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Artigo de Revisão
Cefalosporinas de terceira geração Um sucesso em terapêutica
Hélio Vasconcellos Lopes
Chefe do Serviço de Infectologia do Complexo Hospitalar Heliópolis e professor titular de Moléstias Infecciosas da Faculdade de Medicina da Fundação do ABC

A classe dos antibióticos cefalosporínicos surgiu com a descoberta feita por Giuseppe
Brotzu, em 1948, de um fungo, o Cephalosporium acremonium (hoje renomeado Acremonium chrysogenum); a partir de uma cefalosporina isolada desse fungo, por manipulações industriais (semi-sínteses), foram sendo obtidas as cefalosporinas das diversas gerações atualmente disponíveis.

A terceira geração das cefalosporinas se iniciou com o lançamento da cefotaxima, em 1977, para, em sequência, diversas cefalosporinas serem introduzidas: a cefoperazona (1979), a ceftriaxona (1980) e a ceftazidima (1980); posteriormente, outras cefalosporinas de terceira geração tornaram-se disponíveis no Brasil: ceftamet-pivoxil e cefixima (para uso por via oral) e a cefodizima, para uso parenteral.

Cefalosporinas de terceira geração
disponíveis no Brasil e suas meias-vidas

cefotaxima.................. 1,5h
ceftriaxona ................. 8,0h**
ceftazidima*** ............ 1,8h
cefoperazona ............. 1,9h
ceftamet pivoxil* ......... 2,5h
cefodizima ................. 3,5h
cefixima* ................... 3,1h

* Para uso por via oral; menor potência antibacteriana;
** A meia-vida significativamente maior da ceftriaxona possibilita seu emprego em intervalos de 12 horas nas infecções potencialmente mais graves e em dose única diária nas demais infecções, o que facilita sua utilização e aumenta a aderência (adesão) ao tratamento;
*** É a cefalosporina de escolha para as infecções causadas ou presumidamente causadas por Pseudomonas aeruginosa.

Por que, sendo tão antiga e largamente conhecida, estamos dando um destaque a esta geração de cefalosporinas? É simples: o papel delas, na terapêutica humana, inicialmente discreto, tornou-se, com o passar dos anos, significativamente importante; dizia-se, nos primeiros anos, que as cefalosporinas de terceira geração não eram consideradas antibióticos de escolha para nenhuma indicação.

Hoje, a situação mudou porque, ao repassar alguns livros e manuais de terapêutica antibiótica publicados nos últimos dois anos, notamos que as indicações terapêuticas com este grupo de antibióticos são inúmeras.

No quadro apresentado, a seguir, relacionamos a infecção a ser considerada, a indicação clínica, distinguindo se as cefalosporinas de terceira geração são consideradas antibióticos de escolha ou são drogas alternativas. Cefalosporina preferencial é a habitualmente indicada; qualquer IV significa a necessidade de cefalosporina parenteral (IV=intravenosa). Antibiótico associado indica quando a infecção deve receber, além de uma cefalosporina de terceira geração, um ou mais antibióticos combinados.

Infecção Indicação clínica Cefalosporina preferencial Antibiótico associado
Osteomielite hematogênica
· abaixo de 4 meses de idade escolha qualquer IV oxacilina/ vancomicina
Osteomielite por perfuração de tênis* uma ou outra, dependendo das circunstâncias escolha ceftazidima
Artrite bacteriana
· abaixo de 3 meses escolha qualquer IV penicilina penicilino-R*
· de 3 meses a 14 anos escolha qualquer IV penicilina penicilino-R*
· aguda, monoarticular escolha ceftriaxona oxacilina
*penicilina penicilino-resistente
Abscesso cerebral
· primário escolha ceftriaxona metronidazol
· por contiguidade escolha ceftriaxona metronidazol
· pós-cirúrgico escolha qualquer IV oxacilina/vancomicina*
· pós-trauma escolha qualquer IV oxacilina/vancomicina*
*uma outra, dependendo das circunstâncias
Meningite
· abaixo de 1 mês escolha cefotaxima ampicilina
· entre 1-3 meses escolha qualquer IV ampicilina
· acima de 3 meses escolha ceftriaxona (vancomicina)*
· por coco gram-positivo escolha ceftriaxona (vancomicina)*
· por pneumococo penicilino-R escolha ceftriaxona vancomicina
· por bacilo gram-negativo escolha ceftazidima gentamicina
*a adição de vancomicina não é consensual
Otite média
· aguda alternativa ceftriaxona
· persistente alternativa ceftriaxona
· prolongada alternativa ceftriaxona
· recorrente alternativa ceftriaxona



Infecção Indicação clínica Cefalosporina preferencial Antibiótico associado
Mastoidite aguda
- ambulatorial alternativa ceftriaxona
- hospitalizado alternativa ceftriaxona
Endoftalmite hematogênica escolha ceftriaxona vancomicina
Celulite orbital alternativa qualver IV
Infecção gonocócica
- faringite, conjuntivite, artrite, uretrite, cervicite, proctite, meningite, endocardite, disseminada alternativa ceftriaxona
*ou cefixima, para as formas clínicas com menor gravidade
Cancro mole alternativa ceftriaxona
Doença inflamatória pélvica alternativa ceftriaxona em diversas associações
Orquiepididimite (<35 anos) escolha ceftriaxona doxiciclina
Endocardite
· por Streptococcus viridans alternativa ceftriaxona
· por Streptococcus bovis alternativa ceftriaxona
· pelo grupo HACEK* escolha ceftriaxona
*grupo HACEK:-H. parainfluenzae, H. aphrephilus, Actinobacillus, Cardiobacterium, Eikenella e Kingella
Pielonefrite aguda hospitalizada alternativa qualquer IV
Abscesso hepático piogênico alternativa qualquer IV metronidazol
Pneumonia
· adquirida na comunidade (paciente hospitalizado) alternativa qualquer IV
· adquirida no hospital alternativa ceftriaxona em diversas associações
· em paciente HIV+ escolha qualquer IV
Peritonite primária bacteriana escolha qualquer IV
Epiglotite alternativa qualquer
Sepse alternativa qualquer IV em diversas associações
Neutropênico febril alternativa ceftriaxona
Doença de Lyme
· meningite e cardite escolha ceftriaxona




Bibliografia
1. Sanford-Guide to antimicrobial therapay Twenty-ninth Edition, 1999.

2. Karchmer, AW.-Cephalosporins. In: Mandell, GL., Bennett, JE. & Dolin, R.-Principles and Practice of Infectious Diseases. Fifth Edition, Churchill Livinstone, Philadelphia, Pennsylvania, 2000

3. Amato, VA et al.-Antibióticos na prática médica. 5a edição, Editora Roca, 2000.

4. Bryskier, AJ. & Belfiglio, SR.-Cephalosporins. In: Yu, VL., Merigan, TC. & Barriere, SL.-Antimicrobial Therapy and Vaccines. Williams & Wilkins, Baltimore, Maryland, 1999.

5. Bartlett, JG.-Pocket book of infectious disease therapy. Williams & Wilkins, Baltimore, Maryland, 1999.

6. Medical Letter-The choice of antibacterial drugs. 41(1064): october 22, 1999