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Tópicos em... terapêutica
Avaliação clínica da eficácia e segurança da associação hidróxido de alumínio, ácido acetilsalicílico, maleato de mepiramina e cafeína* no tratamento sintomático de cefaléia, náuseas e fadiga/mialgia após o uso de bebidas alcoólicas
The efficacy and safety of the association of aluminium hydroxide, acetylsalicylic acid, mepyramine maleate and caffeine in the treatment of headache nausea and fatigue/myalgia after alcohol ingestion


Elisa Guelere Paris
Diretora médica da Clínica Paris & Paris.
Elie Fiss
Professor doutor da Faculdade de Medicina do ABC.
Dagoberto de Castro Brandão
Diretor médico da PHC (Pharma Consulting).
*Hidróxido de alumínio, ácido acetilsalicílico, maleato de mepiramina e cafeína - ENGOV - DM Indústria Farmacêutica Ltda.

© Copyright Moreira Jr. Editora.
Todos os direitos reservados.

Unitermos: cefaléia, náusea, fadiga, ingestão de bebida alcoólica.
Unterms: headache, nausea, fatigue, alcohol ingestion.

Numeração de páginas na revista impressa: 23 à 27

RESUMO


A associação hidróxido de alumínio, ácido acetilsalicílico, maleato de mepiramina e cafeína (ENGOV) foi avaliada quanto a eficácia e segurança no tratamento sintomático de cefaléia, náuseas e fadiga/mialgia após o uso de bebidas alcoólicas, sintomas denominado "ressaca". Foram avaliados 99 pacientes divididos em quatro grupos com idade entre 18 e 40 anos, de acordo com a posologia indicada: Grupo A: pacientes que utilizaram um comprimido no episódio de "ressaca" e depois de 60 minutos da ingestão, não tomaram mais comprimidos; Grupo Aa: pacientes que tomaram um comprimido no episódio de "ressaca" e 60 minutos depois, permanecendo os sintomas, tomaram mais um comprimido do medicamento; Grupo Ab: pacientes que tomaram um comprimido no episódio desses mesmos sintomas e 60 minutos depois, permanecendo os sintomas, tomaram mais dois comprimidos do medicamento; Grupo Ac: pacientes que tomaram um comprimido no episódio e 60 minutos depois, permanecendo os sintomas, tomaram mais três comprimidos do medicamento. Os resultados obtidos relacionados à segurança do uso da medicação demonstraram excelente tolerabilidade para todos os casos em todos os grupos de posologia. Não foram relatadas reações adversas. Diante do conjunto de informações obtidas neste estudo, ficou demonstrada a excelente eficácia e tolerabilidade da associação hidróxido de alumínio, ácido acetilsalicílico, maleato de mepiramina e cafeína no tratamento sintomático de cefaléia, náuseas e fadiga/mialgia após o uso de bebidas alcoólicas.

INTRODUÇÃO

Ingerir grandes quantidades de bebidas alcoólicas normalmente leva ao surgimento de um conjunto de sintomas denominado "ressaca". Os sintomas incluem dor de cabeça, náuseas, tontura, vômito, sensação de desconforto, dor de estômago, sonolência, irritabilidade, dificuldade de concentração e fadiga/mialgia. O diagnóstico é feito através da observação dos sintomas e sinais clínicos; os mesmos geralmente desaparecem em 24 horas(1).

Quando ingerido, o álcool vai direto para fígado onde é metabolizado e depois cai na corrente sangüínea. De lá ele é levado até o cérebro. A sensação inicial é de euforia e desinibição. Mas em longo prazo, ele passa a ter o efeito depressivo e acaba causando sonolência e diminuição dos reflexos. Aos poucos ele vai sendo absorvido pelo organismo(1).

O etanol faz com que o corpo perca muita água através da urina, ou seja, ele age como diurético, o que pode desidratá-lo. A ingestão de 50 g de álcool em 250 mL de água, faz com que sejam eliminados de 600 mL a 1 litro de água no decorrer de várias horas. Já o desequilíbrio eletrolítico é algo que ocorre quando a pessoa perde muito líquido na forma de urina, suor e vômitos, de maneira que a concentração de sais no sangue fica muito baixa. Isso é o que leva a típica secura da boca (e outras mucosas), sede e tontura(2).

Distúrbios do sistema digestivo
O álcool irrita a parede do estômago e dos intestinos, causando gastrite e retardo no esvaziamento do estômago. Causa o acúmulo de gorduras no fígado e aumento da produção dos sucos gástrico e pancreático e secreções intestinais. Tudo isso leva à náusea, mal-estar, dor no estômago, vômitos(2).

