|
Entrega
de comendas
CFM homenageia personalidades médicas
CFM homenageia personalidades médicas
com entrega de comendas
Os médicos Hésio Cordeiro, Ivo Pitanguy e Ricardo Paiva serão os
primeiros a receber a honraria que destaca seus desempenhos éticos e
compromissos com a sociedade e a Medicina.
Nesta quarta-feira (26), acontecerá solenidade no Conselho Federal de
Medicina (CFM), em Brasília, quando serão entregues três comendas em
homenagens a médicos que se destacaram em diferentes áreas de atuação e
do conhecimento. Para o secretário-geral do CFM, conselheiro Henrique
Batista e Silva, os escolhidos simbolizam o esforço daqueles que buscam
o perfeito desempenho ético na profissão, sem ignorar seus compromissos
com a sociedade em diferentes campos de atuação, com importantes
resultados científicos, técnicos, acadêmicos e políticos.
As honrarias, criadas em 2011 pelo plenário do CFM, ressaltam o
desempenho ético e compromisso social e com a Medicina por profissionais
ou instituições no esforço de construção de uma sociedade mais justa e
um mundo melhor. A partir de agora, a premiação deverá ser entregue
anualmente, sempre em outubro, como parte das comemorações do Dia do
Médico.
Os primeiros homenageados que receberão as comendas são os médicos Ivo
Pitanguy, Hésio Cordeiro e Ricardo Paiva. A eles, serão outorgadas,
respectivamente, as comendas Moacyr Scliar, de Medicina, Literatura e
Arte; Sérgio Arouca, de Medicina e Saúde Pública; e Zilda Arns Neumann,
de Medicina e Responsabilidade Social.
Nos próximos parágrafos, apresentamos um pouco da trajetória e das
contribuições oferecidas pelos homenageados deste ano. Todos se destacam
pela forma apaixonada com a qual se entregaram aos projetos que mudaram
suas vidas e as vidas de milhões de pessoas.
Conheça a trajetória dos contemplados
Hésio Cordeiro (comenda Sérgio Arouca, de Medicina e Saúde Pública) -
Mineiro de Juiz de Fora, o médico, professor e pesquisador Hésio de
Albuquerque Cordeiro tem sua trajetória atrelada à história brasileira.
Ele é um dos articuladores do Movimento da Reforma Sanitária, que, em
1988, culminou com a criação do SUS. Cordeiro foi um dos protagonistas
dos debates da VIII Conferência Nacional de Saúde, em março de 1986,
onde se consagraram os princípios mais caros do movimento sanitário.
Esses ideais foram, posteriormente, abraçados pela Constituição de 1988,
no mesmo ano em que Hésio Cordeiro deixou a presidência do Instituto
Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps).
Hésio graduou-se na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do
Estado do Rio de Janeiro, em 1965, onde também cursou mestrado em Saúde
Coletiva (1978). É doutor em Medicina Preventiva pela Universidade de
São Paulo (USP). Na área da educação, foi presidente do Conselho
Nacional de Educação, reitor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro
(UERJ) e diretor do curso de Medicina da Universidade Estácio de Sá.
Atualmente, é coordenador do mestrado profissional desta universidade.
Suas contribuições e engajamento como professor do Instituto de Medicina
Social da UERJ produziram reflexões importantes para debates
empreendidos nas áreas temáticas de política e instituições de saúde;
assistência médica no âmbito da previdência social; política de
medicamentos e tecnologia médica. Como pesquisador, assinou vários
artigos importantes e é autor de dois clássicos em seus respectivos
campos temáticos: A indústria da saúde no Brasil e As empresas médicas.
Sua atuação, tão intensa e qualificada quanto apaixonada, rendeu-lhe
méritos acadêmicos e a admiração de médicos e alunos, decisivos para que
fosse escolhido como o premiado da comenda Sérgio Arouca, de Medicina e
Saúde Pública.
