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Editorial
Importância da atualização de conhecimentos sobre medicamentos de amplo uso: escitalopram, lítio e quetiapina
Vladimir Bernik
Editor Científico. Coordenador da Equipe de Psiquiatria do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
RBM Jan 16 V 73 N ESPECIAL H1
Especial Neuropsiquiatria

O mais prevalente e socialmente incômodo transtorno da ansiedade é a fobia social. Certamente é a que mais prejuízos, diretos e indiretos, causa aos pacientes, privando-os de desfrutarem de sua vida pessoal em grupos e na sociedade. As limitações impostas imobilizam e restringem suas vidas, agravando a sua qualidade e, muitas vezes, cerceando o acesso do paciente às atividades que são comuns e rotineiras a todos, mas que só para ele apresentam sensíveis dificuldades.

Inúmeras técnicas comportamentais estão sendo utilizadas com relativo sucesso. Antigas técnicas analíticas só dificultavam a adaptação do paciente ao mundo, tentando explicar-lhe os motivos inconscientes da sua inibição social e respectivo medo de enfrentamento das situações. Se a fenelzina, um antigo antidepressivo do tipo IMAO, mas de uso restrito devido à alta incidência de graves efeitos adversos, podendo até levar a óbito, foi considerado - na época - salvadora para os "tímidos". O seu uso só perdurou até a chegada dos comparativamente muito seguros ISRS. Uma nova era se abriu. E, com a síntese do escitalopram, um novo avanço aconteceu e muitas portas fechadas pelas impossibilidades sociais se abriram e os pacientes voltaram a viver normalmente, utilizando-se do escitalopram.

A professora doutora Elisa Brietzke, do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina - UNIFESP, em seu artigo "O uso do escitalopram no tratamento da fobia social" revê a neurobiologia deste quadro e da ansiedade em geral, apontando a baixa serotonina como a causa do problema. Daí a correlação com o fato de que pessoas com depressão, tratadas com ISRS, apresentaram uma redução da ansiedade. A descoberta desta correlação explica a dúvida de muitos, de como um antidepressivo possa atuar adequadamente no controle da ansiedade, um quadro diferente (pelo menos, segundo as classificações). A sua ação sobre o equilíbrio da serotonina seria exatamente o denominador comum entre ambas as situações clínicas.

Provavelmente o lítio, um metal leve, é o psicofármaco mais antigo, mais comum e mais conhecido na história da Psiquiatria. No começo do século XX tinha uso industrial e já em 1920 foi colocado, na forma de citrato, num refrigerante famoso por muitos anos, o Seven Up, como forma de induzir o prazer. Mas também foi retirado porque o excesso de prazer pode matar! (sic) Em 1910 foi usado na Gota, mas só em 1954 entrou na terapêutica psiquiátrica por intermédio de Schow, que descreveu os
seus efeitos sobre a mania psicótica, referindo-se a um outro pioneiro na área, John Cade. Em 1967, Baastrup e, novamente, Schow publicaram no Arch.Gen. Psych. um artigo que se tornou referência histórica - "Ação e propriedades profiláticas do lítio". Mas foi em 1970 que o FDA deu o seu aval técnico ao seu uso em determinados quadros psiquiátricos. A mania era a principal deles.

A professora doutora Alexandrina Maria Augusto da Silva Meleiro, do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, analisa os mais de 50 anos de emprego do lítio e comenta os seus aspectos particulares. Revê conceitos e atualiza o modo seguro de prescrever.

A leitura do seu artigo "O que há de novo no carbonato de lítio" permite atualizar os conhecimentos, reentender o seu mecanismo de ação e reaprender ou, pelo menos, a relembrar o seu uso terapêutico. A autora chega à conclusão de que muitas vezes é a falta de maior conhecimento, apesar de ser um produto já tradicional, que ainda não permite ao lítio ter o devido papel de destaque no receituário médico.

No artigo «Quetiapina XR ou IR - eis a questão! o Prof. Dr. Odeílton Tadeu Soares, Coordenador da Unidade de Ansiedade e Depressão do IPq-HCFMUSP discorre sobre a quetiapina, um antipsicótico atípico, considerada um dos fármacos como opção de primeira linha para a esquizofrenia, mania aguda, tratamento de manutenção do transtorno bipolar.

Será muito interessante a leitura deste artigo sobre as duas apresentações da quetiapina (XR e IR), pois elas diferenciam-se principalmente em função de suas propriedades farmacocinéticas e farmacodinâmicas, sendo que a XR pode ser utilizada uma vez ao dia, pois permite que haja quetiapina no plasma por um tempo mais prolongado ao longo de 24 horas. Dessa forma a quetiapina XR poderá ser utilizada em uma única dose ao dia, 3 horas antes do horário que o médico prescreve a IR e o paciente estará dormindo no mesmo horário.

Muitas coisas acima todos já conhecem, porém nada como recordá-las.