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Comunicação
Perfil de conhecimento dos médicos no atendimento de parada cardiorrespiratória
Physicians' knowledge profile in sudden cardiac arrest treatment


Renata Barretto Coutinho Bezerra e Silva
Mestre em Medicina Interna - UFPE. Médica cardiologista do HUOC-UPE.
Brivaldo Markman Filho
Professor adjunto de Cardiologia - UFPE
Sandro Gonçalves de Lima
Mestre em Medicina Interna - UFPE. Médico intensivista do HC-UFPE.
Edgar Guimarães Victor
Professor titular de Cardiologia - UFPE.
Endereço para correspondência: Rua Estrela, 146/1701 - Parnamirim - Recife - PE - CEP 52060-160 - Fone: (81) 9974-2731 - E-mail: renata.bezerra@uol.com.br

Unitermos: parada cardiorrespiratória, tratamento, médico.
Unterms: sudden cardiac arrest, treatment, physician.

Numeração de páginas na revista impressa: 107 à 114

RESUMO


Foi realizado um estudo descritivo, com delineamento transversal, para avaliar o perfil de conhecimento, no atendimento de parada cardiorrespiratória (PCR), dos médicos plantonistas de emergências cardiológicas públicas da cidade do Recife. Os dados foram obtidos através da aplicação de um questionário que avaliava ações críticas no atendimento de PCR, de acordo com a American Heart Association/International Liaison Committee on Resuscitation, com escore de pontuação variando de zero a dez. Também foram analisadas variáveis como sexo, faixa etária, tempo decorrido desde a graduação médica, tempo de trabalho em emergência cardiológica, formação específica em cardiologia e em suporte avançado de vida em cardiologia (SAVC), tempo decorrido desde esta formação e conhecimentos a respeito do tipo de desfibrilador/monitor disponíveis no local de trabalho. Dos 34 indivíduos avaliados, 58,8% eram do sexo masculino. A maioria da população estudada (73,6%) encontrava-se na faixa de 20 a 40 anos. A média de acerto obtida na avaliação foi 6,5, com notas mínima e máxima de 2,0 e 9,0, respectivamente. Os médicos do sexo feminino apresentaram escore estatisticamente maior (p = 0,02). Os entrevistados com idade entre 31 e 40 anos obtiveram média de acerto estatisticamente mais alta (p = 0,05). Os plantonistas que realizaram o curso de SAVC nos últimos 6 a 12 meses, alcançaram um escore mais alto que aqueles que o haviam realizado nos 12 a 24 meses passados (p = 0,02). Não se pôde observar diferenças estaticamente significativas em relação às demais variáveis. Conclui-se que o desempenho teórico dos médicos plantonistas de emergências cardiológicas públicas da cidade do Recife, no que diz respeito ao conhecimento sobre o atendimento de PCR, não foi satisfatório, sugerindo a necessidade de que sejam realizados treinamentos freqüentes e regulares em reanimação cardiopulmonar.

Parada cardiorrespiratória (PCR) se constitui numa das formas mais dramáticas de emergência médica, podendo ocorrer em qualquer lugar e diante de qualquer indivíduo, esteja ele treinado ou não para a realização do atendimento inicial adequado.

Para que seja obtido um melhor potencial de recuperação e sobrevida após a ocorrência de uma PCR, faz-se necessária uma abordagem multifatorial e interligada, aplicando-se um novo conceito no atendimento cardíaco de emergência chamado corrente de sobrevida, consolidado por Cummins e cols., em 1991(1,2).

A corrente de sobrevida descreve uma seqüência de eventos e ações que devem ser estabelecidas, o mais rápido possível, para que possam ser obtidos os melhores resultados no atendimento cardíaco de emergência. Essa seqüência inclui: o reconhecimento precoce dos sinais de PCR, ativação de um sistema médico de emergência (SME), instituição de manobras básicas de reanimação cardiopulmonar (RCP), desfibrilação, intubação e administração de medicações(1). Em termos didáticos, quatro elos englobam essa corrente de sobrevida: acesso imediato (que inclui o reconhecimento precoce de uma PCR e o acesso rápido a um SME), início rápido de RCP básica, desfibrilação precoce e imediata instituição de manobras de suporte avançado de vida em cardiologia (SAVC)(1-4). Faz-se necessário que cada elo dessa corrente esteja bem fortalecido e eficientemente conectados entre si, para uma maior possibilidade de reanimação com sucesso. O enfraquecimento de qualquer uma das partes reduz, sobremaneira, as chances de sobrevida, condenando os SME a resultados pouco expressivos, no que tange às manobras de RCP(2,5-9). Para que cada elo seja reforçado é necessário o treinamento de profissionais da saúde e mesmo da população leiga.

