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Transplantes
Hiperinfecção por Strongyloides stercoralis mascarada por infecção citomegálica em trato gastrointestinal
Miguel Ernandes Neto
Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo.
Luís Gustavo Mondelli de Andrade
Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP.
Maria Aparecida Marchesan Rodrigues
Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP.
Maria Fernanda Cordeiro de Andrade
Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP.
RBM Dez 13 V 70 Especial Transplantes 1
págs.: 12-15

Indexado LILACS LLXP: S0034-72642013012300002

Relato de caso

M.A.L., 25 anos, mulher, doença renal crônica devido à glomerulonefrite crônica, submetida a transplante renal com doador vivo distinto, em 2000. Evoluiu com nefropatia crônica e perda do enxerto. Submetida a retransplante com doador falecido (4 mismatches), em 2009. Imunossupressão: tacrolimo, prednisona, micofenolato sódico, e basiliximab, na indução. Após dois meses iniciou inapetência, queda do estado geral, dor epigástrica. Feita hipótese de doença invasiva por citomegalovírus (CMV) e iniciado ganciclovir. Não obteve melhora, apresentando um episódio de hematêmese. A endoscopia digestiva alta mostrou esofagogastroduodenite moderada.

O exame histopatológico revelou a presença de efeito citopático do CMV no esôfago; Strongyloides stercoralis em esôfago, estômago e duodeno; gastrite crônica associada ao Helicobacter pylori.




ESTRONGILOIDÍASE E CITOMEGALOVIROSE. 1 - Esofagite ulcerativa em intensa atividade, com efeitos citopáticos do vírus de inclusão citomegálica e presença de Strongyloides stercoralis. 2- Infiltrado eosinofílico intenso.


ESTRONGILOIDÍASE. Mucosa de padrão antral com gastrite crônica em moderada atividade associada ao Helicobacter pylori e Strongyloides stercoralis. Mucosa duodenal com presença de Strongyloides stercoralis e intensa duodenite. 2- Strongyloides stercoralis e infiltrado eosinofílico intenso.


H. pylori em mucosa gástrica.

Tratada com albendazol 800mg/dia por 10 dias, ivermectina 10 mg/dia por 2 dias e repetido após 15 e 30 dias; ganciclovir 5 mg/kg/dia de 12/12h por 21dias. Após tratamento evoluiu com resolução completa do quadro.

Discussão

A prevalência de infecções parasitárias sintomáticas em pacientes transplantados de rim foi de 2,4% em estudo retrospectivo com 657 pacientes em um período de cinco anos. Neste estudo a principal causa de infecção parasitária foi por Strongyloides stercoralis (68,75%), seguido por Giardia lamblia (18,75%), Toxoplasma gondii (6,25%) e Trypanosoma cruzi (6,25%)(1).

Os seres humanos são hospedeiros finais no ciclo do nematodo S. stercoralis, em indivíduos imunologicamente normais a infecção é usualmente assintomática ou cursa com sintomas gastrointestinais, como dor abdominal, flatulência e sangramento(2). Em pacientes imunocomprometidos a infecção por S. stercoralis pode, frequentemente, causar hiperinfecção fatal ou doença disseminada(1).

A hiperinfecção por S. stercoralis está associada a uma alta mortalidade e os fatores de risco são: novos esquemas de imunossupressão, infecção por HTLV-1, transplante com doador falecido, tuberculose, neoplasias hematológicas e desnutrição(3). Ela ocorre muitos meses ou até anos após o transplante de órgão sólido, mas a forma disseminada costuma ocorrer dentro dos primeiros três meses(2).

A profilaxia sistemática no transplante pode ser uma forma de prevenir essa síndrome potencialmente fatal(2).

A ivermectina é considerada droga de escolha para o tratamento de pacientes com estrongiloidíase(3).




Bibliografia
1. Valar C, Keitel E, Dal Prá RL, et al. Parasitic Infection in Renal Transplant Recipients. Transplantation Proceedings, 2007. 39: 460-462.
2. Vilela EG, Clemente WT, Mira RRL, et al. Strongyloides stercoralis hyperinfection syndrome after liver transplantation: case report and literature review. Transplant Infectious Disease, 2009.
3. Marcos LA, Terashima A, Du Pont HL, et al. Strongyloides hyperinfection syndrome: anemerging global infectious disease. Transactions of the Royal Society of Tropical Medicine and Hygiene, 2008. 102: 314-318.