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Destaque do Setor
Destaque do setor: Parto natural x cesariana
Revista Equilíbrio & Vida - Jul 12 N 2

Estatísticas apontam que o Brasil está entre os países que mais realizam cesarianas no mundo, contrariando as recomendações da OMS. Saiba os motivos para esse cenário.

O número de cesarianas realizadas no Brasil, quando comparado à quantidade de partos naturais, é alarmante, segundo dados do Ministério da Saúde. O levantamento revela que, em 2010, 52% das mulheres que deram à luz, na rede privada ou pública, realizaram cesáreas. Quando as estatísticas são analisadas separadamente, 37% dos partos realizados pelo SUS foram cesarianas; na rede privada, esse número sobe para 82%. No entanto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que essa taxa não ultrapasse 15%. Mas quem são os grandes responsáveis por esse cenário? De acordo com especialistas da Federação Brasileira das Associações de Ginegologia e Obstetrícia (Febrasgo) e da Associação de Obstetrícia do Estado de São Paulo (Sogesp), embora os médicos tenham sua parcela de participação nesses números, os maiores culpados não são esses profissionais.

- Cultura e conveniência: muitas mulheres têm a percepção de que o parto natural pode trazer dor, sofrimento ou até mesmo problemas na sexualidade. “Sabemos que o parto natural não interfere na sexualidade da mulher ou traz qualquer outro tipo de dano para o organismo. Mas criou-se um forte mito em relação a isso no País e que, de tão disseminado, acabou se tornando verdade para as pacientes”, afirma a diretora-administrativa da Febrasgo, Dra. Vera Fonseca. Em contrapartida, a cesariana é vista por grande parte do universo feminino como um método rápido, seguro e indolor. Soma-se a todos esses fatores a comodidade de agendar o dia e hora do parto, que muitas mulheres não abrem mão.

- Remuneração: o presidente da Sogesp Dr. César Eduardo Fernandes afirma que existe um “processo perverso de remuneração” para médicos da área no País. “Para se tornar obstetra são, no mínimo, 10 anos de estudos, o que torna esse profissional muito diferenciado e qualificado. No entanto, as operadoras de saúde pagam em média R$ 250 pelo parto. Esse valor cai para R$ 150 se o procedimento for realizado pelo SUS”, constata Dr. Fernandes, salientando que um profissional desse porte não pode ser remunerado dessa forma. Logo, o médico acaba optando pela cesárea, que dura menos tempo, e pode, assim, garantir uma remuneração um pouco maior.

- Vagas precárias nas maternidades: o risco de optar pelo parto natural e a mãe não encontrar seu espaço no hospital faz com que muitos médicos optem pelo agendamento da cesariana. “Em grandes capitais, como o Rio de Janeiro, não há vagas disponíveis para partos a qualquer momento. Muitas vezes, a paciente fica numa enfermaria, sem condições de internação. Nas cidades do interior, não existem anestesistas de plantão todos os dias da semana. Fatores como esses geram insegurança tanto aos médicos quanto às pacientes, que não querem passar por isso”, reforça a diretora-administrativa da Febrasgo. Portanto, constata-se que os motivos são inúmeros e os culpados não são apenas os médicos. “Essas questões precisam melhorar para que o médico possa fazer mais partos naturais e se sinta estimulado”, afirma Dra. Vera. “Não podemos partir do pressuposto que a medicina obstétrica no Brasil é ruim, porque isso não é uma realidade”, justifica Dr. César. Segundo ele, é fundamental que haja uma mudança na remuneração desses especialistas, bem como educação continuada desses profissionais. “É preciso que os médicos coloquem seus conhecimentos a favor dos pacientes, mostrando os benefícios do parto natural”, diz. “É papel do médico esclarecer os benefícios desse procedimento, mas também respeitar a vontade e decisão da paciente”, pondera a executiva da Febrasgo.

Cesarianas não são ‘vilãs’
De acordo com os especialistas, embora fale- se muito sobre os altos índices de cesarianas no Brasil, é necessário esclarecer que, mesmo que os números sejam altos, eles não são negativos para o panorama de saúde no País. “A cesárea não é uma vilã. Ela tem sua indicação e salva muitas vidas, tanto de mulheres quanto de bebês”, argumenta a especialista da Febrasgo. “Se a paciente tem um vício de bacia que não permite passar o bebê pelo canal de parto, esse tipo de procedimento vai ser um benefício enorme. É para isso que a cesárea existe. Para salvar vidas”, finaliza o presidente da Sogesp.


Cuidados com movimentos de humanização dos partos

Há um movimento de mulheres que buscam processos menos convencionais de partos e querem realizá-los da forma mais natural possível, em suas próprias casas, por exemplo. Embora esse movimento tenha um lado positivo, sinalizando que muitas mulheres passam a se conhecer melhor e acreditar no potencial do seu corpo, é importante que os médicos façam ressalvas em relação a algumas opções de partos. O presidente da Sogesp acredita que é importante ouvir o desejo das pacientes, mas avalia que o profissional deve alertar a gestante em relação aos riscos que alguns tipos de partos podem trazer. “As enfermeiras obstétricas em casas de parto são super bem-vindas, mas esses procedimentos nunca devem ser realizados sem supervisão médica. Além disso, não faz sentido realizar um nascimento sem que haja recursos hospitalares dentro ou ao lado do espaço. As chances de um desfecho trágico existem”, alerta. “O profissional deve evidenciar os riscos e não realizar partos sem infraestrutura para o processo. Se houver qualquer insucesso, o médico responderá pelos seus atos”, conclui Dra. Vera Fonseca..