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Comunicação
Tratamento de rejuvenescimento facial com ácido hialurônico não estabilizado de origem não animal aplicado na derme
Facial rejuvenation treatment with non animal, nonstabilized, hyaluronic acid micro droplet placed into the dermis


Érica de O. Monteiro
Dermatologista. Departamento de Cosmiatria e Cirurgia, UNICCO, do Departamento de Dermatologia da Universidade Federal de São Paulo.
© Copyright Moreira Jr. Editora.
Todos os direitos reservados.

Indexado LILACS LLXP: S0034-72642011007800003

Unitermos: rejuvenescimento, hidratação, ácido hialurônico.
Unterms: rejuvenation, hydration, hialuronic acid.

Numeração de páginas na revista impressa: 198 à 200

Introdução


O ácido hialurônico existe naturalmente em todos os organismos vivos e é um componente dos espaços entre as células nos tecidos do corpo (espaço extracelular)(1-5). Aproximadamente 56% da concentração do ácido hialurônico no corpo é encontrado na derme. As propriedades elásticas do ácido hialurônico oferecem resistência à compressão, assim a pele consegue proteger estruturas subjacentes dos danos mecânicos gerados no meio exterior ao organismo. Ao mesmo tempo, o ácido hialurônico permite que as fibras colágenas se movam facilmente através da substância intersticial. Esta lubrificação pelo ácido hialurônico permite que a pele acomode as mudanças na forma e volume que ocorrem quando os ossos e as articulações se movem.

À medida que envelhecemos as células da pele diminuem a capacidade de produzir o ácido hialurônico e, com isso, a quantidade de ácido hialurônico na pele é menor no idoso comparada a quantidade no jovem. Isso pode ser demonstrado por apertar a pele entre os dedos. Em jovens, a pele rapidamente retorna ao seu volume original. No entanto, à medida que envelhecemos, a capacidade da pele para restaurar o volume inicial antes da compressão fica reduzida. A redução do volume de ácido hialurônico desempenha um papel importante no desenvolvimento de rugas.

O ácido hialurônico é composto por dois açúcares, dissacarídeos, que se repetem várias vezes formando cadeias longas e tem estrutura química idêntica nos organismos vivos onde é encontrada, ou seja, não é espécie específica (não importa se ela é encontrada em bactérias simples ou nos seres humanos)(1-5).

Repor o ácido hialurônico na derme por meio de injeções intradérmicas é uma das técnicas utilizadas no rejuvenescimento(1-5).

Relato do caso

Paciente do sexo feminino, 60 anos de idade, com fotoenvelhecimento moderado. Foram feitos vários tratamentos como uso domiciliar de ácido retinoico e fotoproteção diária, tratamentos no consultório com peelings químicos seriados com solução de Jessner. Os resultados melhoraram a textura e a aparência geral da pele. Para complementar o tratamento se optou pelo uso do ácido hialurônico não estabilizado com ligações cruzadas, monofásico e homogêneo, com concentração de 15 mg por ml (Figura 1) para aplicação intradérmica no rosto (Figuras 2 e 3).


Figura 1 - Produto utilizado para re-hidratação da derme: ácido hialurônico não estabilizado de origem não animal contendo 15 mg/ml.

Técnica de aplicação
Para re-hidratação dérmica do caso, utilizamos a seguinte distribuição do produto:

· Aplicação intradérmica superficial, ponto-a-ponto (técnica multipunturas), distando 1 a 1,5 cm. Aplicado aproximadamente 0,1 ml por ponto;
· Total de 1,0 ml por sessão, total de 3 sessões com 15 dias de intervalo.


Figura 2 - Antes da aplicação.


Figura 3 - Imediatamente após a aplicação.

Discussão

Para rejuvenescimento facial geralmente associamos várias técnicas, dependendo da região afetada, do tipo de pele, das características do paciente e da disponibilidade dos produtos para tratamento. Após a avaliação da paciente, iniciou-se o tratamento clínico domiciliar para melhorar o aspecto geral da pele. Fizeram-se vários peelings químicos superficiais, para melhorar a textura da pele, clarear as manchas e acelerar renovação das células epidérmicas. Todos esses recursos ajudaram na melhora da qualidade da pele. Optou-se pela aplicação intradérmica do ácido hialurônico não estabilizado 15 mg/ml. Foram feitas três sessões; em cada sessão foi aplicado 1 ml no rosto todo.