Apesar dos esforços para otimização do atendimento cardíaco de emergência, as taxas de sucesso em PCR ocorridas no ambiente hospitalar ainda permanecem baixas, com 0% a 30% dos pacientes atingindo a alta hospitalar(10-13). Essa baixa taxa de sucesso também tem sido atribuída a uma possível falha no treinamento e formação dos médicos e outros profissionais de saúde, no que diz respeito ao atendimento de emergência, mais especificamente em SAVC(14). Apesar dos anos de estudo e prática médica, ainda existem falhas importantes no atendimento da PCR e de emergências médicas em geral, o que tem sido comprovado por inúmeros autores(15-21).

Há mais de três décadas se tem recomendado o treinamento de todos os profissionais de saúde em suporte básico de vida (SBV)(22). No entanto, na atualidade, o número de profissionais adequadamente treinados em SBV e SAVC, bem como a parcela de instituições que oferecem treinamento (eventual ou não), ainda é reduzido no Brasil(23-26).

Nos EUA, desde 1974, vem-se investindo, por iniciativa da American Heart Association (AHA), no treinamento em suporte básico e avançado de vida, os chamados cursos de SBV e SAVC. Tem sido bem demonstrado que o treinamento de médicos, enfermeiras, paramédicos e leigos vem produzindo melhora, mesmo que discreta, no percentual de pacientes submetidos a manobras de RCP, tanto em ambiente hospitalar quanto fora do hospital. Essa melhora também pode ser observada nos índices de reversão da PCR e de sobrevida(8,9,27-37). E, embora não obrigatório por lei, todas as pessoas ligadas ao atendimento de emergência deveriam possuir habilitação em SAVC, bem como revalidar o certificado a cada dois anos(38).

No Brasil, o treinamento em SAVC teve início a partir de 1996. Os primeiros cursos realizados no Brasil tiveram a supervisão do Medical Training and Simulator Laboratory - University of Miami (MTSL-UM) e do Heart Institute, da Universidade do Arizona. Desde janeiro de 1998, a Sociedade Brasileira de Cardiologia e o Fundo de Aperfeiçoamento e Pesquisa em Cardiologia (SBC/FUNCOR) passaram a ser um centro de treinamento oficial da AHA, com a difusão de novos sítios de treinamento por todo o país(23).

Dado a inexistência de dados regionais que informem a respeito do perfil médico no atendimento da PCR, realizou-se o presente estudo com médicos plantonistas de emergências cardiológicas públicas, considerados como referência local para o atendimento cardíaco de emergência, com o objetivo de avaliar o nível de conhecimento acerca do atendimento de PCR, de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo AHA/ILCOR (International Liaison Committee on Resuscitation) e analisar a influência do desempenho no questionário, em relação à realização de treinamento específico em SAVC e ao tempo decorrido desde esta capacitação. Representa um passo inicial na caracterização e entendimento de como está montada a estrutura de atendimento cardíaco de emergência em nosso meio.

CASUÍSTICA E MÉTODO

Trata-se de um estudo descritivo com delineamento transversal, realizado através da aplicação de um questionário aos médicos plantonistas das emergências cardiológicas do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC-UPE) e do Hospital Agamenon Magalhães (HAM).

De um total de 35 médicos plantonistas (21 no HUOC e 14 no HAM), apenas um se recusou a participar do estudo, perfazendo uma amostra de 34 pessoas. Houve pleno consentimento de todos os demais participantes, bem como da chefia médica dos referidos serviços de emergência.

