Home Busca Avançada Normas de Publicação Assinaturas Fale Conosco
Contact Us
 
 

 

CopyRight
Moreira Jr Editora
Proibida a reprodução sem autorização expressa


 
sêlo de qualidade
Like page on Facebook



Tema do Mês
Alimentação nos primeiros anos de vida: o advento dos alimentos industrializados
Feeding in the first years of life: the advent of industrialized foods


Maysa Helena de Aguiar Toloni
Nutricionista. Doutora em Pediatria e Ciências aplicadas à Pediatria pela Universidade Federal de São Paulo, Departamento de Pediatria, Disciplina de Nutrologia.
Giovana Longo-Silva
Nutricionista. Doutora em Pediatria e Ciências aplicadas à Pediatria pela Universidade Federal de São Paulo, Departamento de Pediatria, Disciplina de Nutrologia. Professora na Universidade Federal de Alagoas - Maceió - AL.
Rita Maria Monteiro Goulart
Nutricionista. Doutora em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública - USP. Professora na Universidade São Judas Tadeu.
José Augusto de Aguiar Carrazedo Taddei
Professor associado da Universidade Federal de São Paulo, Departamento de Pediatria, Disciplina de Nutrologia.
Endereço para correspondência: Maysa Helena de Aguiar Toloni. Rua Loefgreen, 1.647 - Vila Clementino - CEP 04040-032 - São Paulo - SP - Telefax: (11) 5084-4538 - E-mail: maysatoloni@yahoo.com.br 

© Copyright Moreira Jr. Editora.
Todos os direitos reservados.

Pediatria Moderna Abr 14 V 50 N 4
págs.: 155-161

Indexado LILACS LLXP: S0031-39202014006800001

Unitermos: alimentos industrializados, nutrição do lactente, creches, hábitos alimentares.
Unterms: industrialized foods, infant nutrition, child day care centers, eating habits.

Resumo

Objetivo: Compilar e debater a introdução de alimentos industrializados na dieta infantil. Fontes de dados: Artigos científicos nas bases de dados eletrônicas Medline e SciELO, nos últimos anos, nas línguas portuguesa, inglesa e espanhola, utilizando os descritores "alimentos industrializados", "nutrição do lactente", "creches" e "hábitos alimentares". Também foram consultados textos recentes, livros e artigos considerados relevantes para realização desta revisão. Síntese dos dados: O artigo aborda estudos que avaliam a alimentação infantil, principalmente no que se refere à introdução dos alimentos industrializados. Conclusões: Medidas educativas e preventivas devem ser propostas para a formação de hábitos alimentares saudáveis desde a infância, além da criação de campanhas abrangentes e efetivas que estimulem a escolha de alimentos apropriados para a faixa etária, considerando-se os fatores culturais, comportamentais e afetivos envolvidos com a alimentação.

Introdução

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde (MS) recomendam o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida e sua manutenção até os dois anos de idade ou mais, juntamente com a inclusão, de forma lenta e gradual, de alimentos complementares (SBP, 2008; Brasil. Ministério da Saúde, 2009a; WHO, 2009).
Os benefícios do leite materno como o melhor alimento nos primeiros anos de vida são inquestionáveis e dão continuidade à nutrição iniciada na vida intrauterina (Saldiva et al., 2007; Corrêa et al., 2009; Brasil. Ministério da Saúde, 2009a).

No Brasil, em meados de 1960, na medida em que são descobertos e comercializados os substitutos do leite materno, houve considerável declínio dos índices de aleitamento materno. A partir da década de 1980 se intensificaram as ações voltadas ao resgate dessa prática, porém, apesar do aumento das taxas, a prevalência e duração do aleitamento materno ainda estão longe de serem ideais (Rinaldi et al., 2008; Novaes et al., 2009).

A despeito das recomendações e dos programas desenvolvidos nas últimas décadas com o intuito de combater o abandono precoce do aleitamento materno, sua prevalência permanece elevada, segundo mostram os dados nacionais. De acordo com a II Pesquisa de Prevalência de Aleitamento Materno nas Capitais Brasileiras e Distrito Federal, a estimativa de duração mediana do aleitamento materno no conjunto das capitais brasileiras foi de 341,6 dias (11,2 meses) (Brasil. Ministério da Saúde, 2009b; Castro et al., 2009; Barbosa et al., 2009).

O leite materno, isoladamente, é capaz de suprir as necessidades nutricionais de uma criança até o sexto mês de vida; porém, após esse período deve ser complementado com alimentos adequados para atender aos novos requerimentos nutricionais da criança (Escobar et al., 2002; Parada et al., 2007; WHO, 2009).
Entende-se por alimentos complementares quaisquer alimentos nutritivos, sólidos ou líquidos, oferecidos à criança em adição ao leite materno. Trata-se de alimentos preparados especialmente para a criança ou aqueles alimentos que são consumidos pela família e modificados para atender às necessidades da criança nesse período. Estes alimentos devem ser bem cozidos, com pouco tempero, sendo sua consistência modificada (amassada, desfiada, picada) e devem estar em consonância com as características anatômicas e fisiológicas da criança, de forma a facilitar sua aceitação (Gomes, 2005; Brasil. Ministério da Saúde, 2006; SBP, 2008; Simon et al., 2009).

