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Relato de Caso
Uso da lâmpada de Wood no eritrasma
Carlos Gustavo Carneiro de Castro
Sócio efetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia
Mariana Serri de Morais
Graduada em Medicina pela UNIRIO Veronica Vilas Boas Ferrari Graduada em Medicina pela Universidade Estácio de Sá
Veronica Vilas Boas Ferrari
Graduada em Medicina pela Universidade Estácio de Sá
Daniela de Abreu e Silva Martinez
Graduada em medicina FTESM
Tatiana Addario
Residente de Medicina da Família e Comunidade
Glaura Plata
Sócia efetiva da Sociedade Brasileira de Dermatologia
Mailing address/endereço de correspondência: Rua Voluntários da Pátria 445, sala 702, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, CEP 22270-000


RBM Maio 16 V72 N Especial G3
Dermatologia e Cosmiatria

págs.: 10-12

Unitermos: eritrasma, lâmpada de Wood, Corynebacterium minutissimum
Unterms: erythrasma, Wood´s lamp, Corynebacterium minutissimum

Resumo

Relatamos o caso de um homem diabético, caucasiano, com um quadro exuberante de eritrasma, no qual a lâmpada de Wood foi útil na avaliação diagnóstica. A fluorescência vermelho-coral observada em lesões do eritrasma ocorre devido à produção de porfirinas pelo Corynebacterium minutissimum e ajuda a diferenciar de outras dermatoses intertriginosas que são mais prevalentes no nosso meio.

Introdução

O eritrasma é uma infecção bacteriana superficial da pele que tem como agente etiológico o Corynebacterium minutissimum. É mais frequente em indivíduos com diabetes mellitus e mais prevalente em países tropicais. Apresenta-se clinicamente como manchas marrom avermelhadas bem definidas, irregulares, com descamação superficial, que podem ser assintomáticas ou pruriginosas. Acometem região inframamária, genitocrural, interglútea e axilar. Também afeta o espaço interdigital dos pododáctilos com maceração branca e fissura.

Outras dermatoses entram no diagnóstico diferencial, tais como a tinea cruris, porém esta possui borda mais ativa e tendência à involução central, a psoríase inversa com placa bem demarcada de cor vermelho- -brilhante, a Pitiríase versicolor distinguindo-se por disseminar no tronco e ausência de lesões intertriginosas e a candidíse apresentando satelitose.

O diagnóstico é sugerido pela localização e aspecto clínico das lesões. Pode ser auxiliado com o uso da lâmpada de Wood, revelando uma coloração coral- -avermelhada das manchas, causada pela presença de coproporfirina III, já que uma das características da bactéria é a capacidade de produção dessa porfirina.

A cultura demonstra o Corynebacterium minutissimum em abundância e amostras de pele evidenciam a presença de bacilos gram-positivos.

O tratamento tópico é usado para lesões localizadas, com apresentações em creme ou gel de eritromicina 2%, peróxido de benzoíla 2,5% ou clindamicina 2%. Em casos disseminados ou refratários se utilizam antibióticos orais, como a eritromicina, claritromicina e tetraciclina. Para profilaxia secundária podem ser empregados sabonetes com peróxido de benzoíla no banho.

No presente relato descremos um caso típico de eritrasma no qual a luz de Wood contribuiu de maneira relevante para avaliação diagnóstica e que apresentou boa resposta ao tratamento.



Relato do caso

Paciente masculino, 59 anos, casado, aposentado, natural de Portugal (região do Porto). Há 2 semanas iniciou quadro de manchas acastanhadas assintomáticas nas regiões inguinais e bolsa escrotal. Relata ter usado antifúngico tópico durante 4 dias (não soube informar qual), não apresentando qualquer melhora do quadro.

Apresenta diabetes mellitus não insulino-dependente, dislipidema e hipertensão arterial. Relata ainda aparecimento de mancha hipercrômica similar a atual não tratada e não investigada em 1971, a qual sofreu remissão espontânea.

Ao exame dermatológico, paciente apresenta manchas hipercrômicas acastanhadas não descamativas com limites bem definidos nas regiões inguinais e bolsa escrotal. Ao exame pela luz de Wood, foi visualizado fluorescência vermelho-coral nas lesões.

Foi solicitado exame bacteriológico direto que mostrou bactérias filamentosas , confirmando o diagnóstico de eritrasma. Foi iniciado tratamento tópico com eritromicina 4% (gel base), três vezes ao dia, por 15 dias, com melhora parcial do quadro. Foi necessário continuar o tratamento tópico por mais 10 dias e associá-lo com eritromicina 500 mg via oral de 6 em 6 horas, por 10 dias, havendo finalmente remissão completa do quadro.

Discussão

Eritrasma é uma infecção bacteriana superficial da pele que afeta o estrato córneo, causada pelo Corynebacterium minutissimum. Apresenta evolução crônica e pouco contagiosa, tende a não remissão espontânea se não realizado tratamento adequado.

A maioria dos casos possui como queixa inicial, uma mancha acastanhada descamativa, podendo ser eritematosa em fases iniciais, em geral assintomática, com bordas bem delimitadas, com crescimento lento e com predominância em áreas intertriginosas. No caso em questão foi acometida a região inguino-crural, bilateralmente, com extensão para bolsa escrotal e parte da região anal.

Pode acometer regiões axilares, submamárias, interdigitais, podendo ser uni ou bilateral e haver apresentações menos comuns em tronco, região anal, ou até afetar prepúcio e glande. O que se faz necessário realizar diagnóstico diferencial com outras dermatoses que acometem áreas intertriginosas, como candidíase.

A luz de Wood é um método auxiliar na avaliação de vários dermatoses como pitiríase versicolor, vitiligo, tinea capitis, entre outras. A lâmpada de Wood emite radiações ultravioleta na faixa de 340 a 400 nm similares às emitidas nas lâmpadas fluorescentes tipo luz negra. O exame deve ser realizado em ambiente escuro para melhor visualização. No caso do eritrasma a fluorescência ocorre em virtude da presença de porfirinas produzidas pela C. minutissimum. Devido ao fato dessas substâncias serem solúveis em água, a lavagem do local antes do exame pode diminuir a sensibilidade do exame.

A fluorescência vermelho-coral mostrada na luz de Wood e o resultado de exame bacteriológico direto compatível com Corynebacterium minutissimum foram relevantes para o diagnóstico no caso apresentado.

Mais da metade dos pacientes com eritrasma (58%) apresentou associação com diabetes mellitus. Outros fatores podem estar associados a hiper-hidrose, barreira cutânea delicada, obesidade, climas quentes, má higiene, idade avançada e estados de imunocomprometimento. O paciente em questão, apresentava diabetes mellitus e obesidade.

Conclusão

O uso da luz de Wood é um método auxiliar no diagnóstico, barato, não invasivo e de fácil execução e que contribui para corroborar o diagnóstico presuntivo, baseado na semiologia das lesões que eram típicas de eritrasma. Isto possibilitou o início do tratamento logo após a coleta do material para exame bacteriológico, mesmo antes da demonstração do agente etiológico.

Inicialmente foi proposto apenas o tratamento tópico com eritromicina 4% em gel para evitar o uso de antibioticoterapia sistêmica que poderia acarretar um risco aumentado de efeitos colaterais. Na consulta de reavaliação após 14 dias foi notada apenas uma melhora parcial do quadro, motivando o emprego do antibiótico oral. A eritromicina oral foi escolhida por ser a mesma substância usada na terapia tópica, evitando um aumento do risco de resistência bacteriana que ocorreria caso fosse empregado um antibiótico de outra classe.




Bibliografia
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