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Entrevista
Gravidez tardia: uma nova demanda para ginecologistas
Guilherme Loureiro Fernandes
Professor responsável pelo setor de Medicina Fetal da FMABC, médico-chefe do setor de Medicina Fetal da Pro Matre Paulista e diretor científico da Sogesp – Reg. ABC
Revista Equilíbrio & Vida - Jul 12 N 2

Numeração de páginas na revista impressa: 12 à 14

Busca pelo sucesso profissional, novos cursos, viagens e outros compromissos, fazem com que a concretização da maternidade seja postergada ao limite. Tornou-se comum ver, hoje, mulheres acima de 35 ou 40 anos chegarem aos consultórios ginecológicos ainda dispostas e com o sonho de ser mãe bastante aflorado. Isso faz com que os médicos da área discutam cada vez mais o tema, avaliando alternativas seguras para não colocar em risco a vida da mãe ou do bebê. Em entrevista à Equilíbrio & Vida, Dr. Guilherme Loureiro Fernandes, professor responsável pelo setor de Medicina Fetal da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC) e médico-chefe do setor de Medicina Fetal da ProMatre Paulista, fala sobre os riscos reais da gravidez após os 35 anos e a importância do ginecologista esclarecê-los e anunciá-los ao casal no momento da consulta. O médico, que também é diretor científico da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp), na Regional ABC, e membro da comissão científica da entidade em todo o Estado, afirma que, apesar dos riscos, com o diagnóstico cauteloso e tratamento adequado, mulheres de quaisquer idades podem reduzir as chances de aborto

Equilíbrio & Vida Após qual idade a gestação passa a ser de risco para as mulheres? Acima de 35 anos?

Dr. Guilherme Loureiro Fernandes Exatamente. É nesse período que se reduz a capacidade de fertilidade da mulher. O óvulo fica mais velho e ela começa, a partir dessa fase, a ter mais riscos de patologias como pré-eclampsia, diabetes gestacional e doenças cromossômicas. Aliás, até os 35 anos, as chances de doenças cromossômicas entre os fetos são de 0,5%. Aos 40 anos, esse número passa para 1% e aos 45 anos, chega a aproximadamente 5%. E&V Dentre as doenças cromossômicas, a síndrome de Down é a mais comum? Dr. Fernandes Sim. Além dela, também podem ocorrer outras doenças, como as genéticas e as que culminam na má formação física da criança.

Vale ressaltar que a síndrome de Down acontece em picos de idade, portanto, gestantes muito jovens correm riscos similares. E&V A gravidez tardia pode ser considerada um indicador de risco ou apenas um fator de risco?

Dr. Fernandes O que se pode dizer é que os fatores de risco são aumentados.

E&V Após qual idade a gravidez passa a ser inviável?

Dr. Fernandes É muito variável, mas a partirdos 44 anos as chances da mulher conceber fetos com o próprio óvulo são de apenas 1% e, dentro desse grupo, 50% delas abortam. Por isso, a partir dessa idade, muitas mulheres recorrem, por exemplo, aos serviços de fertilização assistida, com óvulos doados.

E&V Qual deve ser a conduta do médico em relação às mulheres que desejam engravidar numa idade considerada de risco? Os possíveis problemas devem ser evidenciados?


Foto: shutterstock

Dr. Fernandes Sem dúvida. Numa consulta bem feita, devem ser apontadas tanto as possibilidades de sucesso quanto as chances de insucesso, e deixar a decisão final como opção da mulher. Na maioria das vezes, mesmo que os riscos sejam altos, elas decidem se arriscar pelo sonho da maternidade.

E&V A medicina acompanhou esse novo perfil das mulheres que postergam a gravidez? Todas elas têm chances de ter filhos, mesmo tardiamente?

Dr. Fernandes Sim, a medicina acompanhou essa realidade. Toda mulher, independentemente da idade, deve fazer os tratamentos específicos para reduzir as chances de aborto, como uso de ácido fólico, combinado com as vitaminas D, C e E. Isso tudo deve ser acompanhado por exames laboratoriais de qualidade para descobrir doenças que a mulher já tenha ou que possam aparecer. Como na gestação a carga hormonal é muito grande, isso pode ser um gatilho para que doenças pré-existentes possam eclodir.

E&V Então pode-se dizer que as mulheres que engravidam mais tardiamente apresentam mais riscos de desenvolver problemas de saúde do que aquelas que engravidam mais cedo?

Dr. Fernandes Sim. As doenças pré-existentes podem piorar e outras patologias, que a paciente nem sabia que tinha, podem aparecer.

E&V Quais doenças pré-existentes no caso de mulheres que engravidam tardiamente devem ser analisadas com mais cautela?

Dr. Fernandes Uma vez que o médico sabe as doenças que a paciente tem, deve-se expor os riscos tanto para ela quanto para o feto. Dependendo do caso, os riscos são altos e passam pela possibilidade de óbito da paciente e do feto, bem como má formação do mesmo.


E&V No caso de pacientes obesas e/ou fumantes, torna-se necessário um tratamento especial antes da tentativa de gestação?

Dr. Fernandes A obesa tem mais chances de ter aborto, rotura prematura das membranas ovulares, parto prematuro e recém-nascidos mortos. Já as fumantes estão mais propensas a gerar bebês com restrição de crescimento e, no caso do parto com cesariana, pode-se correr o risco de alta de oxigenação do feto após o nascimento.

E&V Quadros hemorrágicos a partir do terceiro trimestre são mais comuns?

Dr. Fernandes Existem patologias que incidem mais a partir desse período, como descolamento prematuro de placenta e placenta de inserção baixa. Esses quadros podem, sim, aumentar os riscos de hemorragia.

E&V Quais exames de última geração são indicados para verificação de anomalias fetais? Em que casos esses exames devem ser realizados?

Dr. Fernandes A ultrassonografia morfológica no primeiro e segundo trimestre de gestação é indicada para todas as mulheres, em qualquer idade, bem como o ecocardiograma fetal, que avalia o coração do bebê durante a vida intrauterina. Existem, ainda, outros exames que necessitam da coleta de células do feto, sendo, portanto, mais invasivos e indicados apenas em casos de idade materna avançada, história de gestação anterior com doença cromossômica e anormalidade no ultrassom. São eles, a biópsia de vilo corial e a amniocentese.

E&V Os casos de infertilidade são comuns entre casais acima de 35 anos? Esses casos são tratados com sucesso?

Dr. Fernandes Sim, na maioria das vezes. Devemos pensar que, no caso de uma mulher querer engravidar, o ideal é que o médico ‘escaneie’ a paciente por meio de uma anamnese minuciosa e exames laboratoriais de qualidade, para que se tenha ideia completa da situação da mulher. Somente com esses passos cumpridos é possível ter sucesso nos processos de fertilização.

E&V Gestantes com gravidez tardia precisamde um acompanhamento diferenciado de pré-natal?

Dr. Fernandes O tratamento pode ser o mesmo das outras gestantes. Só há necessidade de cuidados especiais caso alguma anormalidade seja detectada, quando convém realizar consultas e ultrassonografias com intervalo menor.