O questionário foi elaborado com base nas ações consideradas como críticas no atendimento de um paciente em PCR, de acordo com o protocolo do SAVC, recomendado pela AHA/ILCOR(38,39), sendo composto por duas partes. A primeira com dez questões de múltipla escolha sobre vários tópicos no atendimento de uma PCR. Cada questão incluiu quatro alternativas de resposta, admitindo apenas uma única possibilidade como correta. A segunda parte do questionário avaliava variáveis como sexo, idade, tempo decorrido desde a graduação médica, tempo de trabalho em emergência cardiológica, formação específica em cardiologia (seja especialização ou residência médica), duração desta formação, treinamento em SAVC, tempo decorrido desde esta capacitação e conhecimento a respeito do tipo de desfibrilador/monitor disponível no local de trabalho (emergência cardiológica). Na primeira parte do questionário foi atribuída uma pontuação (escore) referente ao número de questões respondidas corretamente, variando entre zero 0 e 10 a pontuação mínima e máxima, respectivamente.

Nos treinamentos de SAVC, realizados pela AHA, é necessário que o aluno realize uma seqüência prática de atendimento em PCR, para que complete o curso com sucesso (aprovação). Além disso, deve obter uma pontuação mínima na avaliação escrita(39). Aqui no Brasil, nos curso de SAVC realizados pela SBC/FUNCOR, o escore teórico mínimo necessário para término do treinamento com sucesso é de 85% da avaliação. Dessa forma, no presente trabalho, utilizou-se como parâmetro um escore mínimo de 8,5, para se considerar o desempenho no questionário como adequado.

Os entrevistados tiveram sua identidade mantida em sigilo e os questionários não foram identificados, sendo aplicados por um único entrevistador, especialmente treinado para este fim e não tendo qualquer vínculo, em sua formação profissional, com a área de saúde(40). Esses cuidados foram tomados com o objetivo de minimizar os erros de seleção e informação, garantindo a homogeneidade e a dispersão dos viéses na população estudada(41).

Na análise estatística, o teste binomial foi utilizado para comparar duas proporções; o teste quiquadrado, para comparar três ou mais proporções. As comparações de variáveis contínuas, envolvendo dois grupos, foram realizadas através do teste de Mann-Whitney. Nas comparações envolvendo mais de dois grupos foi utilizado o teste de Kruskal-Wallis. Esses testes foram considerados significativos nas situações em que o valor P obtido foi menor que 5%. Quando necessárias, as comparações múltiplas foram realizadas pelo procedimento de Holmes, com nível de significância global de 10%(42).





RESULTADOS

Foram avaliados 20 (58,8%) médicos do HUOC e 14 (41,2%) do HAM, perfazendo um total de 34 indivíduos pesquisados e correspondendo a 97% do total de médicos plantonistas, no momento do estudo. O resultado do teste binomial mostrou não ter havido diferença significativa (p=0,391) entre as proporções de plantonistas dos dois hospitais. Na Tabela 1 estão demonstradas as características da população estudada.

Nas atuais condições de trabalho nas emergências cardiológicas avaliadas, observou-se que 79,4% dos indivíduos pesquisados referiram conseguir realizar a determinação do ritmo cardíaco de um paciente em PCR num período de tempo de dois a cinco minutos após a admissão ao serviço (Tabela 2).

Em relação à existência de monitor/desfibrilador (com monitorização pelas pás) se observou que, em 52,9% dos casos, os plantonistas referem não existir esse tipo de equipamento em seu local de trabalho e 2,9% não souberam informar a respeito do tipo de aparelho de que dispõem para trabalhar (Tabela 3).

Em relação aos escores alcançados pelos plantonistas em resposta às perguntas sobre o atendimento da PCR, foi obtida média de acerto de 6,5, com notas máxima e mínima de 9,0 e 2,0, respectivamente.

Na Tabela 4, pode-se observar as estatísticas descritivas dos escores obtidos pelos plantonistas, de acordo com as perguntas do questionário. Nota-se que a média de acerto foi maior no sexo feminino do que no sexo masculino, resultado estatisticamente significativo, de acordo com o teste de Mann-Whitney (p = 0,02; Tabela 4).