Antigamente os alimentos complementares eram chamados de "alimentos de desmame", expressão atualmente preterida pelo termo "alimentação complementar", uma vez que este expressa o seu real significado, ou seja, a ingestão de novos alimentos não implica na parada total e imediata da amamentação, e sim em complementá-la, já que o leite materno não supre mais todas as necessidades nutricionais da criança após o sexto mês de vida (Gomes, 2005; SBP, 2008; Corrêa et al., 2009).

As necessidades nutricionais durante o primeiro ano de vida variam de acordo com os padrões individuais de crescimento e desenvolvimento. Em adição, atenção especial deve ser dada ao consumo adequado de nutrientes que mantenham as defesas imunológicas e uma sobrevida saudável. A introdução de alimentos sólidos deve ocorrer paralelamente às mudanças no desenvolvimento do sistema nervoso central e à medida que o sistema gastrointestinal amadurece e se torna capaz de metabolizar seus componentes, permitindo à criança aceitar e lidar com a introdução dos novos alimentos (Sprydes et al., 2005; Valle & Euclydes, 2007).

Nessa perspectiva, o período de transição para a dieta da família, entre 8 e 24 meses, é crítico, em função da variedade de texturas, consistências, sabores e cores, quando a criança, gradativamente, vai desenvolvendo o paladar. Durante esse período de transição os pais e cuidadores devem continuar oferecendo alimentos adequados, variados e saudáveis, em diferentes formas apropriadas às crianças, sem forçar ou obrigá-las a comer diante da recusa (Fox et al., 2004; Briefel et al., 2004).

Cabe ressaltar que a decisão materna em relação à introdução e à escolha dos alimentos complementares nem sempre está em consonância com as recomendações das sociedades científicas nacionais e internacionais sobre saúde e alimentação de crianças menores de dois anos. As mães têm dificuldade em acreditar que o leite materno é suficiente para satisfazer as necessidades hídricas e energéticas do bebê (Salve & Silva, 2009; Chuproski, 2009).

Apesar da reconhecida importância do aleitamento materno exclusivo, a alimentação complementar continua sendo introduzida precocemente. Segundo diversos autores, o abandono precoce da amamentação está associado a fatores como desconhecimento pela mãe das vantagens do leite materno, falta de experiência anterior, idade materna, aquisição de mamadeiras e chupetas, insucesso familiar na prática da amamentação, dificuldades técnicas no ato de amamentar, doenças na mama, causas relacionadas com o lactente, despreparo dos profissionais de saúde para orientar as mães, o marketing dos leites industrializados, a emancipação da mulher e sua inserção no mercado de trabalho, entre outros (Black et al., 2001; Gomes, 2005; Barbosa et al., 2009).

Do ponto de vista nutricional, a introdução precoce de alimentos é desvantajosa, pois diminui a duração do aleitamento materno, interfere na absorção de nutrientes importantes do leite humano, aumenta o risco de contaminação e de reações alérgicas. Por outro lado, a introdução tardia de alimentos também é desfavorável, à medida que não atende às necessidades nutricionais da criança e leva à desaceleração do crescimento, aumentando o risco de desnutrição e de deficiência de micronutrientes (Khaldi & Bouguerra, 2000; Monte & Giugliani, 2004).

Dessa forma, a adequação nutricional dos alimentos complementares é fundamental na prevenção de morbimortalidade na infância, incluindo os desvios nutricionais, como desnutrição, anemia e sobrepeso (Bussato et al., 2006; Simon et al., 2009).

Em longo prazo, as práticas de alimentação complementar inadequadas podem ter impacto negativo na saúde da criança, estando associadas a comportamentos não saudáveis de alimentação posterior, através do efeito cumulativo de alterações que se iniciam precocemente na vida, resultando em morbidade anos depois, além da criação de hábitos alimentares que promovem práticas dietéticas indesejáveis, contribuindo para problemas de saúde (WHO, 2005; Grummer-Strawn et al., 2008; Corrêa et al., 2009).

Estudos recentes confirmam que o aumento da obesidade em lactentes pode ser resultado do abandono precoce e incorreto do aleitamento materno, de erros alimentares nos primeiros anos de vida, presentes, principalmente, nas subpopulações urbanas, as quais substituem a amamentação pela alimentação com excesso de carboidratos, açúcares e gorduras, em quantidades superiores às necessárias para o crescimento e desenvolvimento ideais da criança (Batista Filho et al., 2008; Coutinho et al., 2008).

Sendo assim, a família é considerada responsável pela formação do hábito alimentar da criança por meio do aprendizado social, representando os primeiros educadores nutricionais. Neste cenário, a creche também exerce importante papel no processo de formação de hábitos alimentares dessas crianças, além de poder ser incentivadora à manutenção do aleitamento materno (Valle & Euclydes, 2007; Shimabukuro et al., 2008; Rossi et al., 2008; Barbosa et al., 2009).

No entanto, a instituição creche é, em geral, considerada fator de risco para o abandono precoce do aleitamento materno das crianças institucionalizadas. As recomendações sobre amamentação e alimentação complementar ainda não são conhecidas pela família, cuidadores e mesmo por alguns profissionais de saúde. Delegar os cuidados alimentares de seus filhos a uma determinada instituição, sem que conheçam ou tenham participação na rotina alimentar e na composição do cardápio cotidiano, cria o que é chamado atualmente de terceirização do cuidado da criança. Na impossibilidade dos pais e familiares oferecerem os cuidados aos lactentes, o desejável seria que a frequência à creche fosse postergada o máximo possível e que, quando ocorresse, fosse feita de forma integrada e colaborativa entre cuidadores/ educadores e familiares (Shimabukuro et al., 2008; Barbosa et al., 2009; Filho, 2009).

