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Editorial
Mudança na prevalência de algumas doenças mentais
Vladimir Bernik
Editor Científico
RBM Ago 14 V 71 n esp h1
Neuropsiquiatria

Indexado LILACS LLXP: S0034-72642014016700001

Os porcentuais de prevalência em algumas doenças mentais vem apresentando, durante os últimos anos, números cada vez mais diferentes. Mas nunca para menos. Sempre para mais.

Aparentemente são simples discrepâncias entre as fontes consultadas. Contudo, quando realmente paramos para pensar, notamos que os aumentos da evolução das prevalências acompanham alguns parâmetros. E estes aumentos têm uma lógica toda própria.

Vamos examinar inicialmente o que acontece com o aumento dos porcentuais dos quadros degenerativos do sistema nervoso central. De todos e não somente de Alzheimer. Cada vez mais pessoas idosas apresentam problemas cognitivos progressivos, algumas com início já bastante precoce.

Nestes casos se explica que em todas as épocas da história da Medicina, ou da Humanidade, um porcentual de pessoas apresentava demências, mas o número era muito inferior ao que se apura atualmente. Cada vez mais pessoas se deparam com quadros degenerativos, causando problemas aos próprios pacientes, aos seus familiares e cuidadores e onerando os custos dos sistemas de saúde.

Um dos motivos claros é o aumento da sobrevida média da população, trazendo embutido o aumento das doenças próprias destas faixas etárias. As doenças degenerativas são um exemplo disso. Este é o motivo pelo qual se intensificam os cuidados dispensados ao idoso e cada vez mais fármacos são oferecidos à classe médica.

No comentário sobre o artigo artigo Memantine improves attention and episodic memory in Parkinson's disease, dementia and dementia with Lewy bodies, de Wesnes, Aarsland, Balland e Londos, publicado em 14 de abril deste ano on line pelo Int.J.Geriatr Psychiatry, feito pelo doutor Francisco A.C. Vale, professor adjunto de Neurologia da Universidade Federal de São Carlos, ressalta-se o papel da memantina no controle dos sintomas das demências e, neste caso, particularmente de Alzheimer.

Considerando-se o alto nível das limitações que estes pacientes sofrem, torna-se claro que o alívio ou o retardamento da evolução das doenças degenerativas irá trazer um avanço substancial na terapêutica nesta faixa etária, que aumenta a cada ano.

Um fenômeno a ser estudado ainda é o progressivo crescimento da incidência da depressão nas mais diversas faixas etárias. Algo muito mais substancial que a simples melhora do reconhecimento da doença e aperfeiçoamento do seu diagnóstico, que também é fundamental. Mas só este dado não explica que, em 2030, segundo projeções da OMS, a depressão maior será a doença mais prevalente na população, ultrapassando as cardiopatias, as doenças neoplásicas em geral e as endócrinas, mesmo considerando-se o crescimento endêmico dos índices de obesidade no mundo.

Mais uma vez se percebe o quanto é importante ir ressaltando os tratamentos da depressão. A terapêutica com venlafaxina, um antidepressivo dual bastante único, foi estudado pela doutora Denise Razzouk, professora doutora do Departamento de Psiquiatria da Unifesp e titular de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade Metropolitana de Santos, em seu trabalho "Venlafaxina e interações medicamentosas".

Neste estudo se mostra o forte efeito serotoninérgico e um bom desempenho dopaminérgico deste antidepressivo bastante polivalente. Apesar de haver antidepressivos de efeitos muito similares, a venlafaxina, além do fator de custos, principalmente, considerando-se os tratamentos a longo prazo, ela oferece em alguns aspectos melhor e mais diferenciado desempenho que os demais fármacos usados na mesma categoria. A extensa bibliografia do trabalho aqui publicado fornece as bases das colocações teóricas.

Já nos detivemos aqui também para estudar o papel inovador da lamotrigina, um estabilizador de humor, no controle dos quadros bipolares e epiléticos, mas com a grande vantagem de não levar a ganho de peso corpóreo.

O trabalho da professora Elza Márcia Targas Yacubian, livre-docente adjunta da Neurologia e Neurocirurgia da Unifesp, "Lamotrigina - um estabilizador do humor que não modifica o peso corpóreo", ressalta as vantagens nas epilepsias e no TB. Trata-se de um medicamento cujo principal mecanismo de ação é a inibição da liberação do glutamato sódio-dependente justamente pelo bloqueio destes canais de sódio.

A vantagem em relação aos demais estabilizadores de humor resulta em sua maior segurança, um leque de ação maior e pelo não ganho de sobrepeso, comum a vários outros estabilizadores com ação antiepilética e de controle sobre o TB.

Considerando-se que tanto a epilepsia quanto o TB são doenças com tratamento a longo prazo, qualquer ganho adicional de vantagens representa melhor qualidade de vida para estes pacientes.

Finalmente, nesta edição apresentamos também um editorial, de minha autoria, falando do próximo Congresso Brasileiro de Psiquiatria, o trigésimo segundo, a realizar-se em Brasília, em outubro deste ano. Os inúmeros trabalhos de autores nacionais inscritos mostra a força da Psiquiatria brasileira.

A presença de ilustres nomes da Psiquiatria mundial vem trazer a todos nós uma visão ainda mais ampla sobre alguns dos principais tópicos da especialidade nos dias de hoje.

E o slogan "Orgulho de ser Psiquiatra", lançado em 2010 pela ABP, em Natal, mostra que a luta contra preconceitos, por pouco entendimento desta especialidade ainda nos dias de hoje, mesmo no campo da saúde, já está em seu segundo ano e recebendo cada vez mais adesões.

Inclusive a minha.