Ivo Pitanguy (comenda Moacyr Scliar, de Medicina, Literatura e Arte) -
No fim da década de 40, a cirurgia plástica ainda não era reconhecida
como especialidade e os jovens cirurgiões encontravam dificuldade para
adquirir conhecimento. Neste cenário começou a ser forjado o
profissional Ivo Pitanguy, que enfrentou muitos obstáculos pela sua
vocação. Inicialmente, contemplado com uma bolsa de estudos do Institut
of Internacional Education e, depois, por conta dos méritos acumulados,
iniciou peregrinação por vários países (Estados Unidos, França e
Inglaterra), em busca de formação.
Quando voltou para o Brasil, percebeu que o exercício da cirurgia
plástica ainda era incipiente no país. Ao invés de desestimulá-lo, esse
panorama funcionou como estímulo para que trabalhasse para torná-la uma
especialidade conhecida e respeitada. Nesta jornada, estão passagens
decisivas por hospitais públicos, como o Souza Aguiar, no Rio de
Janeiro, onde contribuiu para a implantação e qualificação do serviço
oferecido.
Mineiro de Belo Horizonte, de natureza solidária, Pitanguy sempre lutou
para estender o acesso aos benefícios da cirurgia plástica à população
menos favorecida. O trabalho na Santa Casa foi essencial para o
reconhecimento da importância social da especialidade. Dedicado ao
ensino, foi professor titular da Pontifícia Universidade Católica do Rio
de Janeiro e do Instituto de Pós-Graduação Médica Carlos Chagas.
Membro de entidades acadêmicas e culturais respeitadas, colecionador de
títulos e honrarias, Ivo Pitanguy é autor de cerca de 800 trabalhos
científicos em revistas brasileiras e internacionais e publicou uma
série de livros. Por esse perfil arrojado, intelectual e desbravador,
por ser referência para a cirurgia plástica em todo o mundo, Pitanguy
recebe, do CFM, a comenda Moacyr Scliar, de Medicina, Literatura e Arte.
Ricardo Paiva (comenda Zilda Arns Neumann, de Medicina e
Responsabilidade Social) - Ricardo Albuquerque Paiva nasceu em
Fortaleza, no Ceará, em 21 de maio de 1953. Morou parte de sua vida em
São Paulo, durante os primeiros anos escolares. Foi para o Recife em
1970, para completar o segundo grau. Em Pernambuco teve início sua
brilhante carreira na medicina.
Além de ter como marca uma atuação profissional e institucional
respeitadas, Ricardo Paiva sempre desenvolveu atividades voltadas ao
bem-estar social. O uso da arte e da criatividade para empreender
transformações e superar conjunturas desfavoráveis torna-o um destaque
nesse caminho.
Em 2005, criou o projeto da “Caravana Cremepe-Simepe”, que percorre
vários municípios do Estado de Pernambuco com o objetivo de conhecer a
vida e a realidade do interior pernambucano. Suas ideias também deram
origem a dois filmes: “A Casa dos Estranhos” e “Pela Vida. Pelo Tempo”,
que tratam de temas como o preconceito e exclusão social brasileira.
Criou, ainda, um espetáculo de teatro popular chamado “Menina Abusada” –
que tem o objetivo de divulgar o disque denúncia de combate à
prostituição e à exploração sexual – e escreveu dois livros: A fábula
real e Severina: que vida é essa? (este, como coautor). Seu engajamento
pela classe médica é notável.
Formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Pernambuco
(UPE), em 1979, com residência e especialização em clínica médica e
cardiologia, já a partir de sua formação começou a se destacar em
atividades institucionais como presidente e integrante da diretoria de
diversas entidades médicas consagradas – pernambucanas e nacionais.
Por esse perfil, que se distingue pela aptidão intelectual para criar,
inovar e protestar, Ricardo Paiva recebe do Conselho Federal de Medicina
a comenda Moacyr Scliar, de Medicina, Literatura e Arte. |