O ácido hialurônico tem diferentes fontes e o mais utilizado é fabricado por um processo de fermentação bacteriana. Pode ser estabilizado e utilizado como implante cutâneo para tratamento de linhas, vincos, sulcos, rugas ou remodelamento facial ou pode ser utilizado o produto não estabilizado apenas para hidratação da derme(1-5).

Antes de indicar o tratamento, deve-se fazer anamnese e exame clínico do paciente para descartar possíveis contraindicações ao tratamento.

O tratamento é realizado com uma agulha muito fina para colocar pequenas quantidades de ácido hialurônico na derme superficial. Esta técnica é diferente do uso de grandes quantidades de ácido hialurônico, como o uso de preenchedores dérmicos para preencher as linhas ou modificar o contorno da face.

Cada tratamento dura cerca de 20 minutos e geralmente é pouco doloroso. Para pacientes sensíveis, recomenda-se o uso de creme anestésico tópico 30 a 60 minutos antes do tratamento. A maioria dos pacientes pode voltar ao trabalho ou às atividades diárias no mesmo dia ou no dia seguinte após o procedimento.

Já existem publicações demonstrando que a aplicação intradérmica de pequenos volumes (microgotas) do ácido hialurônico tem impacto na fisiologia da pele e na aparência clínica da pele na área tratada. A diferença é observada tanto com a aplicação do ácido hialurônico estabilizado quanto com o não estabilizado. O estudo de Williams e cols.(6) foi feito com comparação intraindividual em 15 voluntários, nos quais foram feitas sessões de injeção nas semanas 0, 4 e 8, com a distribuição aleatória na mão esquerda e direita dos ácidos hialurônicos estabilizados ou não estabilizados. Os parâmetros da fisiologia da pele avaliados foram: elasticidade cutânea, rugosidade superficial, hidratação e perda de água transepidérmica (TEWL); foram medidos in vivo nas semanas 0 (antes do tratamento), 4, 12 e 24. A avaliação clínica da mão foi realizada nas semanas 0 e 12 por um dermatologista cego. Os resultados das injeções intradérmicas mostraram melhoras, com duração maior do efeito na apresentação estabilizada com relação a não estabilizada(6).

Eventos adversos
Após o tratamento, algumas reações comuns relacionadas com a injeção podem ocorrer. Estes incluem eritema transitório, edema, dor, prurido, contusões, descoloração ou sensibilidade no local da injeção. Normalmente a resolução é espontânea, dentro de um ou dois dias após a injeção.

Contraindicações
Não deve ser usado em indivíduos com hipersensibilidade conhecida ao ácido hialurônico. Não deve ser aplicado dentro ou perto de áreas em que haja doença ativa de pele, inflamações ou feridas. Os estudos não foram realizados em mulheres grávidas ou no período de amamentação. Não deve ser injetado em uma área onde um implante permanente tem sido colocado.

O curso do tratamento geralmente inclui duas a três sessões de injeções em intervalos de 15 dias, seguido por uma injeção complementar após três a seis meses. O ácido hialurônico é completamente biodegradável.

Conclusão

O ácido hialurônico é um produto versátil, fácil de armazenar e de utilizar, disponível em várias concentrações que podem ser adaptadas ao tratamento de linhas, sulcos e rugas estáticas e também na reposição do volume facial. No caso descrito, a indicação foi repor o ácido hialurônico dérmico, objetivando restaurar a hidratação da derme.




Bibliografia
. Baumann LS, Monteiro EO. Can One Filler Do It All? Skin&Aging. 2005; 13(15): 48-51.
2. Monteiro EO. Hyaluronic acid for restoring earlobe volume. Skinmed. 2006 Nov-Dec; 5(6):293-4.
3. Monteiro EO. Parada MOB. Preenchimentos faciais - Parte 1. RBM Edição Especial Dermatologia 2010 Jul; 67(10): 6-14.
4. Monteiro EO. Tratamento de cicatrizes de acne e ácido hialurônico de alta viscosidade. RBM Edição Especial Dermatologia. 2010 Fev; 67(10): 13-15.
5. Monteiro EO. Envelhecimento facial: perda de volume e reposição com ácido hialurônico. RBM Rev. Bras. Med. 2010 Ago; 67(8):299-303.
6. Williams S, Tamburic S, Stensvik H and Weber M. Changes in skin physiology and clinical appearance after microdroplet placement of hyaluronic acid in aging hands. Journal of Cosmetic Dermatology, 2009; 8: 216-225.