Ainda, no ambiente familiar, é fundamental que os pais participem ativamente das escolhas alimentares de seus filhos desde a primeira infância, no preparo das refeições, realizadas à mesa, tornando o momento prazeroso à criança e familiares. Durante o desenvolvimento neuropsicomotor, as figuras materna e paterna são tidas como referenciais a serem seguidos e imitados; sendo assim, as escolhas alimentares da família influenciam nos alimentos oferecidos à criança, sendo estes adequados ou não, na dependência de que a alimentação dos próprios pais seja condizente com o consumo saudável de alimentos (Fox et al., 2004; Valle & Euclydes, 2007; Pontes et al., 2009).
Diante das práticas alimentares inadequadas na infância e da importância da alimentação nos primeiros anos de vida, o Ministério da Saúde (MS) elaborou, juntamente com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em 2002, recomendações expressas em Dez Passos para uma Alimentação Saudável: Guia Alimentar para Crianças Menores de Dois Anos (Brasil. Ministério da Saúde, 2010; 2006).

Neste sentido, o Guia Alimentar auxilia profissionais de saúde a promoverem práticas alimentares adequadas, sendo um ícone de escolha para representar a alimentação saudável para a população infantil brasileira. Além disso, os guias alimentares para menores de dois anos são instrumentos educativos, que refletem de forma prática e operacional o conhecimento científico atual sobre requerimentos nutricionais e alimentação infantil, constituindo-se em valioso subsídio para o planejamento e execução de programas de alimentação e nutrição (Vitolo et al., 2005; Brasil. Ministério da Saúde, 2006).

O oitavo passo do Guia Alimentar para crianças menores de dois anos recomenda evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas nos primeiros anos de vida e, ainda, usar sal com moderação (Brasil. Ministério da Saúde, 2002). Nesse sentido, é relevante a avaliação das práticas alimentares nessa faixa etária, com o intuito de identificar a adequação a essa recomendação.

A transição nutricional e a dieta infantil

Historicamente se observam profundas transformações no consumo de alimentos determinadas pela evolução social e tecnológica proveniente do modo de produção capitalista. As práticas alimentares, compreendidas desde a amamentação até alimentação cotidiana da família, são determinadas por conhecimentos, vivências e experiências construídas a partir das condições de vida, da cultura das redes sociais e do saber científico de cada época histórica e cultural e fazem parte da identidade da própria comunidade ou sociedade (Rotenberg & De Vargas, 2004; Silveira & Taddei, 2009).

Em consequência à crescente modernização e urbanização, as transformações ocorridas no Brasil estão associadas a mudanças no estilo de vida e nos hábitos alimentares da população, sendo estas mudanças consideradas como favorecedoras do desenvolvimento das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). Houve rápida mudança no consumo alimentar, com elevada ingestão de gordura saturada, açúcar, alimentos processados e menor teor de fibras. Além disso, a urbanização e a industrialização criaram um ambiente com reduzida prática de atividade física, devido à disponibilidade dos meios de transporte e utensílios domésticos que diminuem o gasto energético, além da exposição excessiva a televisão, jogos eletrônicos, computadores e serviços de pronta entrega em domicílio (WHO, 2005; Bracco et al., 2006; Schmitz et al., 2008; Rossi et al., 2008).

O conceito de transição nutricional corresponde a essas mudanças dos padrões nutricionais, correlacionado com modificações do estilo de vida e determinada pela inter-relação dos fatores econômicos, demográficos, sociais e culturais ocorridos na sociedade e relacionados com a saúde. Esta, por sua vez, integra-se à transição epidemiológica caracterizada pela coexistência da redução da mortalidade por desnutrição e doenças infecciosas e prevalência crescente de excesso de peso, contribuindo com o aumento das DCNT (Tardido & Falcão, 2006; Saldiva et al., 2007; Rinaldi et al., 2008; Coutinho et al., 2008).

Neste cenário, observa-se nos últimos anos que a prevalência da obesidade vem crescendo em países desenvolvidos e em desenvolvimento e em variadas faixas etárias, inclusive na pediátrica. O estilo de vida atual, resultante deste conjunto de fatores, associado a inserção da mulher no mercado de trabalho, violência nas grandes cidades, aumento da carga horária escolar, refeições fora do domicílio, ausência dos pais nas refeições, entre outros, podem contribuir para o aumento da obesidade e das doenças a ela associadas, como dislipidemia, hipertensão e diabetes, com sérias repercussões na saúde da população infanto-juvenil e na vida adulta (Barreto & Cyrillo, 2001; Simon et al., 2009).

