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Normas de Publicação da RBM Revista Brasileira de Medicina



Pérola Cosmética
Maquiagem e camuflagem
Meire Odete Américo Brasil Parada
Dermatologista pela SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia). Médica colaboradora do Setor de Cosmiatria - Departamento de Dermatologia - Unifesp-EPM.
Solange Pistori Teixeira
Dermatologista pela SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia). Médica colaboradora do Setor de Cosmiatria - Departamento de Dermatologia - Unifesp-EPM. Mestre em Dermatologia pela Unifesp-EPM.
Departamento de Dermatologia - Setor de Cosmiatria da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina, São Paulo, Brasil
Correspondência: UNICCO - Unidade de Cosmiatria, Cirurgia e Oncologia - Departamento de Dermatologia - UNIFESP - Rua Estado de Israel, 192 - CEP 04022-000 - São Paulo - SP.
As autoras declaram não haver conflito de interesses com potenciais produtos citados.

Indexado na Lilacs Virtual sob nº LLXP: S0034-72642008000900008

Numeração de páginas na revista impressa: 33 à 37

Resumo


O principal objetivo da Dermatologia é a prevenção e cura das doenças da pele, porém, nem sempre é possível atingir esse propósito, o que leva o paciente, muitas vezes, a ter de conviver com lesões inestéticas, deformantes.

A camuflagem cosmética é uma modalidade terapêutica desenvolvida para diminuir o sofrimento de pacientes com lesões deformantes congênitas ou adquiridas, não acessíveis a tratamentos clínicos ou cirúrgicos, permitindo uma melhora na aparência.

Estudos sobre o uso de camuflagem cosmética em pessoas com lesões desfigurantes mostram melhora significativa na qualidade de vida desses indivíduos.

Atualmente, todos os dermatologistas deveriam estar familiarizados com os produtos de maquiagem corretiva para melhor ajudar seus pacientes com dermatoses desfigurantes.

Introdução

A camuflagem cosmética é uma modalidade terapêutica que vem sendo desenvolvida para aliviar o sofrimento de pacientes com lesões deformantes congênitas ou adquiridas não acessíveis a tratamentos clínicos ou cirúrgicos, permitindo uma melhora na aparência.

Foi introduzida como um procedimento médico após a Segunda Guerra Mundial na reabilitação de pilotos com queimaduras severas(1) e, atualmente, todos os dermatologistas deveriam familiarizar-se com produtos de camuflagem cosmética para melhor auxiliar seus pacientes.

Estudos de avaliação do efeito da camuflagem cosmética na qualidade de vida de pacientes com enfermidades desfigurantes mostram que a maquiagem médica corretiva melhora significantemente a qualidade de vida desses pacientes(2,3).

Indicação da camuflagem cosmética

O dermatologista tem como objetivo principal à prevenção ou a cura das doenças da pele porém, este objetivo nem sempre é alcançado, o que leva o paciente, muitas vezes, a ter de conviver com lesões inestéticas, deformantes.

Nestes casos, a maquiagem dermatológica corretiva traz uma solução estética aos pacientes que apresentam estas dermatoses.
As dermatoses que mais freqüentemente trazem transtornos estéticos são as lesões vasculares, os distúrbios da pigmentação, doenças crônicas da pele, cicatrizes, alterações transitórias pós-cirúrgicas que podem ser originadas por múltiplas etiologias (Tabela 1).

Pessoas com deformidades faciais, não importa se grandes ou pequenas, se originárias de doenças, traumas, anomalia congênita, podem utilizar produtos e técnicas de maquiagem para camuflar o problema.



Produtos de maquiagem e camuflagem

Produtos de maquiagem incluem vários itens que são usados na face, pálpebras e área dos olhos.

Na face geralmente são utilizadas as bases, pó, pó-compacto, ruge em pó ou em creme.

Na área dos olhos usa produtos cremes, pós e lápis para o contorno dos olhos, sombras coloridas, delineadores, rímel e lápis de sobrancelhas.

