Home Busca Avançada Normas de Publicação Assinaturas Fale Conosco
Contact Us
 
 

 

CopyRight
Moreira Jr Editora
Proibida a reprodução sem autorização expressa


 
sêlo de qualidade
Like page on Facebook



Revisão
Urolitíase: vale a pena a investigação
Valdemar Ortiz
Disciplina de Urologia da Escola Paulista de Medicina-Unifesp-EPM.



Numeração de páginas na revista impressa: 42 e 43

A litíase urinária é altamente prevalente e, em algumas regiões do planeta, aproxima-se de 15%. Cerca de 30% dos portadores da doença necessitam de hospitalização e 15% são submetidos a algum procedimento para tratamento do cálculo. Por prevalecer em adultos jovens, seu impacto socioeconômico é considerável.

Embora sua prevalência e sua importância clínica e social sejam tão elevadas, é uma doença cuja etiopatogenia é ainda pouco conhecida. Nos últimos 25 anos o número de trabalhos científicos que abordou sua fisiopatogenia foi pequeno e constante, quando comparado com outras doenças menos importantes.

É sabido que, além de prevalente, a litíase é altamente recorrente, admitindo-se que, em dez anos, 50% dos portadores da doença terão novos episódios. Por outro lado, em 85% das vezes ocorrerão entre um e três novos episódios nesse período. Ou seja, no máximo um a três episódios em dez anos.
Se apenas 15% dos pacientes apresentam quatro ou mais episódios em dez anos, vale a pena a avaliação metabólica indiscriminada?

Alguns questionamentos podem ser feitos em relação à doença e ao seu tratamento preventivo:

· Se a litíase não costuma ser uma doença fatal;
· Se a endourologia e a LECO são bastante eficazes;
· Se distúrbios metabólicos são detectados em mais de 80% dos casos;
· Se as drogas para tratamento preventivo apresentam eficácia duvidosa;
· Se a aderência ao tratamento é muito baixa;
· Se as drogas causam efeitos colaterais a curto e longo prazo;
· Se aumentar a ingestão hídrica reduz a recorrência ...

... Por que devo investigar?

Estudos de metanálise demonstram que as drogas empregadas no tratamento preventivo da litíase apresentam alguma ação. Em 13 estudos controlados, 9 se mostraram favoráveis à intervenção da droga. Entre os diuréticos tiazídicos, cinco dos sete estudos, demonstraram benefícios. Com relação ao citrato, há apenas três estudos, sendo dois a favor da droga. Para o alopurinol, três dos quatro estudos não mostraram vantagem da droga.

A litíase urinária é altamente prevalente e, em algumas regiões do planeta, aproxima-se de 15%. Cerca de 30% dos portadores da doença necessitam de hospitalização e 15% são submetidos a algum procedimento para tratamento do cálculo. Por prevalecer em adultos jovens, seu impacto socioeconômico é considerável.

Os estudos controlados existentes apresentam uma série de imperfeições: critérios de inclusão e exclusão maldefinidos, amostras pequenas, populações heterogêneas, grupo-controle sem placebo, curta duração e desfechos não uniformes.

As drogas causam uma série de efeitos colaterais, sobretudo quando empregadas a longo prazo. Os tiazídicos produzem: hiponatremia, alcalose hipoclorêmica, hipopotassemia, hipocitratúria, hiperuricemia e gota, hiperglicemia, disfunção erétil, além de reduzir o efeito dos hipoglicemiantes orais. A aderência por parte dos pacientes não ultrapassa 50%.

O citrato pode causar efeitos colaterais gastrointestinais como náuseas, distensão abdominal e diarréia. A aderência também não passa de 50%.

A recomendação com maior índice de aderência, após cinco anos, é o aumento da ingestão hídrica (60%). Quando se recomenda beber mais líquidos e fazer alguma dieta a aderência é de apenas 40%; para beber mais líquidos e ingerir algum medicamento, de 30%; beber mais líquido, uma dieta específica e algum medicamento é de 5%.

E com relação à avaliação metabólica simplificada? O dr. Pak, autoridade mundial, recomenda apenas uma amostra de 24 horas. O dr. Coe, outra autoridade mundial, questiona o exame simplificado. E nós?

Menos proteína animal? Menos sal? Chá de quebra-pedra? Pílulas?

Talvez haja um meio termo que possa ser recomendado para todos: bebam mais líquidos!




Bibliografia
1. Gambaro - Eur Urol, 2004; 45: 547-56.
2. Vahlensieck - Urologe, 1980; 20: 273-76.
3. Schneider - Eur Urol, 2000; 37: 339-44.
4. Pearle - J Endourol, 1999; 13: 679-84.
5. Tiselius - BJU Int, 2001; 88: 158-68.
6. Debruyne - Urology, 1998; 52: 384-91.
7. Pak - J Urol, 2001; 165: 378-81.
8. Coe - J Urol, 2002; 167: 1607-612.