Paralelamente, na infância outros fatores, como o abandono precoce do aleitamento materno e a introdução de alimentos altamente calóricos desde o início da vida, atuam de forma sinérgica. Além disso, crianças e jovens têm cada vez menos espaços gratuitos para praticar atividades físicas e incorporam formas de lazer sedentárias, como computadores e televisão. As refeições rápidas e fora de casa, compostas por refrigerantes, salgadinhos, sanduíches e biscoitos recheados, substituíram arroz, feijão, carne e hortaliças e até mesmo a merenda escolar. Estabeleceu-se, dessa forma, um antagonismo de tendências temporais entre desnutrição e obesidade, definindo uma das características marcantes do processo de transição nutricional (Bracco et al., 2006; Saldiva et al., 2007; Claro et al., 2007; Batista Filho et al., 2008; Silveira & Taddei, 2009).
Dados do Estudo Nacional da Despesa Familiar (ENDEF/1974-1975) e da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) realizados em quatro períodos (1987-1988, 1995-1996, 2001-2003 e 2008-2009) elucidam algumas tendências temporais da alimentação no país. Entre elas, destacam-se o alto consumo de açúcar, consumo muito baixo e insuficiente de frutas e hortaliças e consumo exagerado de gorduras totais e saturadas em todas as classes de renda familiar. Houve grande expansão na disponibilidade de alimentos industrializados, que registraram aumento de 500% para os doces, 300% para os refrigerantes e 400% para os biscoitos e bolachas, itens praticamente inexistentes nas prateleiras dos supermercados na década de 1970 (Barreto & Cyrillo, 2001; Domene, 2007; Claro et al., 2007; Rinaldi et al., 2008).

Além do mais, do ponto de vista cultural, a substituição crescente da refeição da família, completa e balanceada, pelo fast-food, com determinante incentivo da mídia comercial e pouco científica, vem confundindo o comportamento alimentar das crianças, aumentando assim o consumo de gorduras saturadas, açúcares e refrigerantes, em detrimento do consumo de carboidratos complexos, frutas e hortaliças (Domene, 2007).

Diante desse contexto, avaliar as práticas alimentares das crianças é de primordial importância, em face da relevância da composição da dieta infantil para a manutenção do estado nutricional adequado, pois doenças carenciais, como anemia ferropriva, deficiência de vitamina A e desnutrição estão epidemiologicamente associadas a essa faixa etária. Por sua vez, hábitos alimentares errôneos contribuem para o incremento de sobrepeso e obesidade em crianças mais precocemente, acarretando comprometimento do desenvolvimento infantil. A introdução alimentar inadequada pode antecipar doenças da fase adulta, como hipertensão e diabetes tipo 2, ou aumentar o risco para o posterior aparecimento de doenças cardíacas, osteoporose e câncer (Philippi, 2002; Skinner et al., 2004; WHO, 2005; Batista Filho et al., 2008; Rossi et al., 2008).


Os alimentos industrializados

Apesar da inexistência de recomendações específicas quanto à quantidade e frequência do consumo de alimentos industrializados na dieta infantil, sabe-se que devem ser desencorajados nos primeiros anos de vida, devido às fortes evidências de que sua ingestão continuada e excessiva promove o desenvolvimento precoce das DCNT. Segundo alguns estudos, esse consumo pode ser influenciado por fatores como renda familiar, idade e escolaridade materna (Oliveira et al., 2005; Del Rea et al., 2005; Hendricks et al., 2006; Silveira & Taddei, 2009).

Os estudos pontuais recentes são unânimes em demonstrar alta prevalência no consumo precoce de alimentos industrializados, ao avaliar as práticas de alimentação nos primeiros anos de vida. Entre os alimentos mais consumidos estão os leites industrializados, as farinhas lácteas, biscoitos recheados, achocolatado, iogurte, suco industrializado e macarrão instantâneo (Tonial, 2002; Vitolo & Bortolini, 2004; Pena et al., 2007; Brasil. Ministério da Saúde, 2009b).

Resultados semelhantes foram encontrados em estudo internacional denominado FITS - Feeding Infants and Toddlers Study, que avaliou o consumo alimentar de crianças de 4 a 24 meses no ano de 2002. O consumo de alimentos de sabor doce e de bebidas açucaradas foi evidente entre os quatro e cinco meses. De sete a oito meses de idade, 46% haviam consumido algum tipo de sobremesa, doces ou bebidas açucaradas. Crianças com até sete meses de vida apresentaram padrões alimentares que têm sido observados em crianças mais velhas e adultos. A batata frita foi o vegetal mais comumente consumido por crianças de 9 a 11 meses (Fox et al., 2004; Mennella et al., 2006).

Estudo recente realizado nos Estados Unidos pela Food and Drug Administration (2005-2007) sobre as práticas alimentares na infância encontrou que até um ano de idade cerca de 50% dos bebês estavam consumindo batata frita, doces, biscoitos e bolo, alimentos ricos em açúcar e gorduras (Grummer-Strawn et al., 2008).

Pesquisadores norte-americanos se reuniram em 2003 em conferência para discutir a prevenção da obesidade infantil e concluíram que as práticas alimentares estão mudando, de maneira a predispor à obesidade, uma vez que refrigerantes e batata frita são alimentos oferecidos para crianças com até sete meses de idade (Ness et al.,2004).

