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Mieloma
múltiplo
Agora é uma doença tratável, avanços
nos últimos 10anos
Mieloma múltiplo deixa de ser um
atestado de morte e se torna uma doença tratável
Pela primeira vez no Brasil, a médica Canadense Dra. Donna Reece
falou dos enormes avanços do tratamento da doença nos últimos 10 anos
Até bem pouco tempo atrás receber o diagnóstico de mieloma múltiplo,
tipo de câncer no sangue, significava para o doente uma sobrevida de no
máximo 30 meses. Do ano 2000 para cá o cenário mudou completamente. As
novas drogas aliadas ao transplante autólogo de medula, em que o doador
é o próprio paciente, mais do que triplicou a expectativa de vida.
Esse e outros assuntos acabam de ser abordados pela Dra. Donna Reece,
professora e médica diretora do programa para mieloma múltiplo do
Departamento de Oncologia e Hematologia do Princess Margaret Hospital/University
de Toronto, Canadá.
Um dos destaques do maior congresso de mieloma do mundo ocorrido no
início do ano, em Paris, e pela primeira vez no Brasil, a especialista
ministrou uma palestra sobre o assunto no sábado, 12 de novembro, no
penúltimo dia do Congresso Brasileiro de Hematologia e Hemoterapia (Hemo
2011), realizado no WTC, em São Paulo.
Durante o evento, a médica destacou que já é possível transformar o
mieloma, uma doença incurável em uma doença crônica, ou seja, passível
de tratamento por longos anos.
Donna explicou que um dos responsáveis por esta transformação é a
combinação entre duas drogas bastante conhecidas do arsenal terapêuticos
dos hematologistas e hemoterapeutas: a lenalidomida e a dexametasona. A
médica conta que devido à sua eficácia anti-mieloma e perfil de
toxicidade favorável, os dois medicamentos têm proporcionado vida
prolongada com qualidade de vida aos pacientes. Enquanto que outros
tratamentos apresentam diversos outros efeitos colaterais, como a
neuropatia periférica.
A lenalidomida, segundo ela, é útil tanto para tratamentos mais
agressivos como naqueles de manutenção, o que caracteriza a
versatilidade da droga, empregada em diversas fases da doença seja
isoladamente ou em combinação com as demais.
O Dr. Angelo Maiolino, diretor da Associação Brasileira de Hematologia e
Hemoterapia (ABHH) concorda com a médica canadense. Ele acrescentou que
“as combinações que envolvem, em diferentes situações, os medicamentos
bortezomibe, lenalidomida, dexametasona e ciclosfamida demonstraram, em
estudos recentes, resultados mais eficazes com maior taxa de respostas e
impacto em termos de sobrevida e qualidade de vida para os pacientes do
que a monoterapia.”
Mieloma múltiplo e Hemo 2011
O mieloma múltiplo é a segunda doença onco-hematológica mais prevalente
no mundo. Segundo a Fundação Internacional do Mieloma (IMF, em inglês),
há mais de 700 mil novos casos por ano. No Brasil, não há dados
estatísticos. O Dr. Maiolino estima em 12 mil casos anuais, sendo que
80% dos pacientes têm mais de 60 anos.
O Hemo 2011, encontro anual da Associação Brasileira de Hematologia e
Hemoterapia (ABHH) é considerado o maior evento da especialidade da
América Latina. Com caráter multiprofissional, mais de quatro mil
especialistas, entre hematologistas, hemoterapeutas, odongólogos,
farmacêuticos, psicólogos, enfermeiros, biomédicos e gestores de
hemocentros. Recebeu ainda representantes de esferas governamentais da
Saúde e, pela primeira vez, teve um Fórum específico de associações de
portadores de doenças do sangue.
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