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REFERÊNCIA MÉDICA
Anticoncepcionais: 50 anos trazendo benefícios além da contracepção
Mario Vicente Giordano
Disciplina de Ginecologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio); disciplina de Ginecologia da Universidade Estácio de Sá (Unesa); especialista em Ginecologia, Obstetrícia e Endoscopia Ginecológica pela Febrasgo; e membro da diretoria da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro.
Luiz Augusto Giordano
Disciplina de Ginecologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio); especialista em Ginecologia, Obstetrícia e Endoscopia Ginecológica pela Febrasgo; e membro da diretoria da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro.
Revista Equilíbrio & Vida - Julho 12 N 2

Numeração de páginas na revista impressa: 18 e 19

Conheça os resultados do INAS-OC, estudo que acompanhou usuárias de contraceptivos orais, comparando a eficácia e os benefícios de algumas substâncias.


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o longo dos 50 anos de existência das pílulas anticoncepcionais, inúmeras alterações nos preparados hormonais foram registradas. A drospirenona, por exemplo, chega associada ao etinilestradiol nas doses de 20 mcg (regime de 24/4) e 30 mcg (regime de 21/7). Apresenta efeito antimineralocorticóide, com ação benéfica sobre a retenção hídrica observada em alguns progestágenos. Um estudo tipo coorte, com 52.218 mulheres, foi realizado, nos Estados Unidos, com o intuito de observar os efeitos da drospirenona 3 mg associada ao etinilestradiol na dose de 30 mcg (regime 21/7) e 20 mcg (regime 24/4), comparando-os com outros anticoncepcionais contendo noretisterona, sobretudo quanto aos riscos cardiovasculares e taxas de falha em uso típico (International Active Surveillance Study of Women Taking Oral Contraceptives/INAS-OC). O esquema posológico com 24 dias sobre influência hormonal (drospirenona 3 mg/etinilestradiol 20 mcg), com apenas quatro dias de intervalo, foi mais eficaz na prevenção da gravidez indesejada (Figura 1). Talvez, com o uso de hormonioterapia por mais dias, haveria redução na flutuação hormonal ovariana observada quando há sete dias livres da terapia hormonal (drospirenona 3 mg /etinilestradiol 30 mcg). As maiores taxas de falha foram observadas em mulheres entre 20 e 30 anos, idade em que há maior fecundabilidade. Acima dos 35 anos, as falhas contraceptivas foram inferiores. Outro dado, observado no estudo, foi a maior taxa de gravidez de acordo com o aumento do índice de massa corpórea (IMC).

Provavelmente, a obesidade (IMC>35) influencia, negativamente, na eficácia da pílula combinada. O mecanismo responsável seria a menor concentração hormonal no plasma com consequente redução na supressão ovariana. No entanto, os resultados ainda não devem ser considerados e mais estudos devem ser realizados para inferência dessas afirmações.

A análise regressiva de Cox, incluindo as variáveis idade, índice de massa corpórea, tabagismo, paridade e escolaridade, identificou razão de chance de 0,7 (IC95% 0,6-0,8) comparando o regime DRSP/ EE24d com pílulas de 21 dias e outro progestágeno (Tabela 2). A taxa de gravidez entre usuárias de pílula anticoncepcional é de 7,7% aproximadamente, segundo a National Survey of Family Growth2, após 12 meses de uso. O resultado encontrado com o uso do DRSP/EE24d é inferior (2,1%).





O uso de preparados com DRSP/EE24d é seguro e, inclusive, considerado mais eficaz na prevenção da gravidez indesejada quando comparado com o DRSP/ EE21d e outros preparados hormonais contendo, por exemplo, noretisterona. O uso prolongado (24 dias) da hormonioterapia irá inibir a flutuação hormonal ora presente quando o intervalo livre dos hormônios é superior a esse período. Somado a isso, o efeito prolongado da drospirenona (até 30h) aumentaria o bloqueio gonadal das gonadotrofinas hipofisárias, diminuindo o risco de falha do método.

Regimes de 24 dias parecem não elevar o risco de eventos adversos, sobretudo cardiovasculares. Há, ainda, eficácia contraceptiva superior do regime DRSP/EE24d (comparado com outros hormônios e posologias) em algumas situações clínicas sabidamente associadas à maior taxa de falha da pílula (maior índice de Pearl).




Bibliografia
1 Dinger J, Minh TD, Buttmann N, Bardenheuer K.Effectiveness of oral contraceptive pills in a large U.S. cohort comparing progestogen and regimen. Obstet & Gynecol 2011; 117: 1-8.
2 Kost K, Singh S, Vaughan B, Trussell J, Bankole A. Estimates of contraceptive failure from the 2002 National Survey of Family Growth. Contraception 2008; 77: 10 –21.