O resultado do teste de Kruskal-Wallis mostrou que a distribuição dos escores dos plantonistas, segundo as faixas etárias, apresentava diferenças estatisticamente significativas (p = 0,05; Tabela 4). O procedimento de comparações múltiplas de Holmes indicou que essas diferenças ocorreram apenas entre os plantonistas com idade entre 31 e 40 anos e os plantonistas com idade acima de 50 anos. Mais especificamente, os entrevistados com idade entre 31 e 40 anos obtiveram escores mais altos do que aqueles com idade acima de 50 anos.

A distribuição dos escores dos plantonistas, segundo as quatro faixas em que foi agrupado o tempo decorrido desde a realização do último curso de SAVC, mostrava diferenças estatisticamente significativas, de acordo com o resultado do teste de Kruskal-Wallis (p = 0,02; Tabela 4). O procedimento de comparações múltiplas de Holmes indicou que as diferenças ocorreram apenas entre os plantonistas cujo último curso de SAVC foi realizado entre 6 e 12 meses e aqueles que realizaram o último curso entre 12 e 24 meses, sendo os escores mais baixos obtidos neste último grupo.

As respostas dos médicos às questões formuladas acerca do atendimento de uma PCR com base nas recomendações do AHA/ILCOR se encontram na Tabela 5.



DISCUSSÃO

A extrapolação dos resultados obtidos para a população médica como um todo é limitada e não se constitui em objetivo deste trabalho. No entanto, considerando-se que 97% dos médicos plantonistas puderam ser avaliados no momento do estudo, é possível ter uma idéia do perfil médico atual no tratamento de PCR, nos serviços públicos de referência para o atendimento de emergências cardiológicas.



Observou-se que a população em estudo apresenta características de homogeneidade, tanto no que diz respeito às proporções de médicos plantonistas das emergências cardiológicas dos dois hospitais avaliados, quanto à distribuição por sexo e por faixas etárias. Não houve diferenças estatisticamente significativas no que concerne à proporção de médicos plantonistas avaliados nas emergências cardiológicas do HUOC (58,8%) e do HAM (41,2%), o que pôde ser verificado pela aplicação do teste binomial (P = 0,391). Comparando-se a proporção de indivíduos do sexo masculino (58,8%) e do sexo feminino (41,2%) através do teste binomial, não foi possível detectar diferenças estatisticamente significativas (P = 0,391).

Ressalta-se que 73,5% da população estudada se apresentavam na faixa etária abaixo de 40 anos. Além disso, a maior parte dos médicos plantonistas tem menos de 20 anos de formado (85,4%). Esse fato evidencia a importância que os indivíduos mais jovens e, conseqüentemente, com menor tempo de formação têm como força de trabalho em serviços de grande complexidade e com um contingente de pacientes de maior gravidade, como as emergências cardiológicas públicas da cidade do Recife.

O grupo de médicos avaliados no presente estudo demonstra ter um perfil, teoricamente, compatível com as atividades em emergência cardiológica. Assim, cerca de 97% possuem formação específica em cardiologia. Além disso, 62% dos indivíduos apresentavam experiência de trabalho em emergência cardiológica, superior a cinco anos.
A realização do curso de SAVC é voluntária e opcional, sendo seu custo financiado, na maior parte das vezes, pelo próprio aluno. Assim, é compreensível que apenas 52,9% dos médicos avaliados possuam curso de treinamento em SAVC e que, na maioria dos casos (88,9%), o curso tenha sido realizado há menos de 24 meses. Este percentual de profissionais médicos com treinamento em SAVC, apesar de não expressivo, pode ser considerado compatível com a realidade brasileira atual. Em Londrina, até abril de 2000, cerca de 24% dos médicos da cidade apresentavam formação em SAVC(25). Em um trabalho realizado no Bedford General Hospital, na Inglaterra, 67% dos consultores médicos avaliados nunca haviam realizado treinamento específico em SAVC ou equivalente(18). Por outro lado, em Seattle, uma das localidades pioneiras na organização de sistemas racionais no atendimento de emergências, 20% da população leiga têm treinamento no atendimento básico da PCR(9).

