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Editorial
A Imunologia e o Reumatologista
Os Editores
Sinopse de Reumatologia

Neste fascículo damos prosseguimento à série de Imunologia enfocando os linfócitos B. Por muitas décadas, os linfócitos B foram entendidos como células cuja principal função era o reconhecimento de antígenos e diferenciação em plasmócitos produtores de anticorpos. Não se conheciam subtipos de linfócitos B e sua diversidade era exclusivamente baseada na classe isotípica e na especificidade das imunoglobulinas que produzia. Progressivamente, foram feitas várias descobertas a respeito desses linfócitos e hoje se sabe que essas células exercem várias funções e participam de diversos processos imunológicos.

O desenvolvimento da linhagem B está fenotipicamente bem mapeado pela expressão dinâmica de moléculas intracelulares e de membrana, como a desoxinucleotidiltransferase terminal (TdT), RAG1, RAG2, CD10, CD19, CD20, CD22, CD220, BLYSS, APRIL, TACI e imunoglobulinas. Também estão esclarecidos vários dos mecanismos de geração e manutenção da tolerância dos linfócitos B em nível central e periférico. As vias de transdução de sinal a partir do encontro do receptor de linócitos B (Ig de superfície) e seu antígeno relevante estão dissecadas do ponto de vista molecular, estando identificados os protagonistas intermediários, os fatores de transcrição e os genes que, quando ativados, induzem a transformação em células B ativadas capazes de proliferação e diferenciação.

Uma função anteriormente não conhecida e hoje bem estabelecida é a de apresentação de antígenos pelos linfócitos B. Isto ocorre a partir da interiorização do antígeno após interação com a Ig de superfície. Após processamento e incorporação a moléculas do MHC, os peptídeos derivados desses antígenos são expressos na superfície para serem reconhecidos por linfócitos T específicos.

A descoberta de receptores para fração C3d do complemento (receptores CR2) levou ao entendimento de que anticorpos capazes de fixar complemento permitem uma amplificação da resposta humoral, mediante interação de C3d com CR2, que gera um segundo sinal contribuindo para ativação dos linfócitos B. A recente descoberta de que os linfócitos B apresentam receptores TLR (TLR-2, TLR-3, TLR-5 TLR-7 e TLR-9) colocou essas células, precipuamente envolvidas na imunidade adquirida, no cenário da imunidade inata. Este é um conceito novo que pode expandir em muito o âmbito de ação dos linfócitos B. De fato, alguns outros elementos sugerem que os linfócitos B realmente colaboram na linha de frente da imunidade, ou seja, no braço inato da imunidade. Parte dos linfócitos B sintetiza imunoglobulinas sem qualquer estímulo prévio (anticorpos naturais) e esses anticorpos têm especificidade para diversos antígenos e baixa afinidade, contribuindo decisivamente para o reconhecimento imediato e para primeira resposta a microorganismos variados.

Linfócitos B1, B2, B-CD5+, BREG? Sim! Assim como os linfócitos T, presenciamos hoje progressiva compartimentalização de subtipos de linfócitos B com funções diferenciadas. Os linfócitos B reguladores (BREG) são produtores de IL-10 e TGF-b, e são capazes de promover a diferenciação de células TREG e inibir a diferenciação de linfócitos T CD4+, CD8+ e células NK. Os linfócitos tradicionais, que reagem a estímulo antigênico e promovem a secreção de anticorpos são os linfócitos B2. Entretanto, existe um subtipo menos evidente, os linfócitos B1, com marcadores de superfície próprios e que ocupam nichos anatômicos específicos, principalmente as cavidades revestidas por membranas mesoteliais. Os linfócitos B1 parecem representar a primeira linha de defesa contra infecções sistêmicas direcionadas a vírus e bactérias e são de fundamental importância para o equilíbrio homeostático do organismo produzindo anticorpos poli-reativos e de baixa afinidade, importantes para remoção de debris celulares.

Dentre os desdobramentos nas pesquisas sobre os linfócitos B, aqueles que talvez sejam mais intrigantes advêm do uso de anticorpos monoclonais contra moléculas de superfície (CD20, CD22) e citocinas (APRIL, TACI, BLYSS) dessas células. O surpreendente efeito do rituximab, monoclonal anti-CD20, em enfermidades como a artrite reumatóide e o lúpus eritematoso sistêmico, sugerem que os linfócitos B tenham um papel muito mais amplo que o originalmente imaginado na fisiopatologia dessas enfermidades. Muito mais está por vir, assinalando a importância do conhecimento e familiarização do reumatologista com todos os componentes do sistema imunológico, em geral, e com os linfócitos B, em particular.