !!! Em suma, desejamos implemento do ensino médico, porém qualificado e responsável. O problema da falta de médicos, não resta dúvida, é complexo, porém deve ser equacionado de forma equilibrada, lúcida, apolítica, sob uma ótica de gestão que ouça e dialogue com as sociedades médicas. É consensual que são necessários maiores investimentos na área da saúde que reverta na recuperação e implemento da rede hospitalar do SUS e que estimule a permanência dos médicos em locais longínquos dos grandes centros. Investimentos adequados, gestores qualificados e honestos constituem a chave para o equacionamento dessa grave situação. O que nos reserva o futuro?... Só Deus sabe!

Prof. Antonio Carlos Lima Pompeo
Professor Titular da Disciplina de Urologia FMABC