Câncer e
Celular
O que de fato
dizem os estudos
CÂNCER E
CELULAR: O QUE
DE FATO DIZEM OS
ESTUDOS
Por Dr.
Leandro Ramos,
oncologista da
Oncomed Bh
O crescente
aumento no
número de
usuários de
telefones
celulares nos
últimos anos tem
preocupado a
comunidade
científica
mundial com os
possíveis
efeitos
deletérios à
saúde causados
pelos campos
eletromagnéticos
de
radiofrequência
emitidos por
estes aparelhos.
Atualmente cerca
de 4.6 bilhões
de pessoas são
usuárias de
telefones
celulares.
A utilização
destes aparelhos
junto ao ouvido
durante uma
chamada
telefônica
resulta em
absorção pelo
cérebro da
energia
eletromagnética
emitida pelo
aparelho. A
intensidade
desta absorção
está também
relacionada ao
modelo e à
antena do
aparelho
celular, além da
qualidade do
sinal entre o
aparelho celular
e a Estação
Rádio-Base. As
crianças que
utilizam
aparelhos de
telefones
celulares estão
mais expostas à
absorção
cerebral da
energia
eletromagnética
devido a menor
espessura do
osso craniano
quando comparado
ao adulto.
Os estudos de
avaliação
biológica entre
irradiação
eletromagnética
não ionizante e
câncer não
apresentaram
resultados
conclusivos.
Portanto, as
principais
fontes de
avaliação entre
efeitos do
telefone celular
e potenciais
riscos a saúde
são de estudos
epidemiológicos.
Estes, até o
momento, não
indicaram, de
forma clara, a
relação de causa
e efeito entre
telefone celular
e câncer.
Em Março de 2010
foi publicado na
revista
INTERNATIONAL
JOURNAL OF
EPIDEMIOLOGY o
estudo
INTERPHONE, o
maior estudo
epidemiológico
(caso controle)
que analisou
esta associação.
Foram avaliados
mais de 10 mil
pacientes por
mais de 10 anos,
em 13 países.
Todos os
participantes
eram portadores
de câncer
cerebral (glioma
ou meningioma),
porém, a
frequência de
utilização do
telefone celular
variou entre
menos de 1
ligação por
semana até o
frequente uso
diário.
A conclusão dos
autores deste
estudo apontou
para o baixo
risco de câncer
cerebral nos
usuários pouco
freqüentes de
telefones
celulares.
Entretanto,
existe uma
tendência de
aumento do risco
de glioma nos
usuários que
utilizaram o
telefone celular
por mais de 1640
horas durante
este estudo. Os
autores alertam
para as
possíveis falhas
na análise
destes dados.
Em virtude da
importância
deste assunto,
em Maio de 2011,
30 cientistas da
Agência
Internacional da
OMS para
Pesquisa em
Câncer (IARC, na
sigla em inglês)
se reuniram na
cidade de Lyon,
na França. Essa
comissão foi
conduzida pelo
Dr. Jonathan
Samet,
coordenador da
Cadeira de
Medicina
Preventiva da
Universidade do
Sul da
Califórnia. Os
membros da IARC,
após análise dos
estudos mais
relevantes entre
utilização de
telefone celular
e câncer,
concluíram que
“o campo
eletromagnético
emitido por
estes aparelhos,
são
possivelmente
carcinogênicos
aos seres
humanos”.
Em nota, o Dr.
Samet afirmou:
“A conclusão é
de que pode
haver algum
risco e,
portanto,
precisamos ficar
atentos para um
elo entre
celulares e
câncer”.
Até que se
tenham maiores
esclarecimentos
sobre o real
risco entre
câncer cerebral
e telefone
celular, é
importante que
sigamos o
“Princípio da
Precaução”, ou
seja, reduzir o
contato das
crianças com os
telefones
celulares e nos
adultos, além de
reduzir a
frequência da
utilização
destes
aparelhos,
utilizar sempre
que possível os
fones de ouvidos
para as chamadas
telefônicas
mantendo o
aparelho celular
afastado do
corpo.