De acordo com Einsenberg, a média de tempo gasto para o atendimento inicial de pacientes em PCR, por paramédicos, na cidade de Seattle é de 3,3 minutos(9). O tempo médio para que sejam estabelecidos cuidados definitivos chega a 13 minutos. Dados de Curry & Gass mostraram que, em dois hospitais canadenses avaliados, o tempo gasto para o início das manobras de RCP era de quatro minutos, em 87% dos casos(16). Avaliação realizada no New York University Hospital, na década de 70, mostrou que o tratamento de PCR era instituído um minuto após seu início, em 64,7% dos atendimentos(20). Observou-se que 79,4% dos indivíduos avaliados no presente estudo referiram conseguir realizar a determinação do ritmo cardíaco do paciente em um período de tempo de dois a cinco minutos após a admissão ao serviço. Devem ser levadas em consideração as dificuldades logísticas, estruturais e financeiras de cada unidade hospitalar pública avaliada, o que, provavelmente, pode dificultar a imediata viabilização do atendimento de urgência. Além disso, a determinação desse tempo no questionário foi feita de forma subjetiva, não podendo ser descartados viéses sistemáticos.

Até o momento, apenas o HAM possui o tipo de monitor/desfibrilador mais adequado (com monitorização pelas pás) e recomendado pela AHA para o atendimento da PCR(38). Durante a avaliação, um dos médicos plantonistas do HUOC referiu existir esse tipo de equipamento em seu local de trabalho e outro, também do mesmo serviço, afirma não saber informar a respeito do tipo de aparelho de que dispõe para atendimento de urgência. Ressalta-se que uma das recomendações consideradas como classe I (sempre aceitáveis, comprovadamente seguras e definitivamente úteis) pelo AHA/ILCOR é que os médicos/enfermeiros estejam aptos a prover desfibrilação precoce, o que passa necessariamente pelo adequado conhecimento do aparato técnico com o qual se trabalha(38).

O desempenho em RCP tem sido amplamente avaliado. Tem-se constatado que, em geral, médicos e enfermeiros apresentam desempenho sofrível no que concerne aos procedimentos de reanimação(16-21,43). Um estudo, com médicos recém-formados, mostrou que apenas 8% conseguiram realizar de forma adequada o SBV em um manequim para simulação de casos(44). Em outra publicação, Morris e cols. demonstraram que apenas 48% dos médicos residentes avaliados foram capazes de realizar corretamente os procedimentos de ventilação e massagem cardíaca(45). Uribe e cols. realizaram essa avaliação em médicos e estudantes de medicina, encontrando um rendimento global de 55,8% e 47,4%, respectivamente(21). Recentemente, foi publicado estudo mostrando que apenas 24,3% dos avaliados, em hospitais públicos da África do Sul, conseguiram obter um percentual de acerto maior do que 50%(43).

No presente estudo os resultados seguiram a tendência observada na literatura mundial(16-18,21,43). A média de acerto obtida no questionário sobre o atendimento da PCR foi de 6,5, com nota mínima de 2,0 e máxima de 9,0. Em apenas quatro de dez questões formuladas, o percentual de acerto foi superior a 85% e somente cinco dos médicos entrevistados obtiveram nota acima de 8,5. Isso denota um resultado pouco satisfatório no que diz respeito ao desempenho teórico. Saliente-se que os cursos de SAVC no Brasil têm considerado como adequado, habitualmente, um escore mínimo de 85% na avaliação teórica (dados não publicados). Ravagan e cols. consideraram como satisfatório em seu trabalho um percentual mínimo de 80%. Merece registro, também, o fato de que o ensino da reanimação na graduação médica não está devidamente estruturado e difundido no Brasil.

A média de acertos foi estatisticamente maior no sexo feminino (7,3) do que no sexo masculino (6,0), de acordo com o teste de Mann-Whitney. Não houve diferença estatística significativa na proporção de médicos plantonistas em relação ao sexo, bem como em relação à distribuição das faixas etárias por sexo. Não é possível, assim, associar esse melhor desempenho feminino à idade ou a viés por falta de uniformidade na amostra. Também não houve associação com a realização do curso de SAVC. Dessa forma, a diferença estatística na média de acerto entre homens e mulheres está, muito provavelmente, associada ao acaso.