A indústria alimentícia investe fortemente na divulgação de produtos de alta densidade energética para crianças e adolescentes, os quais os incorporam em suas dietas e tendem a manter-se como consumidores fiéis a esses hábitos de consumo por longos períodos, transmitindo-os para seus filhos. Embora sejam alimentos potencialmente causadores de obesidade, esses produtos geralmente surgem nas propagandas associados à saúde, beleza, bem-estar, juventude, energia e prazer. Acredita-se que crianças nascidas após os anos 80 estão sendo mais expostas aos efeitos nocivos da transição nutricional, com maiores riscos de apresentar DCNT associadas à obesidade e ao sedentarismo (ANVISA, 2006; Tardido & Falcão, 2006; Costa et al., 2008; Pontes et al., 2009).

A exposição frequente às propagandas veiculadas na televisão exerce grande influência sobre os hábitos alimentares, além de promover o sedentarismo. Diante da televisão, uma criança pode aprender concepções incorretas sobre o que é um alimento saudável e o hábito de assisti-la está diretamente relacionado com pedidos, compras e consumo de alimentos anunciados. Uma vez que a maioria possui elevados teores de gorduras, óleos, açúcares e sal, contribuem para mudança nos hábitos alimentares das crianças e agravam o problema da obesidade na população (Almeida et al., 2002; Wiecha et al., 2006; Temple et al., 2007; Ansaloni, 2008).

Alguns estudos citam a influência da publicidade sobre a confiança que as mães depositam nos produtos apresentados nos comerciais, principalmente devido à falta de conhecimento e desinformação. Nesse contexto, Almeida e colaboradores (2002) avaliaram 1.395 anúncios de produtos alimentícios veiculados na televisão e encontraram que cerca de 60% estão no grupo da pirâmide alimentar representado por gorduras, óleos, açúcares e doces, além da ausência de publicidade para frutas e hortaliças (Barreto & Cyrillo, 2001; Almeida et al., 2002; Spinelli et al., 2003; Rotenberg & De Vargas, 2004).

Nesse sentido, parece evidente que a presença da televisão no cotidiano das crianças brasileiras tem substituído experiências importantes para seu desenvolvimento, como o fortalecimento dos laços familiares e a criação de vínculos sociais. Portanto, é imprescindível a criação de ações que estimulem uma dieta equilibrada para toda a família, associada a brincadeiras e atividades físicas, com estratégias de lazer atraentes e prazerosas em substituição à televisão, ao computador e ao consumo de dietas pouco saudáveis (Almeida et al., 2002; Skinner et al., 2004; Linn, 2006).

Em relação aos produtos industrializados, alguns autores apontam que existe uma valorização desses alimentos pela população menos favorecida, demonstrada pela adesão ao consumo e pelo desejo de inseri-los na dieta da família. No entanto, isso pode representar um ideal de afirmação para si mesma e para seus iguais de que ela também pode consumir o que é simbolicamente positivo, além da busca de status que esses alimentos podem trazer para as famílias de baixo poder aquisitivo (Tonial, 2002; Romanelli, 2006; Chuproski, 2009).

No entanto, apesar de tais alimentos serem considerados pelas famílias inadequados às crianças, devendo ser consumidos esporadicamente, também aparecem associados à dimensão simbólica em oferecer o que não é fundamental para a alimentação dos filhos em demonstração de afeto e de socialização, mesmo que esse consumo signifique privação de outros bens, uma vez que esses alimentos são, em sua maioria, caros, apesar de serem considerados saborosos e acarretarem graves repercussões para a saúde atual e futura das crianças, quando consumidos rotineiramente (Rotenberg & De Vargas, 2004; Romanelli, 2006; Chuproski, 2009).

Nesta perspectiva, o consumo de alimentos de alta densidade energética, com elevados teores de açúcar e gorduras ou excessivamente ricos em sódio, tem se ampliado tanto em países desenvolvidos quanto nos países em desenvolvimento. Consequentemente, os índices de prevalência de obesidade e DCNT associadas à dieta têm se elevado em ritmo acelerado, inclusive entre as crianças. Tais doenças impõem altos custos tanto aos Sistemas de Saúde quanto ao bem-estar e qualidade de vida dos indivíduos. Estima-se que os gastos do Ministério da Saúde com atendimentos ambulatoriais e internações em função das DCNT sejam de aproximadamente R$ 7,5 bilhões por ano (Sichieri & Nascimento, 2006; Claro et al., 2007; Coutinho et al., 2008; Bernardon et al., 2009).

Diante desse contexto, verifica-se a necessidade da promoção de estilo de vida mais saudável desde a infância, uma vez que do ponto de vista nutricional, a introdução, tanto precoce quanto tardia, de alimentos pode ser prejudicial à criança, afetando seu estado nutricional e instituindo hábitos alimentares inadequados. Além disso, a introdução precoce de alimentos industrializados e o consumo inadequado e continuado dos mesmos pode levar a agravos nutricionais, como obesidade e desencadear precocemente doenças crônicas não transmissíveis.

Considerações finais

Os primeiros anos de vida se constituem em período decisivo para a formação de hábitos alimentares, que se perpetuarão na vida adulta. Por isso é de vital importância a adoção de práticas alimentares adequadas o mais precocemente possível, pois os erros alimentares podem não somente gerar distúrbios nutricionais como déficit de peso, obesidade e anemia, além de criar hábitos alimentares não saudáveis.

O incentivo à adoção de práticas alimentares saudáveis deve ser planejado em conjunto com outras ações, como implantação de programas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e de disseminação de informações sobre a introdução correta da alimentação complementar, considerando-se o conceito de segurança alimentar e nutricional, o qual enfatiza a possibilidade do consumo, por todos os cidadãos, de alimentos seguros, que satisfaçam suas necessidades nutricionais, seus hábitos e práticas alimentares culturalmente construídas, promovendo assim o cuidado com a saúde desde a infância.