Nos lábios se utilizam batons, brilhos e lápis para o contorno dos lábios.
Os produtos para a camuflagem são preparações especiais e não produtos que variam com a moda e que estão destinados apenas ao embelezamento. São indicados para cobrir imperfeições de pessoas de qualquer idade, sexo ou grupo étnico.

Um bom corretivo cosmético deve conter algumas características específicas(4,5):

1. Promover uma aparência natural
2. Opacidade: a maquiagem corretiva tem de ser capaz de cobrir todos os tipos de alteração de coloração
3. Não ser gordurosa: não manchar as roupas
4. Ser à prova d’água: ser resistente a água para poder ser utilizada na chuva, piscina e outras atividades esportivas
5. Fácil de aplicar: dificuldade na aplicação desestimula o uso
6. Longa duração: para dar segurança pessoal em caso de uso prolongado e fácil de ser retocada, quando necessário
7. Poder ser usada em todos os tipos de pele
8. Não conter perfumes, não ser irritante, não ser sensibilizante, não ser fotossensibilizante e ser não comedogênica
9. A maquiagem corretiva deve também combinar com todos os tons de pele de diferentes grupos étnicos e para isso deve ser disponível em diferentes cores e nuances.

Os produtos de camuflagem cosmética têm melhorado muito nos últimos anos, com novos ativos que conferem benefícios adicionais como a fotoproteção.

Existem quatro formulações básicas de corretivos: formulações em base oleosa, em base aquosa, livre de óleo, livre de água (fórmulas anidróticas)(5).

1. Formulações oleosas são usadas em pele seca, emulsões em água e em óleo contêm pigmentos suspensos em óleo, como, por exemplo, óleo mineral, álcool lanolina, óleos vegetais (coco, gergelim, cártamo) ou ésteres sintéticos (isopropil, miristato, octil palmitato, isopropil palmitato). Após a aplicação eles se misturam no sebo, a água evapora e o pigmento fica na fração oleosa na pele.
2. Formulações em base aquosa são usadas em pele normal a seca. Elas contêm grande quantidade de água e pequena quantidade de óleo com pigmentos suspensos em emulsão. Contêm emulsificantes, como a trietanolamina, ou surfactantes não iônicos ou emulsificantes, como glicerilestearato ou propilenoglicol estearato.
3. Preparados livres de óleo são usados na pele oleosa. Eles contêm derivados do silicone, como dimeticone ou ciclometicone, no lugar do óleo.
4. Formulações livres de água contêm óleos misturados em cera. Formam um creme que incorpora grandes quantidades de pigmento. Os agentes usados mais freqüentemente para colorir são dióxido de titânio, óxido de ferro e azul ultramarinho que são opacos e à prova d’água. Preparações para camuflagem cosmética são geralmente formuladas como creme. São mais espessas mais oclusivas e proporcionam melhor cobertura.

Bases faciais estão disponíveis para diferentes finalidades, ou seja, com efeito “matte” (sem brilho), semi-“matte”, semi-“matte” hidratante e brilhante. As bases, com efeito, “matte” são apropriadas para a maquiagem com finalidade de camuflagem. As bases podem ser líquidas, em forma de mousse, cremosas, em bastão, compactas ou em loção.

Lesões da pele e maquiagem para
camuflagem 


A escolha de um cosmético para camuflagem depende da lesão da pele a ser ocultada. A avaliação da lesão desfigurante deve ser analisada de acordo com a forma, tamanho, cor e localização. A característica da pele também deve ser determinada de acordo com a textura, hidratação, cor e oleosidade.

As lesões da pele podem ter uma alteração muito discreta na textura e apenas se deve mudar a coloração ou pode ser mais complexa.
Alterações médias podem ser cobertas com uma simples base, com ou sem a correção da cor. Lesões desfigurantes mais severas requerem total apagamento, com cremes mais opacos e espessos. A cor da lesão também precisa ser neutralizada.

Infelizmente, as bases para camuflagem podem acentuar as irregularidades da superfície da pele, como cicatrizes, e estruturas da pele normal, como poros e rugas. Uma cicatriz deprimida geralmente parece mais escura do que a pele ao redor, mesmo que a mesma base tenha sido aplicada, por causa da presença das sombras. Portanto, um pó mais claro deve ser aplicado sobre a cicatriz. Caso a cicatriz seja elevada, um pó mais escuro deve ser aplicado.