A distribuição dos escores dos plantonistas, segundo as faixas etárias, apresenta diferenças estatisticamente significativas, de acordo com o resultado do teste de Kruskal-Wallis. Os escores foram mais altos nos entrevistados com idade entre 31 e 40 anos, quando comparados àqueles com idade superior a 50 anos. Não pode ser descartada a possibilidade de que nos indivíduos mais jovens haja uma maior facilidade para aceitação/aplicação de novos protocolos. O fato de a diferença estatística haver sido mais bem evidenciada entre os dois grupos etários (31 a 40 anos e acima de 50 anos) pode estar relacionado ao maior número de indivíduos existentes com idade entre 31 e 40 anos, quando comparados aos outros grupos. Além disso, de forma global, os menores escores foram observados nos indivíduos com idade acima de 50 anos (média de acerto de 4,2). Ravagan e cols. relataram, em seu estudo, que os melhores escores (acima de 80%) foram encontrados nos indivíduos mais jovens, com idade inferior a 30 anos(43).

Em estudo realizado em 1998 na África do Sul, em hospitais públicos, observou-se uma associação consistente entre treinamento em RCP e a avaliação do desempenho médico, principalmente quando o tempo decorrido desde a realização do curso não ultrapassava dois anos(43). Thwaites et al. demonstraram, em seu trabalho, que nenhum dos médicos consultores avaliados foi capaz de realizar manobras de SBV, antes de treinamento específico e que 67% deles nunca haviam realizado curso para o atendimento de PCR. Após treinamento em SBV, 50% dos avaliados conseguiram atingir o escore máximo(18). Foi observado por Curry & Gass, que os médicos com treinamento prévio em RCP obtinham melhor escore em avaliação teórica sobre o atendimento de PCR(16). A avaliação dos médicos plantonistas do HUOC e do HAM curiosamente não mostrou diferença no desempenho daqueles que possuem habilitação em SAVC em relação aos que não possuem. No entanto, na população estudada, observou-se que os escores foram proporcionalmente maiores naqueles que haviam realizado o curso até no máximo 12 meses antes, quando comparados àqueles que haviam realizado o curso num espaço de tempo entre 12 e 24 meses.

Ravagan e col. descrevem o fato de não haver ocorrido melhora na avaliação do desempenho no atendimento de PCR quando se levava em consideração a existência de cursos de especializações e/ou pós-graduações, experiência em RCP (independente de treinamento específico), bem como o tipo de hospital em que se exercem as funções(43). Curry e cols. também demonstraram que a existência de experiência prévia no atendimento de PCR não contribuiu para a melhora no desempenho avaliado(16). De forma semelhante, no presente trabalho, não se pode demonstrar diferenças estatisticamente significativas nos escores da avaliação quando se considerava o tempo de formado, os anos de experiência em emergência cardiológica, formação/especialização específica em cardiologia ou a instituição na qual trabalhava.

Em relação aos pontos de referência para realização de massagem cardíaca, 88,2% dos indivíduos escolheram corretamente, realizando o procedimento no local adequado, dois dedos acima do apêndice xifóide, conforme recomendação dos protocolos da AHA/ILCOR(3,38).
A escolha do tipo de acesso venoso preferencialmente utilizado pelo grupo em estudo seguiu o recomendado pelas diretrizes da AHA/ ILCOR(3,38). Assim, em 87,9% dos casos se optou por uma veia periférica.

Em relação à conduta preferencial quando diante de um paciente em FV/TV sem pulso, 97,1% dos entrevistados optaram, corretamente, por realizar desfibrilação38. Da mesma forma, quando questionados sobre as modalidades de PCR nas quais deve ser utilizada desfibrilação, 91,2% dos indivíduos conseguiram relacionar sua necessidade no tratamento da FV/TV sem pulso. Vale ressaltar a importância desse resultado, uma vez que FV/TV sem pulso são as modalidades de PCR mais freqüentes nos adultos. Além disso, constitui-se na forma de melhor prognóstico, sendo potencialmente reversível com a utilização de desfibrilação precoce(46).

