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Editorial
Analisar conhecimento sobre depressão e firmar conceitos sobre a memantina e lamotrigina são os tópicos do mês
Vladimir Bernik
Editor Científico. Coordenador da Equipe de Psiquiatria do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

RBM Out 14 V 71 n esp h2
Neuropsiquiatria

Indexado LILACS LLXP: S0034-72642014016800001

Em alguns editoriais anteriores analisávamos as características de alguns medicamentos disponíveis em nosso mercado farmacêutico. As observações dos seus autores eram bem-feitas, pertinentes e, nestes Editoriais, procurávamos ressaltar as vantagens e as limitações de cada produto analisado.

A depressão também já foi objeto de diversos comentários principalmente quando os autores dos artigos procuravam conceituar as características desta "doença dos dois séculos", deste e do anterior. Muito se aprendeu com a contribuição de diferentes colaboradores quanto aos aspectos médicos da doença e hoje as suas bases fisiopatológicas são de conhecimento geral, pelo menos entre os psiquiatras. Neste ponto, a Edição Neuropsiquiatria da Revista Brasileira de Medicina trouxe uma sensível contribuição.

Contudo resta uma pergunta: 'será que todos os médicos conhecem a depressão, as suas características, quadro clínico e os diferentes tratamentos disponíveis?" Espera-se que sim. Mas não é verdade.

Segundo estudos da OPAS, pelo menos na América Latina, somente 38% dos psiquiatras entrevistados com um cartão com dez perguntas básicas sobre diagnósticos (principalmente em fases iniciais) e tratamento dentro dos parâmetros corretos (escolha dos antidepressivos certos e seu tempo de latência, por exemplo) conseguiram responder a cinco perguntas corretamente e apenas 21% responderam a sete perguntas. Nenhum respondeu a todas corretamente.

Se isto ainda acontece entre psiquiatras, qual será a situação dos clínicos e médicos de outras especialidades? Provavelmente os percentuais seriam ainda mais chocantes. Principalmente considerando-se que o diagnóstico prematuro e tratamento correto são essenciais para que esta doença seja menos invalidante que nos dias de hoje.

Mas e o grande público? O público leigo. Mitos como achar que a doença não existe, que é simulação, frescura das elites, que trabalho cura, que os pastores expulsam os demônios e o paciente melhora, além de que psicólogos curam "sem os detestados remédios dos psiquiatras" ou que "a força de vontade" resolve qualquer problema depressivo, já que depressão nem doença é.

O doutor Edson Shiguemi Hirata, diretor clínico do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, debruça-se sobre os estudos de pesquisa a respeito da depressão vista pelo grande público e constata a desinformação do grande público quanto aos tratamentos da depressão, segundo uma pesquisa do Data Folha.Trata-se do Projeto PANDORA, que será todo ele publicado em três edições desta revista.

Por exemplo, ouvidas 222 pessoas, 44% demoraram mais de seis meses para procurar um médico. Três em cada dez pacientes (30%!) não aceitavam tomar remédios. Na verdade só 27% dos pacientes tiveram melhora no primeiro mês e 71% demoraram mais de um mês.
Mas, toda história tem um final feliz: só 9% dos pacientes demonstraram insatisfação com o tratamento. Não está escrito, mas subentende-se que 91% deles apreciaram o tratamento, ou seja, teve sucesso.

Num outro artigo, aqui comentado, mostramos como um grupo de investigadores chineses conduziu um excelente trabalho para determinar o efeito dos medicamentos usados na DA, tanto os inibidores da colinesterase, quanto a memantina, cuja forma de ação é toda própria. Meticulosamente eles usam uma moderna metodologia de pesquisa científica e, num trabalho coberto de cálculos estatísticos e de planilhas e gráficos, chegam a algumas conclusões ímpares, algumas já conhecidas por todos nós, outras nem tanto, mas nunca nenhuma comprovação estatisticamente tão bem conduzida com uma metodologia de seleção de artigos para esta ampla meta-análise, foi tão conclusiva.

Segundo os autores desta meta-análise, todos estes medicamentos estabilizam ou até fazem declinar avanço da DA, mas em termos de eficácia dois se destacam, a donepezila, em doses de 10 mg ao dia, e a memantina em sua dose mais comum de 20 mg ao dia. A memantina é a única que não apresentou reação colateral, efeito adverso ou intolerância significante, sendo, consequentemente, a mais segura de todos. E, principalmente, numa faixa etária em que a segurança é essencial pela vulnerabilidade destes pacientes e pelo longo tempo de evolução do tratamento da DA.

O uso da lamotrigina um agente de 1a. linha para episódios agudos e para tratamento de manutenção da depressão bipolar, que é uma das mais recentes indicações aprovadas deste anticonvulsivante, pertencente à classe das feniltriazinas, possui um mecanismo de ação diferente dos demais anticonvulsivantes, tornando os seus resultados altamente significantes e, ao mesmo tempo, oferecendo níveis de segurança e tolerância não encontrados em medicamentos mais antigos.

Este estudo foi conduzido pelo doutor Márcio Gerhardt Soeiro-de-Souza, PhD, doutor pela Faculdade de Medicina da USP e membro do Programa de Transtornos Afetivos (GRUDA) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.