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Editorial
Os antidepressivos são todos diferentes: cada um tem o seu perfil próprio
Vladimir Bernik
Editor Científico. Coordenador da Equipe de Psiquiatria do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
RBM Set 15 V 72 N ESPECIAL H4
Especial Neuropsiquiatria

A ideia mais comum entre os médicos clínicos, mesmo entre alguns psiquiatras,é a de que os antidepressivos são todos iguais entre si. Não é verdade. Cada um tem um perfil próprio bem definido, específico e com desempenhos muito diferentes. Em face deste perfil específico de cada um, a sua prescrição é personalizada e cada um tem uma atuação melhor sobre alguns aspectos da depressão, da ansiedade e de alguns distúrbios de comportamento.

Na verdade, em linhas gerais, eles não se comparam entre si, não concorrem nas mesmas indicações e, portanto, não se canibalizam.Um médico preparado sabe, conforme a anamnese que vai sendo feita, qual o antidepressivo que vai usar em cada caso com o qual espera ter melhor resposta e, consequentemente, a maior satisfação do paciente em ver o seu quadro psiquiátrico cada vez melhor e mais rapidamente resolvido e controlado.

É interessante para todos os médicos conhecerem o perfil completo, indicações e contraindicações, de cada um. O modo de atuar quando é sobre um ou sobre dois neurotransmissores. Os duais, por exemplo. Faz toda a diferença no tratamento e no sucesso terapêutico e, portanto, sobre a mais rápida recuperação do paciente. A alegria do próprio - e de seus familiares, que sofrem junto -, do efeito sobre a dinâmica da vida pessoal, familiar e social do paciente é rapidamente observada por todos. E o paciente recuperando-se plenamente, o seu próprio desempenho no trabalho passa a ser melhor, principalmente nesta fase em que cada um procura valorizar mais o próprio emprego. E a boa atuação profissional sempre fez a maior diferença. Atualmente mais ainda.

Perfil

Conhecer detalhada e profundamente cada antidepressivo permite ao médico obter resultados positivos desde o início do tratamento, pois, antes mesmo de indicar a medicação correta, ele já estabeleceu mentalmente uma estratégia a ser seguida durante todo o tratamento. E após a escolha mais adequada, as melhoras do paciente, que ele próprio e seus familiares logo observam, resulta na satisfação de todos. Inclusive do próprio médico também interessado no sucesso da própria terapia estabelecida e programada. A recuperação permite a sua rápida reintegração social.

Portanto, dizer que todos são iguais não é uma realidade científica.

É mito. É falta de conhecimento que leva a enganos e atrasa a recuperação. Cria desconfiança nos pacientes e entre os seus familiares e aumenta o índice de questionamento quanto à real capacidade de ação dos medicamentos e da própria Psiquiatria em si.

Escitalopram e depressão

Existe um certo ufanismo atualmente quando se fala da depressão. De uma doença desconhecida, "mal do século" e "assassina silenciosa", ela se tornou muito conhecida a tal ponto de se considerar que quase todos os pacientes podem ser rapidamente controlados, com o mínimo de efeitos colaterais.

Este ufanismo, porém, é certo apenas em parte. O doutor Mário Francisco Juruena, mestre pela Unifesp-EPM e pela Universidade de Maastricht (Holanda) e PhD / doutor em Psiquiatria pela Universidade de Londres, em seu artigo - Depressão: escitalopram - eficácia e tolerabilidade superior frente aos demais antidepressivos, analisa alguns dados importantes quanto à realidade da doença depressiva.

O autor ressalta, por exemplo, que grande parte dos pacientes é resistente aos tratamentos resultando em 50% a 70%, mesmo em doses adequadas e tratados por tempo suficiente e correto.

Grande parte dos que obtiveram sucesso, 8 em cada 10 pacientes, apresentará uma ou mais recaídas no futuro.

Coube também a este autor ser um dos primeiros a mostrar uma visão mais abrangente do problema. Ao falar de "stress", que poucos comentam, ele mostra que este "stress" pode alterar o equilíbrio homeostático interno de uma pessoa, que resulta em respostas fisiológicas adaptativas incluindo o aumento do cortisol sérico. Após o 'stress' a depressão se inicia. E diz o autor "essa abordagem mostra que as causas, desenvolvimento e prognóstico dos transtornos são determinados pelas interações de fatores psicológicos, sociais e culturais com a bioquímica e a fisiologia. A bioquímica e a fisiologia não estão desconectadas e não diferem do restante das experiências e eventos da vida do indivíduo."

E falando do escitalopram, o autor ressalta o seu efeito ímpar de ação terapêutica desde o início, sendo, certamente, um dos mais seguros de todos os medicamentos disponíveis deste grupo.

O professor Marcus Vinicius Gemelli Minucci, professor titular da Faculdade de Medicina de Petrópolis e adjunto da Federal do Rio de Janeiro, em seu artigo Eficácia e segurança da venlafaxina comparada à duloxetina e aos inibidores seletivos de recaptação de serotonina no tratamento do transtorno depressivo: considerações sobre uma meta-análise, mostra o pequeno número de artigos falando da correlação de ambos os antidepressivos e menos ainda da duloxetina por si só, até por ter sido mais recentemente lançada.

Os poucos dados mostram ainda resultados nem sempre consistentes, mas pode-se chegar - desde já e por meio de estudos de comparação indireta - à conclusão de que 'a venlafaxina demonstrou maior eficácia que a duloxetina e tolerabilidade semelhante'.

Este artigo é um comentário quanto a uma meta-análise de 70 artigos produzida a partir do trabalho "A systematic review of duloxetine and venlafaxine in major depression - including unpublished data". Este trabalho foi feito pelos pesquisadores Schuyeler YB, Koesters M, Wieseler B, Grouven U, Kromp M, Kreis J, Becker T e Weinmann S.

Assim, os autores originais ressaltaram justamente a tolerabilidade igual entre ambos os fármacos, mas a eficácia terapêutica da venlafaxina aparece sobejamente comprovada em vários destes 70 trabalhos randomizados em artigos que serviram de base a esta meta-análise.

O tratamento do transtorno afetivo bipolar sempre foi e continua sendo um desafio para a Psiquiatria. Mesmo não sendo a doença mais prevalente nesta área, continua gerando estudos e mais estudos em busca de soluções cada vez melhores. Soluções que controlem as agitações das crises de mania e impeçam os quadros depressivos. Não só que controlem, mas também que evitem as sucessivas recaídas já que o TAB por si só é uma doença cíclica.

Desde o lítio de sempre até os antipsicóticos mais atualizados a evolução passa por fármacos antiepiléticos, todos usados isoladamente ou em combinação.

A lamotrigina é um desses antiepiléticos citados no parágrafo anterior, que existe na prática há mais de 20 anos, mas que recebeu a partir da década de 90 a difusão do seu uso pela contribuição de diferentes pesquisadores em trabalhos de alto impacto.

Coube à doutora Elza Márcia Targas Yacubian, professora adjunta livre docente do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), estudar a ação enzimática dos diferentes fármacos do grupo e se ater, especificamente, no mais moderno deles, a lamotrigina.

Atualmente a sua eficácia é amplamente reconhecida e o seu emprego no TAB cresce progressivamente. Estudando diferentes trabalhos, a autora constata que o seu melhor efeito é justamente na prevenção das recidivas de depressão. É justamente nesta fase da doença que existe o maior risco de suicídios.

Assim, saber controlar e prevenir as recidivas, principalmente as depressivas, é fundamental na melhora da qualidade de vida e na sobrevida destes pacientes. Uma função característica da lamotrigina.