Diante das mudanças no perfil epidemiológico atual da população brasileira, bem como no padrão alimentar, com preocupantes reflexos na população infantil, sugere-se a criação de medidas factíveis de promoção da alimentação saudável no ambiente familiar e escolar, considerando os valores sociais, econômicos e culturais envolvidos nos diferentes contextos.

A creche também deve ser foco das políticas públicas voltadas ao incentivo do aleitamento materno e à formação de hábitos alimentares saudáveis, fatores que contribuem para o crescimento e o desenvolvimento adequados das crianças, especialmente daquelas menores de dois anos de idade. Essas iniciativas de educação nutricional devem ser direcionadas aos educadores e às mães de baixa escolaridade, cujas crianças frequentam creches.
Para tanto, o treinamento adequado dos profissionais da creche, principais responsáveis pelo cuidado com a criança institucionalizada, através de recomendações atualizadas sobre aleitamento materno e alimentação complementar, resulta em ação de grande relevância para a promoção de hábitos alimentares saudáveis na população infantil contemporânea e para a disseminação das recomendações sobre alimentação nos primeiros anos de vida em suas famílias.
É importante salientar a responsabilidade do poder público em adotar políticas e ações que promovam e garantam a segurança alimentar e nutricional da população. Uma das ações poderia ser a inclusão da educação alimentar e nutricional no processo de ensino e aprendizagem, que perpassa o currículo escolar, inserindo em seu plano político pedagógico o tema alimentação e nutrição e o desenvolvimento de práticas saudáveis de vida voltadas para a área da nutrição, através do aumento da oferta e incentivo ao consumo de frutas e hortaliças e a restrição de alimentos e bebidas com alto teor de gordura, açúcar e sódio.




