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Relato de Caso
Torção testicular em triorquidismo
Jorge Salim Rustom Jr., Fabio Lorenzetti, André Leal Guedes, Mateus de Ávilla Campanholi, Moacyr Pezati Rigueiro, Marcus Vinícius Xavier Veloso
Hospital Santa Marcelina de Itaquaquecetuba, São Paulo.

Unitermos: triorquidismo, anomalia congênita

Numeração de páginas na revista impressa: 21 e 22

Introdução


O triorquidismo (TO) é uma rara anomalia congênita, definida como a presença de dois ou mais testículos ipsilaterais. Historicamente, o primeiro caso de descrição histológica foi por Ahlfeld, em 1880, e a primeira descrição clínica foi Lane, em 1895(1).
São descritos pouco mais de cem casos na literatura. O mecanismo embriológico do triorquidismo não está bem estabelecido. O desenvolvimento normal começa na sexta semana com a formação da prega genital, após a oitava semana ocorre uma condensação da prega genital com o ducto mesonéfrico. A duplicação testicular ocorre antes da oitava semana devido à divisão transversa ou longitudinal da prega genital. Dependendo do local da divisão o testículo supranumerário apresenta pedículo vascular e epidídimo próprio ou ausência de alguma destas estruturas(2,3).
O triorquidismo é uma rara anomalia congênita, podendo estar associada à criptorquidia, hérnia, malignização, atrofia e torção testicular. A maioria dos casos são pouco sintomáticos e o diagnóstico é feito pela ultra-sonografia, ressonância magnética, biópsia testicular e exploração testicular. O tratamento conservador é a escolha nos casos não complicados.

Os autores relatam um caso de duplicação testicular esquerda com torção do testículo superior, sendo realizado orquiectomia e orquidopexia do testículo remanescente.

Relato do caso

Paciente de 23 anos com quadro de dor testicular esquerda há oito dias. O paciente refere aumento de bolsa testicular esquerda de longa data, sem outros sintomas. O exame físico demonstrou escroto esquerdo aumentado e massa dolorosa na porção superior do testículo esquerdo. Realizada ultra-sonografia que revelou massa justatesticular esquerda hipoecogênica de 4 x 2,5 cm sem fluxo ao Doppler e testículo direito normal. Foi realizada exploração testicular esquerda, demonstrando testículo supranumerário superior de aspecto enegrecido e com torção de cordão espermático de 720o (Figura 1). O testículo supranumerário possuía epidídimo próprio unido ao epidídimo pertecente ao outro testículo. Foi realizada a orquiectomia do testículo supranumerário e orquidopexia do testículo remanescente. O paciente teve boa evolução sendo que o anatomopatológico revelou testículo com infarto hemorrágico.


Figura 1 - A: testículo normal, B: testículo supranumerário com torção.

Discussão

A incidência das manifestações clínicas do triorquidismo ocorre entre 15 e 25 anos, sendo mais comum do lado esquerdo (66% a 75%)(2,4,5) e bilateralmente em 5%(5). Outros locais também encontrados são o canal inguinal (20%)(4) e o abdome(5%)(2,5).
A apresentação clínica mais freqüente é de massa escrotal ou inguinal pouco dolorosa (66%)2, divergindo do nosso caso que se apresentou na forma complicada (torção) desta doença. O diagnóstico de TO é dado pelo quadro clínico, aspecto ultra-sonográfico, ressonância nuclear magnética e biópsia testicular. O aspecto ao ultra-som revela um tecido de mesma ecogenicidade, podendo ter medidas testiculares diferentes(1,2,5,6). Em nosso caso o aspecto ultra-sonográfico demonstrou uma massa hipoecogênica sem fluxo ao Doppler. Para alguns autores(1,2,5), a ressonância nuclear magnética pode ser utilizada também como meio diagnóstico, principalmente em casos complicados ou suspeitos de neoplasia.

As anormalidades associadas ao TO incluem criptorquidismo (15% a 40%), torção testicular (15%), hérnia inguinal indireta (30%), hidrocele (9%), alterações cromossomais (3%), tumores (1% a 7%) e atrofia testicular(1,4,6,7). O testículo extranumerário pode ser um achado na pesquisa desta doenças.

Os tumores mais freqüentes associados ao TO são: carcinoma embrionário, tumor de células germinativas, adenoma de rede testis e rabdomiossarcoma paratesticular(1).

O tratamento é conservador nos casos não complicados. Havendo complicações, como torção ou malignização, deve-se optar por tratamento cirúrgico(2,4). Segundo Alexander et. al. (1988), os casos de triorquidismo devem ser sempre explorados por apresentarem potencial risco destas complicações, podendo ser realizado a orquiectomia e/ou orquidopexia(1,2,6). Os autores optaram pela orquiectomia do testículo torcido e orquidopexia do testículo remanescente.




Bibliografia
1. Amodio J.B., Maybody M., Slowotsky C., Fried K., Foresto C.: Polyorchidism: report of 3 cases and review of literature. J Ultrasound Med 2004; 23:951-957.
2. Roessingh A.S.B., Ghoneimi A.E., Eneziam G., Aigrain Y.: Triorchidism and testicular Torsion in a Child. J Pediatr Surg 2003; 38:39.
3. Leung A.K.C.: Polyorquidism. Am. Fam. Physican 1988; 38(3):153-156.
4. Oner A.Y., Shain C.S., Kizilkaya E.: Polyorquidism: Sonographic and Magnetic Resonance Imagem Finding. Acta Radiol 2005; 46:769-771.
5. Thum G.: Polyorquidism: case report and review of literatura. The Journal of Urology 1991; 145:370-37.
6. Wiedemann A., Jaussi R., Rabs U.: Testicular Torsion in Testicular Duplication. Case report and review of the literature. Urology 2005; 44:162-165.
7. Gandia V.M., Arrizabalaga M., Leiva O., Gonzales R.D.: Polyorchidism discovered as testicular torsion associated with an undescend atrophic contra lateral testis: a surgical solution. The Journal of Urology 1997; 137:743-744.