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Revisão
Cisto testicular simples em adulto
Cesar A. Britto
Disciplina de Urologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN. Disciplina de Urologia da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte - UERN.
Rodrigo T. M. de Paiva
Disciplina de Urologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
Rafael B. Rebouças
Disciplina de Urologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
Daniel C. A. de Medeiros
Disciplina de Urologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
Karla C. R. Avelino
Disciplina de Urologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
Paulo J. de Medeiros
Disciplina de Urologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN

Numeração de páginas na revista impressa: 21 e 22

Introdução


Cistos testiculares simples são raros, com poucos casos descritos na literatura recente, no entanto sua incidência vem aumentando proporcionalmente à facilidade de acesso à ultrassonografia escrotal. A descrição do primeiro cisto testicular intraparenquimatoso é atribuído a Copper, em 1845, contudo, posteriormente, verificou-se que se tratava da descrição de um teratoma cístico. Em 1966, Schmidt descreveu o primeiro caso de cisto testicular simples em um infante. Descrevemos um caso de cisto testicular e sugerimos um organograma para o tratamento.

Relato do caso

Masculino, com 35 anos, apresenta-se com queixa de infertilidade conjugal há um ano. Tempo de união de seis anos. Informa dor testicular esporádica à esquerda. Nega trauma testicular, orquite e criptorquidia. Ao exame físico, testículos simétricos com aproximadamente 18 ml de volume, sem nódulos palpáveis, pênis, epidídimos e deferentes normais, não se observa varicocele. Espermograma: volume de 2 ml, concentração de 58 milhões spz/ml, morfologia com 89% normais e motilidade (a+b) de 68%. FSH= 2,5. Ultrassom descreve cisto simples de 3 mm no maior diâmetro no parênquima testicular bilateralmente (Figuras 1 e 2). Beta-HCG, alfa-fetoproteína e LDH normais. Encontra-se em acompanhamento com ultrassom semestral há 1 ano e 9 meses, sem alteração ultrassonográfica dos cistos. Mantém quadro de infertilidade conjugal.


Figura 1


Figura 2

Discussão

A etiologia do cisto testicular simples é desconhecida. Entre as teorias propostas se destacam a traumática e a infecciosa nos adultos e anomalias congênitas nos infantes. A maioria é assintomático, geralmente encontrado incidentalmente em exames de ultrassonografia, realizados por outra razão ou após exame histopatológico pós- -orquiectomia. A apresentação clínica pode variar de aumento testicular doloroso ou não, orquialgia crônica ou ainda escroto agudo, simulando torção de cordão, quando ocorre hemorragia espontânea dentro do cisto.

Na série de Shergill et al. 71% dos cistos são localizados à direita, 25% à esquerda e 4% bilateramente 25% são múltiplos, com diâmetro máximo de 33 mm e mínimo de 1 mm, mediana do diâmetro de 6 mm. Cistos epididimários são encontrados em metade dos casos, ipsi ou contralateral.


Figura 3

O objetivo do diagnóstico é diferenciar o cisto simples de neoplasias císticas, o que pode, seguramente, ser estabelecido com o uso de ultrassom de alta frequência, não sendo necessária a remoção cirúrgica para confirmar o diagnóstico. Faz diagnóstico diferencial com cisto do epidídimo, cisto epidermoide, displasia cística e tumores de células germinativas, em especial com os teratomas.

O tratamento permanece controverso e pode incluir orquiectomia radical, enucleação do cisto ou vigilância. Os que defendem a cirurgia radical argumentam que pequenos focos de neoplasia não podem ser excluídos. A vantagem da enucleação é a preservação de parênquima testicular, destacando-se a falta de evidência de recorrência após este procedimento. No entanto, para cistos muito pequenos, a cirurgia poderá ser desafiadora, requerendo ultrassom transoperatório para sua localização. Recentemente, com a acurácia do ultrassom sendo de 99% para detecção de cisto simples, a conduta conservadora é possível. Kratzik et al. advogam que, para observação vigilante, o cisto deverá ser bem caracterizado pelo ultrassom, com avaliação nos eixos longitudinal e transversal, o cisto não poderá apresentar mudança ultrassonográfica ao longo do tempo e o paciente deve ter uma boa aderência ao programa de vigilância.

Inicialmente o acompanhamento sugerido era ultrassom com marcadores tumorais a cada quatro semanas, nos primeiros seis meses, a cada dois meses até o final do primeiro ano, a cada três meses até o final do segundo ano. Após o segundo ano o intervalo é de seis meses. Há trabalho com mediana de seguimento de 32 meses, variando de 6 a 124 meses, em que os pacientes não apresentaram alteração ultrassonográfica do cisto, portanto, sugerindo a possibilidade de intervalos maiores para a realização dos exames do seguimento.

O organograma adotado no nosso serviço para acompanhamento e tratamento dos cistos testiculares simples está ilustrado na Figura 3. Cisto simples sintomático confirmado por ultrassonografia, realiza-se a enucleação com preservação do parênquima, alertando a possibilidade que os sintomas podem persistir após o procedimento. Os assintomáticos serão seguidos com exames ultrassonográficos a cada seis meses. Caso haja dúvida quanto à natureza do cisto, considerar a excisão para confirmação histológica.

Não encontramos referências na literatura associando o cisto testicular simples com infertilidade no nosso caso, esta possibilidade pode ser excluída, visto que o espermograma é normal.

Conclusão

O cisto testicular simples tem sido mais diagnosticado com o uso disseminado do ultrassom escrotal. Os aparelhos ultrassonográficos de alta frequência têm uma alta acurácia na caracterização do cisto, permitindo conduta conservadora na maioria dos casos. Não parece haver relação com infertilidade.




Bibliografia
1. Hatsiopoulou O, and Dawson C: Simple intratesticular cysts in adults: a diagnostic dilemma. BJU Int 88: 248-250, 2001.
2. Schmidt SS. Congenital simple cyst of the testis: a hitherto undescribed lesion. J Urol 1966 96: 236.
3. Khorsandi M, Lobby N, and Harkaway RC: Testicular cysts: management and literature review. J Am Osteopath Assoc 10: 537-538, 1999.
4. Dogra VS, Gottlieb RH, Rubens DJ, Liao L. Benign intratesticular cystic lesions: US features. Radiographics. 2001 Oct21 Spec No: S273-281.
5. Shergill IS, Thwaini A, Kapasi F, Potluri BS, Barber C. Management of simple intratesticular cysts: a single-institution 11-year experience. Urology. 2006 Jun 67(6):1266-1268.
6. Kratzik C, Hainz A, Kuber W et al. Surveillance strategy for intratesticular cysts: preliminary report. J Urol 1990 143:313-5.
7. Hamm B, Fobbe F, and Loy V: Testicular cysts: differentiation with US and clinical findings. Radiology 168: 19-23,1988.