Bibliografia
1. Almeida SS, Nascimento PCBD, Quaioti TCB. Quantidade e qualidade de produtos alimentícios anunciados na televisão brasileira. Rev Saúde Pública 2002; 36(3): 353-5.
2. Ansaloni JA. Propaganda, Transição Nutricional e Segurança Alimentar na Sociedade Brasileira. In: Taddei JAAC. Jornadas científicas do NISAN: Núcleo Interdepartamental de Segurança Alimentar Nutricional 2006/2007. Barueri, SP: Manole, 2008. p. 19-32.
3. ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Consulta Pública nº 71/06, de 10 de Novembro de 2006. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. [citado 29 jan 2010]. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/
4. Barbosa MB, Palma D, Domene SMA, Taddei JAAC, Lopez FA. Fatores de risco associados ao desmame precoce e ao período de desmame em lactentes matriculados em creches. Rev Paul Pediatr 2009; 27(3):272-81.
5. Barreto SAJ, Cyrillo DC. Análise da composição dos gastos com alimentação no Município de São Paulo (Brasil) na década de 1990. Rev Saúde Pública 2001; 35(1):52-59.
6. Batista Filho M, Souza AI, Miglioli TC, Santos MC. Anemia e obesidade: um paradoxo da transição nutricional brasileira. Cad Saúde Pública 2008; 24(Supl2):S247-257.
7. Bernardon R, Silva JRM, Cardoso GT, Monteiro RA, Amorim NFA, Schmitz BAS, Rodrigues MLCF. Construção de metodologia de capacitação em alimentação e nutrição para educadores. Rev Nutr 2009; 22(3):389-398.
8. Black MM, Siegel EH, Abel Y, Bentley ME. Home and Videotape Intervention Delays Early Complementary Feeding Among Adolescent Mothers. Pediatrics 2001; 107(5): 1-8.
9. Bracco MM, Colugnati FAB, Pratt M, Taddei JAAC. Multivariate hierarchical model for physical inactivity among public school children. J Pediatr (Rio J). 2006;82:302-7.
10. Brasil. Ministério da Saúde. Dez passos para uma alimentação saudável. Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana de Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2010.
. Brasil. Ministério da Saúde. Guia alimentar para crianças menores de 2 anos. Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana de Saúde. Brasília: MS, 2006.
12. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: nutrição infantil: aleitamento materno e alimentação complementar. Brasília: MS, 2009a.
13. Brasil. Ministério da Saúde. II Pesquisa de prevalência de aleitamento materno nas capitais e no Distrito Federal. Brasília: MS, 2009b.
14. Briefel RR, Reidy K, Karwe V, Jankowski L, Hendricks K. Toddlers´ Transition to table foods: impact on nutrient intakes and food patterns. J Am Diet Assoc 2004; 104(Suppl 1): 38-44.
15. Bussato ARM, Oliveira AF, Carvalho HSL. A influência do aleitamento materno sobre o estado nutricional de crianças e adolescentes. Rev Paul Pediatr 2006; 24: 249-54.
16. Castro IRR, Engstrom EM, Cardoso LO, Damião JJ, Rito RVFV, Gomes MASM. Tendência temporal da amamentação na cidade do Rio de Janeiro: 1996-2006. Rev Saúde Pública 2009; 43(6):1021-29.
17. Chuproski P. Práticas alimentares de crianças menores de dois anos de idade em Guarapuava-PR: experiências do cotidiano [mestrado]. Ribeirão Preto, SP: Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo; 2009.
18. Claro RM, Machado FMS, Bandoni DH. Evolução da disponibilidade domiciliar de alimentos no município de São Paulo no período de 1979 a 1999. Rev Nutr 2007; 20(5):483-490.
19. Corrêa EM, Corso ACT, Moreira EAM, Kazapi IAM. Alimentação complementar e características maternas de crianças menores de dois anos de idade em Florianópolis (SC). Rev Paul Pediatr 2009; 27(3):258-64.
20. Costa TF, Pontes TE, Brasil ALD, Ferreira ABR, Taddei JAAC. Transição nutricional e desenvolvimento de hábito de consumo alimentar na infância. In: Dutra-de-Oliveira JE, Marchini JS, orgs. Ciências nutricionais: aprendendo a aprender. São Paulo: Sarvier; 2008. p. 543-63.
21. Coutinho JG, Gentil PC, Toral N. A desnutrição e obesidade no Brasil: o enfrentamento com base na agenda única da nutrição. Cad Saúde Pública 2008; 24(Supl 2): S332-340.
22. del Rea SI, Fajardo Z, Solano L, Páez MC, Sánchez A. Patrón de consumo de alimentos en niños de una comunidad urbana al norte de Valencia, Venezuela. Arch Latinoam Nutr 2005; 55(3): 279-86.
23. Domene SMA. Tendências de Consumo de Alimentos Industrializados pela População Brasileira. In: Taddei JAAC. Jornadas científicas do NISAN: Núcleo Interdepartamental de Segurança Alimentar Nutricional 2004/2006. Barueri, SP: Manole, 2007. p. 89-99.
24. Escobar AMU, Rie AO, Marcel H, Yuri KM, Yoshie TP, Grisi S et al. Aleitamento materno e condições socioeconômico-culturais: fatores que levam ao desmame precoce. Rev Bras Saúde Mater Infant 2002; 2(3): 253-261.
25. Filho MJ. A criança terceirizada - Os descaminhos das relações familiares no mundo contemporâneo. 3 ed. Campinas-SP: Papirus; 2009.
26. Fox MK, Pac S, Devaney B, Jankowski. Feeding infants and toddlers study: what foods are infants and toddlers eating? J Am Diet Assoc 2004; 104(Suppl 1): S22-30.
27. Gomes PTT. Práticas alimentares de crianças menores de um ano que compareceram na 2ª Etapa da Campanha Nacional de Vacinação nos Postos de Saúde fixos da cidade de Guarapuava-PR em 2004 [mestrado]. Ribeirão Preto, SP: Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo; 2005.
28. Grummer-Strawn LM, Scanlon KS, Fein SB. Infant feeding and feeding transitions during the first year of life. Pediatrics 2008; 122 (Suppl 2): S36-42.
29. Hendricks K, Briefel R, Novak T, Ziegler P. Maternal and Child Characteristics associated with infant and toddler feeding practices. J Am Diet Assoc 2006; 106(Suppl 1):135-148.
30. Khaldi F, Bouguerra F. Feeding practices, growth, and morbidity in Tunisia. Pediatrics 2000; 106(5):1275-1276.
31. Linn S. Crianças do consumo, a infância roubada. São Paulo: Instituto Alana, 2006.