Apesar de se ter observado um alto percentual de acerto quanto à realização e indicação de desfibrilação (97,1% e 91,2%, respectivamente), quando questionados acerca de qual deveria ser a primeira conduta diante de um paciente em PCR, independente da modalidade, apenas 52,9% dos médicos entrevistados optaram por avaliar o ritmo cardíaco. Este é um dos passos considerados como prioritários dentro da cadeia de sobrevida, pois permite a redução do tempo gasto para realização de desfibrilação e, conseqüentemente, favorecem a um aumento das taxas de sobrevida(2,47). Para avaliação desse resultado não se pode descartar o fato de que o HUOC não dispõe de desfibrilador/monitor com monitorização pelas pás, dificultando, na prática, a realização desse tipo de conduta. E, apesar de estar-se avaliando conhecimento teórico, a estrutura de trabalho disponível pode ter influenciado a resposta.

Em relação ao número de compressões, apenas 41,2% optaram adequadamente pela realização de 80 a 100 compressões por minuto. Da mesma forma, somente 50% dos indivíduos entrevistados escolheram corretamente 12 a 15 incursões ventilatórias assincrônicas por minuto, após intubação endotraqueal. Vale ressaltar que estas condutas são as recomendadas pela AHA/ILCOR(38). Weaver et al., analisando pessoas treinadas no atendimento de PCR, observaram percentuais ainda mais baixos. Cerca de 25% dos indivíduos avaliados procediam adequadamente à ventilação, enquanto que apenas 11,8% realizavam massagem cardíaca efetivamente(48).

Quando questionados a respeito da forma mais indicada para a realização inicial de monitorização de um paciente em PCR, apenas 61,8% dos médicos optaram por monitorizar com as pás do monitor/desfibrilador. Mais uma vez, deve ser levado em consideração o fato de que o HUOC não dispõe de monitor/desfibrilador que monitorize com as pás. No entanto, o questionário não se propunha a avaliar o desempenho prático, mas sim o perfil de conhecimento teórico na abordagem das manobras de RCP. Além disso, não houve diferença significativa de desempenho teórico entre as duas unidades hospitalares avaliadas. Merece registro, ainda, o fato de que um dos médicos avaliados afirmou não ser necessária monitorização de paciente em PCR.

Acerca da prioridade no atendimento de um paciente em assistolia, apenas 29,4% dos médicos plantonistas priorizaram a realização de intubação endotraqueal, obtendo uma via aérea definitiva para realização de oxigenação adequada. Sabe-se que a principal causa de PCR por assistolia é hipóxia e, apesar do prognóstico extremamente reservado desta modalidade de PCR, o estabelecimento de ventilação e oxigenação adequadas se constitui na forma mais indicada para sua reversão(47).

Em relação à PCR por AESP, sabe-se que a principal causa associada é hipovolemia. Dessa forma, há indicação formal (classe I) para realização de prova de volume com solução salina, durante a abordagem inicial, na tentativa de resolução do problema(47). No entanto, pôde ser observado que a utilização de prova de volume só foi escolhida em 44,1% dos casos, para o tratamento da AESP.

Atualmente, já está bem estabelecido que o treinamento de médicos e outros profissionais da saúde em SBV e SAVC traz benefícios positivos no desempenho teórico, prático e na confiança de sua atuação. Conseqüentemente, leva, em geral, à melhora nas taxas de sobrevida após PCR, seja ela ocorrida no âmbito hospitalar ou não. Diante dos dados obtidos na presente pesquisa, cientificamente embasados, há evidências que favorecem a adoção de medidas para o treinamento contínuo e ostensivo de médicos nos protocolos de atendimento de PCR, bem como a criação de modelos racionais para a realização desse tipo de atendimento.

Em conclusão, observou-se que a média de pontos obtida no questionário para avaliação do nível de conhecimento dos médicos plantonistas das emergências cardiológicas públicas, na cidade do Recife, a respeito do atendimento de PCR foi 6,5, numa escala de zero a dez, considerando-se como adequado um percentual de acerto de 85%. O desempenho observado foi melhor em indivíduos do sexo feminino e naqueles com faixa etária mais baixa. No grupo estudado não houve diferença de desempenho em relação à realização de treinamento específico em SAVC. No entanto, observou-se queda no desempenho teórico, após um ano de realização do curso de SAVC. Não houve diferença estatisticamente significativa no que diz respeito ao tempo decorrido desde a graduação médica, aos anos de trabalho em emergência cardiológica, à formação específica em cardiologia, nem à duração desse treinamento.




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