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Editorial
Atualização de quadros clínicos muito importantes em Psiquiatra
Vladimir Bernik
Editor Científico. Coordenador da Equipe de Psiquiatria do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Depressão - Edson Shiguemi Hirata
Esquizofrenia - Itiro Shirakawa

RBM V 71 N ESP H1
Neuropsiquiatria

O Editorial de uma revista tem por finalidade apresentar superficialmente os artigos publicados em cada edição, ressaltando os pontos importantes de cada um, a fim de chamar a atenção do leitor para os mesmos.

Se bem que todos já são previamente selecionados por atender aos principais problemas na especialidade, abordando os aspectos diferentes de cada tema ou o mesmo tema ressalta novos dados que se somam aos que o médico já possui e chamam a sua atenção para uma revisão de conhecimentos, a atualização. Ou alertando quanto à importância de alguns tópicos.

Bem no início deste Editorial procurei chamar a atenção para os quadros clínicos abordados nesta edição por diferentes autores. E aqui procuro realçar alguns tópícos mais importantes em cada uma das áreas em estudo.
Uma recente experiência prática pessoal:

Dois pacientes, internados este mês (dezembro) no hospital em que trabalho, chamaram a minha atenção, confirmando o quase perpétuo problema da rejeição da Psiquiatria e dos médicos psiquiatras. Quando se trata de pessoas mais incultas, o caso é menos importante, mas - desta vez - um dos pacientes era um pastor com mais de 20 anos de pregação e o outro era um livre-docente de Engenharia da Poli, da USP, de São Paulo.

O primeiro quis expulsar do quarto o psiquiatra, que veio atendê-lo a pedido da sua equipe clínica, um simples trabalho de interconsulta. Irado gritou com o médico de que "jamais ele passaria com um psiquiatra, mesmo hospitalizado, por que durante toda a sua vida pastoral, há 20 anos, ele prega para os seus fiéis de que não há ´doenças da cabeça´. Estas são perturbações demoníacas (sic) e, que agora, depois de tanto tempo de pregar com plena convicção, não seria agora que mudaria sua opinião, mesmo que os seus médicos assistentes assim o quisessem". Em pleno século 21, era uma pessoa altamente culta e necessitada deste atendimento especializado com uma visão medieval. Não aceitou a participação do especialista. Não quero, nem de longe, dizer ser esta uma atitude comum dos evangélicos e muito menos de seus pastores. A maior parte não radicaliza tanto assim os seus preconceitos, mas existem, sim, os que assim o fazem.

O outro, um assistente da Politécnica da USP, foi extremamente cordial, mas disse que não aceitaria um tratamento psiquiátrico de apoio por que nada o psiquiatra poderia lhe dizer, que ele já não soubesse. Um arrogante intelectual, digo, intelectualoide. Também deixou de ser atendido. Aliás o serviço de saúde suplementar dele deve ter apreciado a sua postura, já que seria um especialista a menos a ser pago na conta final da sua internação. Uma economia.

Estes dois casos de Psicofobia mostram o quanto a rejeição continua imperando mesmo entre pessoas, digamos, aparentemente cultas. Se bem que titulação universitária e racionalidade de pensamento e absorção da modernidade do mundo não obrigatoriamente fazem parte da cultura profissional das pessoas.

O artigo "Estigma e Depressão" do professor Edson Shiguemi Hirata, diretor Clínico do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP, analisa a importância social e econômica de depressão nos dias de hoje. O contratempo pessoal e vivencial da mesma em seus pacientes e seu alto custo em face da sua cronicidade. Agravado pela falta de tratamento adequado pelo diagnóstico não feito ou por atraso do mesmo.

Esta situação faz da depressão uma das doenças mais invalidantes da medicina e sabe-se, por projeção de dados, que será - em 2030 - a segunda causa de invalidez no mundo.

A campanha contra a "Psicofobia" é a grande bandeira atual da ABP - Associação Brasileira de Psiquiatria, que está ganhando espaço na mídia e a médio prazo deverá começar a mudar as mentes deste país.

No campo da Esquizofrenia, uma das doenças psiquiátricas mais prevalentes no mundo e que mais pessoas atinge e retira do convívio familiar e social, o professor Itiro Shirakawa, doutor em Psiquiatria e professor titular da Escola Paulista de Medicina/Unifesp, analisa o uso da risperidona. Esta, entre os antipsicóticos, os atípicos ou assim chamados de segunda geração, foi a segunda a ser lançada no mercado (o primeira foi a clozapina). Ela tem um amplo uso geral tanto entre psiquiatras quanto, mesmo, entre os não especialistas mais bem informados. Seus resultados clínicos são facilmente obtidos, mas poucos são os especialistas que recorrem a dosagens descritas como as mais eficazes: 6 mg ao dia. Muitos médicos malpassam de 3 ou 4 mg e os seus resultados poderiam ser ainda melhores se alcançassem a dosagem que o professor Itiro Shirakawa mostra neste seu artigo, "O uso da risperidona na esquizofrenia".

A grande vantagem da risperidona é a sua excelente tolerância, permitindo que a maior parte dos pacientes em tratamento voltem às suas atividades com o mínimo de efeitos adversos indesejáveis. Um fator melhor que muitos similares do mesmo grupo, cujos efeitos colaterais limitam muito o seu emprego. Veja-se o clássico ganho de peso em pacientes sob olanzapina.

O Transtorno Bipolar sempre foi um grande desafio nos esquemas terapêuticos em Psiquiatria. Desde o tempo em que existia somente o litio e este vem sendo usado há mais de meio século, a Medicina luta por descobrir fármacos mais eficientes e, principalmente, mais seguros, dotados de administração mais fácil e de menos efeitos colaterais. E depois vem ainda os valproatos. O lítio é a referência no tratamento do TAB, por sua ampla cobertura de ação em todas as fases e ainda com neuroproteção e efeito antissuicídio único efetivamente comprovado.

Estes dois temas que compõem esta edição, de autoria de grandes nomes da Psiquiatria, são de grande relevância para a classe médica psiquiátrica.