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Transfusão Feto-Fetal

A cada duas semanas, uma grávida de gêmeos procura o HC

A cada duas semanas, uma grávida de gêmeos procura o HC com Síndrome de Transfusão Feto-Fetal

Cirurgia minimamente invasiva, realizada no útero da mãe, é o tratamento indicado

A cada duas semanas, uma grávida de gêmeos dá entrada no ambulatório de obstetrícia do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP, com suspeita de síndrome de transfusão feto-fetal. Complicação que ocorre quando há um desequilíbrio no fluxo de sangue entre os bebês que compartilham a mesma placenta, porém em bolsas diferentes.

Segundo o obstetra Adolfo Liao, a chance de sobrevida dos bebês é de até 70%, se o diagnóstico é precoce e o tratamento cirúrgico realizado no estágio inicial da doença.

A fetoscopia terapêutica, cirurgia minimamente invasiva, realizada no útero da mãe, é o tratamento indicado para a interrupção das conexões dos vasos sanguíneos.

A técnica consiste na cauterização dos vasos (artérias e veias) comunicantes na superfície da placenta com Laser. “A separação das comunicações tem um efeito protetor. Diminui os riscos de óbitos e sequelas”, afirma o médico.

O método associa a ultrassonografia e a videolaporoscopia e leva, em média, meia hora. Os médicos introduzem uma cânula que tem de 2mm a 3 mm de diâmetro, com um sistema óptico (fetoscópio), através da barriga da mãe e do útero, e entram na bolsa amniótica para a visualização dos vasos sanguíneos. Através do mesmo fetoscópio é introduzida uma fibra condutora que permite a interrupção do fluxo sanguíneo pela aplicação do Laser.

No Hospital das Clínicas são realizadas duas cirurgias, em média por mês, com sucesso em 70% dos casos.

Por esses motivos, o médico alerta para a necessidade de um exame ultrassonográfico precoce (até o 3º mês) da gravidez gemelar para definir o número de placentas.

Nos casos em que os bebês estão na mesma placenta, o acompanhamento ultrassonográfico deve ser realizado a cada duas semanas. O exame possibilita identificar se há discordância na quantidade de líquido amniótico nas bolsas, além de outros sinais como alterações no fluxo sanguíneo dos bebês.

Síndrome: Na síndrome de transfusão feto-fetal, as comunicações (entre artéria e veia) que existem na placenta, entre as circulações dos dois fetos, fazem com que um dos fetos receba sangue do outro. Com isso, um feto se torna doador e o outro receptor.

O feto doador fica com muito pouco líquido e pode crescer menos, enquanto o receptor produz líquido amniótico em excesso, e pode desenvolver inchaço generalizado. “Nos casos não tratados, a mortalidade é de até 80%”.