32. Mennella JA, Ziegler P, Briefel R, Novak T. Feeding infants and toddlers study: the types of foods fed hispanic infants and toddlers. J Am Diet Assoc 2006; 106(Suppl 1): 96-106.
33. Monte CMG, Giugliani ERJ. Recomendações para alimentação complementar da criança em aleitamento materno. J Pediatr (Rio J) 2004; 80: 131-41.
34. Ness A, Wardle J, Devaney B, Gillman MW, Kramer MS, Mennella JÁ, Lederman AS, Akabas SR, Moore BJ, Bentley ME. Summary of the Presentations at the Conference on Preventing Childhood - Obesity, December 8, 200 . Pediatrics 2004; 114:1146-1173.
35. Novaes JF, Lamounier JA, Franceschini SCC, Priore SE. Efeitos a curto e longo prazo do aleitamento materno na saúde infantil. Nutrire Rev Soc Bras Aliment Nutr 2009; 34(2):139-160.
36. liveira LPM, Assis AMO, Pinheiro SMC, Prado MS, Barreto ML. Alimentação complementar nos primeiros dois anos de vida. Rev Nutr 2005; 18(4): 459-69.
37. Parada CMGL, Carvalhaes MABL, Jamas MT. Práticas de alimentação complementar em crianças no primeiro ano de vida. Rev Latino-am Enfermagem 2007; 15: 40-9.
38. Pena APS, Rosa COV, Molinari AGL, Teixeira CS, Carvalho GF, Bizzotto MM et al. Consumo de alimentos industrializados por crianças de 0 a 2 anos relacionado com a renda familiar no município de Belo Horizonte-MG. Nutrire Rev. Soc. Bras. Aliment. Nutr 2007; 32:402.
39. Philippi ST. Evaluation of food intake of Brazilian children. Pediatric Nutrition, São Paulo 2002; 3(4):18-23.
40. Pontes TE, Costa TF, Brasil ALD, Marum ABRF, Silva GL, Toloni MHA, Taddei JAAC. Propagandas de Alimentos, Embalagens e Rótulos. In: Palma D, Escrivão MAS, Oliveira FLC. Nutrição Clínica na Infância e na Adolescência. 1 ed. Barueri, SP: Manole, 2009. p. 629-656.
41. Rinaldi AEM, Pereira AF, Macedo CS, Mota JF, Burini RC. Contribuições das práticas alimentares e inatividade física para o excesso de peso infantil. Rev Paul Pediatr 2008; 26(3): 271-277.
42. Romanelli G. O significado da alimentação na família: uma visão antropológica. Medicina Ribeirão Preto 2006; 39(3):333-9.
43. Rossi A, Moreira EAM, Rauen MS. Determinantes do comportamento alimentar: uma revisão com enfoque na família. Rev Nutr 2008; 21(6): 739-748.
44. Rotenberg S, De Vargas S. Práticas alimentares e o cuidado da saúde: da alimentação da criança à alimentação da família. Rev Bras Saúde Matern Infant 2004; 4(1): 85-94.
45. Saldiva SRDM, Escuder MM, Modini L, Levy RB, Venancio SI. Práticas alimentares de crianças de 6 a 12 meses e fatores maternos associados. J Pediatr (Rio J) 2007; 83(1):53-8.
46. Salve JM, Silva IA. Representações sociais de mães sobre a introdução de alimentos complementares para lactentes. Acta Paul Enferm 2009; 22(1):43-8.
47. Schmitz BAS, Recine E, Cardoso GT, Silva JRM, Amorim NFA, Bernardon R et al. A escola promovendo hábitos alimentares saudáveis: uma proposta metodológica de capacitação para educadores e donos de cantina escolar. Cad Saúde Pública 2008; 24(Supl 2):S312-322.
48. Sichieri R, Nascimento S. O Custo da obesidade para o Sistema Único de Saúde: perspectivas para as próximas décadas. In: Taddei JAAC. Jornadas científicas do NISAN: Núcleo Interdepartamental de Segurança Alimentar Nutricional 2004/2005. Barueri, SP: Manole, 2006. p.101-11.
49. Silveira D, Taddei JAAC. Aspectos Socioeconômicos e culturais da alimentação da criança e do adolescente. In: Palma D, Oliveira FLC, Escrivão MAMS. Guia de nutrição clínica na infância e na adolescência. Barueri, SP: Manole, 2009. p. 1-21.
50. Simon VGN, Souza JMP, Souza SB. Aleitamento materno, alimentação complementar, sobrepeso e obesidade em pré-escolares. Rev Saúde Pública 2009; 43(1): 60-9.
51. Shimabukuro EE, Oliveira MN, Taddei JAAC. Conhecimentos de educadores de creches sobre alimentação infantil. Rev Paul Pediatr 2008; 26(3):231-7.
52. Skinner JD, Ziegler P, Pac S, Devaney B. Meal and snack patterns of infants and toddlers. J Am Diet Assoc 2004; 104(Suppl 1):65-70.
53. Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de orientação para alimentação do lactente, do pré-escolar, do escolar, do adolescente e na escola. Sociedade Brasileira de Pediatria - Departamento de Nutrologia. 2 ed. São Paulo: SBP, 2008.
54. Spinelli MGN, Goulart RMM, Santos ALP, Gumiero LDC, Farhud CC, Freitas EB et al. Consumo alimentar de crianças de 6 a 18 meses em creches. Rev Nutr 2003; 16(4): 409-14.
55. Sprydes MHC, Struchiner CJ, Barbosa MTS, Kac G. Efeito das práticas alimentares sobre o crescimento infantil. Rev Bras Saúde Matern Infant 2005; 5(2):145-153.
56. Tardido AP, Falcão MC. O impacto da modernização na transição nutricional. Rev Bras Nutr Clin 2006; 21:117-24.
57. Temple JL, Giacomelli AM, Kent KM, Roemmich JN, Epstein LH. Television watching increases motivated responding for food and energy intake in children. Am J Clin Nutr 2007; 85:355-61.
58. Tonial SR. Os desafios da atenção nutricional diante de sua complexidade no Brasil. Ciênc Saúde Coletiva 2002; 7(2): 227-234.
59. Valle JMN, Euclydes MP. A formação dos hábitos alimentares na infância: uma revisão de alguns aspectos abordados na literatura nos últimos dez anos. Rev de Atenção Primária à Saúde 2007; 10(1): 56-65.
60. Vitolo MR, Bortolini GA. Introdução precoce de alimentos de baixo valor nutricional na primeira infância. Estudo de campo randomizado. Nutrição em Pauta 2004; 18:13-17.
61. Vitolo MR, Bortolini GA, Feldens CA, Drachler ML. Impacts of the 10 steps to healthy feeding in infants: a randomized field trial. Cad Saúde Pública 2005; 21: 1448-1457.
62. Wiecha JL, Peterson KE, Ludwig DS, Kim J, Sobol A, Gortmaker SL. When children eat what they watch - Impact of television viewing on dietary intake in youth. Arch Pediatr Adolesc Med 2006;160:436-442.
63. World Health Organization. Infant and young child feeding: model chapter for textbooks for medical students and allied health professionals. Geneva: WHO, 2009.
64. World Health Organization. Preventing chronic diseases: a vital investment. Geneva: WHO, 2005.