Metabólitos do álcool
O álcool é metabolizado em dois passos: primeiro convertido a acetaldeído, através da enzima álcool-desidrogenase (ADH), e depois a acetato, através da aldeído-desidrogenase (ALDH). Esta última enzima não permite que o acetaldeído se acumule no sangue. Seus efeitos tóxicos incluem pulso acelerado, suor excessivo, fluxo de sangue para a pele, náuseas e vômitos. Apesar da concentração de acetaldeído no sangue ser praticamente zero quando a ressaca atinge seu pico, ou seja, quando a concentração de álcool também é quase zero, acredita-se que os efeitos do acetaldeído perdurem por algum tempo após sua eliminação. Além disso, algumas pessoas possuem variantes genéticas da ALDH que permitem o acúmulo de acetaldeído. Estas pessoas passam mal com pequenas quantidades de álcool ingeridas(2).

O tratamento da "ressaca" é dirigido ao alívio dos sintomas, como o que proporciona o Engov. Esse medicamento é composto por hidróxido de alumínio que lhe confere ação antiácida, ácido acetilsalicílico, analgésico, maleato de mepiramina que apresenta atividade anti-histamínica e anti-emética e a cafeína, um estimulante suave do sistema nervoso central que associado a analgésicos auxilia no alívio da dor.

Este estudo visou suprir as exigências das agências regulatórias para determinar o resultado do risco/benefício a curto e longo prazo das formulações dos princípios ativos em questão, o valor terapêutico e reações adversas freqüentes.


Figura 1 - Dados demográficos - distribuição por raça.




Figura 2 - Dados demográficos - distribuição por sexo.




Figura 3 - Dados demográficos - distribuição por idade.



MATERIAIS E MÉTODOS

Tratou-se de um estudo multicêntrico, fase IV, simples, prospectivo, multidisciplinar para avaliar a eficácia e segurança do uso do ENGOV no tratamento sintomático de cefaléias, náuseas e fadiga/mialgia após o uso de bebidas alcoólicas.

Dados demográficos
Foram tratados com ENGOV 99 pacientes, distribuídos em quatro raças: mulato, negro, asiático e caucasiano. Os caucasianos predominaram, seguidos de mulatos e negros.

A maioria dos pacientes tratados foi do sexo masculino, correspondendo a 52,5% da população total.

O parâmetro idade apresentou predominância de jovens, com idades que variavam 18 a 25 anos.

Avaliação de eficácia

Método 1
A eficácia foi avaliada pelo paciente e pelo médico através de uma escala analógica para avaliar a intensidade dos sintomas pré e pós-tratamento.

O paciente marcou em um diário recebido na visita de randomização, com caneta de tinta preta na escala analógica(3-5) o ponto correspondente à intensidade dos sintomas antes da administração do medicamento. O mesmo procedimento foi repetido após 60 minutos da administração da medicação. Foi avaliado apenas um episódio dos sintomas.

O paciente foi questionado sobre sua opinião quanto à eficácia da medicação classificando-a nas seguintes categorias:

· Excelente: ausência total dos sintomas;
· Muito boa: melhora geral dos sintomas;
· Boa: melhora leve dos sintomas;
· Regular: melhora discreta dos sintomas;
· Ruim: piora ou inalteração dos sintomas.

Método 2
O investigador verificou a variação entre a intensidade dos sintomas pré e pós-tratamento (através das alterações na escala visual analógica 0 a 10 cm) e, utilizando o Quadro 4, classificou a eficácia do medicamento.

Método 3
Finalmente, para a conclusão sobre a eficácia do medicamento do estudo, o médico investigador levou em consideração os métodos de avaliação 1 e 2 e posicionou-se em relação à eficácia.Caso as opiniões obtidas pelos métodos 1 (avaliação da eficácia, considerando as observações registradas no diário do paciente) e 2 (opinião do investigador) fossem divergentes, o investigador deveria fornecer sua opinião final baseado em sua experiência clínica, expertise como pesquisador e no quadro clínico do sujeito.





Avaliação de tolerabilidade
A avaliação da tolerabilidade foi realizada através da observação dos eventos adversos relacionados à medicação do estudo, conforme avaliação de causalidade e obedecendo aos critérios descritos no Quadro 5.

Medicação do estudo
Posologia e administração: 1 a 4 comprimidos de ENGOV por dia.

Como medicação resgate, foi disponibilizado o próprio ENGOV. Depois de 60 minutos, caso os sintomas persistissem, os pacientes aumentariam a dose até quatro comprimidos; portanto, foram definidos quatro grupos de avaliação: Grupo A - pacientes que utilizaram um comprimido no episódio de "ressaca" e depois de 60 minutos da ingestão, por haver desaparecido os sintomas não tomaram mais comprimidos. Grupo Aa - pacientes que tomaram um comprimido no episódio de "ressaca" e 60 minutos depois, permanecendo os sintomas, tomaram mais um comprimido do medicamento. Grupo Ab - pacientes que tomaram um comprimido no episódio de "ressaca" e 60 minutos depois, permanecendo os sintomas, tomaram mais dois comprimidos do medicamento. Grupo Ac - pacientes que tomaram um comprimido no episódio de "ressaca" e 60 minutos depois, permanecendo os sintomas, tomaram mais três comprimidos do medicamento.

Duração do tratamento
O tratamento teve duração de um dia.


Figura 4 - Avaliação final de eficácia.


Figura 5 - Avaliação final de eficácia condensada.