Outros cosméticos faciais como sombra para os olhos, delineador, rímel, blush e batom são geralmente aplicados para dar melhor aparência.


Figura 1 - Triângulo cromático.

Cores corretoras

As emulsões que contêm pigmentos de origem mineral como dióxido de titânio, óxido de ferro, azul ultramarinho etc. são utilizadas para neutralizar as alterações de pele de cor vermelha ou roxa.

A potência da neutralização é baseada no conceito colorimétrico, ou seja, de acordo com a cor da lesão que necessita ser neutralizada, deve-se usar a cor localizada no lado oposto do “triângulo cromático” (Figura1).


Doença enxerto contra hospedeiro vitiligóide
(antes e pós-camuflagem).


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Cicatriz de pioderma gangrenoso
(antes e pós-camuflagem).


Observando o “triângulo cromático” deduz-se que para neutralizar a cor roxa deve utilizar-se a cor amarela e para neutralizar o vermelho, deve-se aplicar o verde.

A utilização deste conceito resulta em:

· As lesões da pele de cor marrom ou roxa, como hemangiomas, equimoses, hematomas, nevos melanocíticos e hiperpigmentação periorbitária (olheiras), são neutralizadas com a cor amarela.
· As lesões avermelhadas, como acne, angiomas, púrpuras, rosácea, eritema pós-laser ou pós-peeling, são neutralizadas com cor verde.

Técnicas de camuflagem cosmética

O processo de executar uma maquiagem para camuflagem inclui os seguintes passos:

1. Limpeza: antes de aplicar a camuflagem, a pele deve ser bem higienizada, não podendo restar nenhum resíduo na pele para não afetar a neutralização
2. Hidratação: aplicar um hidratante em creme, emulsão ou loção de acordo com o tipo de pele
3. Neutralizante: a lesão será neutralizada, utilizando a cor correta: para descoloração avermelhada aplicar um corretor de cor verde, para sombras amareladas aplicar um corretor roxo e para alterações cinza um corretor dourado é preferível
4. Escolher o tom: determinar o melhor tom da base que iguale ao tom da pele do paciente. Caso seja necessário misturar dois ou três tons de cores para determinar o tom correto. A base deverá ser aplicada suavemente, com leves toques, com o terceiro dedo ou com uma esponja em vez de ser friccionada. Esta técnica é necessária para melhor aderência
5. Pó: esperar secar a base por cinco minutos e aplicar um pó sem cor: silicato de magnésio ou kaolin (silicato de alumínio), que configura a resistência à água. O excesso de pó é removido com um pincel ou bola de algodão. Pacientes com pele extremamente seca não necessitam a aplicação do pó
6. Remoção da camuflagem: aplicar primeiro uma solução limpadora à base de água e após água com sabonete de limpeza é recomendado.

Conclusão

Camuflagem e maquiagem cosmética são partes importantes do arsenal dermatológico. Estas técnicas podem apagar ou minimizar anormalidades cutâneas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes com alterações desfigurantes temporárias ou permanentes. A familiaridade com estes produtos resulta em melhor cuidado do paciente, com melhora na auto-estima, evitando privação social e estigma.




Bibliografia
1. LeRoy L. Camouflage therapy. Dermatol Nurs 2000 12:415-442.
2. Holme SA, Beattie PE, Fleming CJ. Cosmetic camouflage advice improves quality of life. Br J Dermatol 2002 147:946-9.
3. Kent G. Testing a model of disfigurement: effects of a skin camouflage service on well-being and apparence anxiety. Psychol Health 2002: 17:377-86.
4. Wesrtmore MG. Camouflage and makeup preparations. Clinics in Dermatol 2001 19(4):406-412.
5. Antoniou C, Stefanaki C. Cosmetic camouflage. JCD 2006 5(4):297-301.
6. Draelos ZD. Cosmetics.[on line] artigo atualizado em 16 fev, 2007 emedicine disponível em www.emedicine.com