RESULTADOS

Eficácia

Grupo A

Pacientes que utilizaram um comprimido no episódio de "ressaca" e depois de 60 minutos da ingestão, por haver desaparecido os sintomas, não tomaram mais comprimidos.

Grupo Aa
Pacientes que tomaram um comprimido no episódio de "ressaca" e 60 minutos depois, permanecendo os sintomas, tomaram mais um comprimido do medicamento.


Figura 6 - Avaliação final de eficácia.


Figura 7 - Avaliação final de eficácia condensada.



Grupo Ab
Pacientes que tomaram um comprimido no episódio de "ressaca" e 60 minutos depois, permanecendo os sintomas, tomaram mais dois comprimidos do medicamento.

Grupo Ac
Pacientes que tomaram um comprimido no episódio de "ressaca" e 60 minutos depois, permanecendo os sintomas, tomaram mais três comprimidos do medicamento.


Figura 8 - Avaliação final de eficácia.


Figura 9 - Avaliação final de eficácia condensada.




Figura 10 - Avaliação final de eficácia.


Figura 11 - Avaliação final de eficácia condensada.



Tolerabilidade
Ver Figura 12.

DISCUSSÃO E CONCLUSÃO

O presente estudo avaliou a eficácia e tolerabilidade do ENGOV para o tratamento sintomático de cefaléias, náuseas e fadiga/mialgia após o uso de bebidas alcoólicas. O número de pacientes no protocolo clínico foi de 99 pacientes. A demografia da população do estudo demonstrou que 54,5 % dos voluntários eram jovens (entre 18 e 25 anos) e que a maioria dos pacientes eram do sexo masculino, apesar da diferença ser pequena entre os sexos. Com relação à raça, a distribuição foi bastante distinta, predominando os caucasianos e mulatos.

De acordo com a metodologia desse estudo, o paciente poderia tomar até quatro comprimidos no episódio da "ressaca", por esse motivo apresentamos um grupo principal, Grupo A e três subgrupos, Grupo Aa, Grupo Ab e Grupo Ac. Todos os pacientes tomaram pelo menos um comprimido e depois dos 60 minutos exigidos para a avaliação, permanecendo os sintomas tomaram de um a três comprimidos.

O critério de eficácia avaliado foi a ausência dos sintomas, cefaléia, náuseas e fadiga/mialgia, após o uso de bebidas alcoólicas. Os pacientes relataram no diário individual qual era a intensidade dos sintomas antes e depois da administração do medicamento e os investigadores concluíram, baseados na avaliação clínica e observação dos relatos dos indivíduos, a eficácia final. Percebemos que o Grupo A, que representou a maior parte dos pacientes tratados (64 pacientes ingeriram apenas um comprimido), apresentou 79% de eficácia muito boa e excelente e que, apesar dos outros grupos manterem as avaliações em padrões de bons a excelentes, conforme aumentava a quantidade de comprimidos ingerida, aumentavam os índices de eficácia regular e ruim. Sobre esse fato pode discutir-se que os pacientes que tomaram mais que um comprimido, possivelmente, apresentaram um quadro de "ressaca" exacerbada. Considera-se "ressaca" exacerbada como sendo a aparição dos sintomas de forma mais intensa, ocasionado por maior ingestão de bebidas alcoólicas. Possivelmente são casos que precisariam de medidas mais intensas, como administração de glicose e de outras medidas para alívio dos sintomas de "ressaca".


Figura 12 - Avaliação de tolerabilidade.

Sobre a avaliação da tolerabilidade, pode-se afirmar que o medicamento é excelentemente tolerável, visto que não ocorreu reação adversa em nenhum paciente e, portanto, para todos os grupos a tolerabilidade foi ótima.

Diante dos resultados obtidos nesse estudo, conclui-se que:

1. O Engov, na população estudada, demonstrou ser muito eficaz no tratamento sintomático de cefaléia, náuseas e fadiga/mialgia de intensidade leve e moderada após o uso de bebidas alcoólicas;
2. A tolerabilidade ao medicamento ENGOV, quando utilizado no tratamento sintomático de cefaléia, náuseas e fadiga/mialgia de intensidade leve e moderada após o uso de bebidas alcoólicas, demonstrou ser excelente.




Bibliografia
1. http://www.acessa.com/viver/arquivo/vida_ saudavel/2004/02/16-ressaca/
2. http://www.projetoockham.org/boatos_ressaca_ 1.html
3. Bonica, J.J. - The management of pain. Philadelphia, Lea e Febiger, 1990.
4. Oliveira JR, J.O - Dor Oncológica. Acta Oncol. Bras.1994:14:11-5.
5. Wall, P.D & Melzack, R - Textbook of pain. Churchill-Livingstone, Edinburgh, 1990.
6. Brandão D.C. PHC - Pharma Consulting. Avaliação clínica da eficácia e segurança do uso de extrato padronizado da Córdia Verbenácea em pacientes portadores de tendinite e dor miofascial. Revista Brasileira de Medicina, 2005, vol. 62,pp.40-46.