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Angina
refratária Técnica brasileira
que usa células-tronco no tratamento de angina refratária é
apresentada a especialistas em cirurgia cardíaca, em São Paulo
Resultados foram apresentados pelos pesquisadores da
Cryopraxis/CellPraxis no V Simpósio Internacional de Novas
Habilidades em Cirurgia Cardíaca
A Cryopraxis/CellPraxis apresentou na última sexta-feira, dia 02
de dezembro, durante a abertura do V Simpósio Internacional de
Novas Habilidades em Cirurgia Cardíaca, em São Paulo, uma nova
técnica para tratamento de angina refratária, utilizando
células-tronco.
O diretor-médico da empresa de desenvolvimento de produtos para
terapia celular, o cirurgião-cardíaco Nelson Hossne, ministrou a
palestra “Protocolo ReACT na Angina Refratária”, em que
apresentou resultados inéditos da pesquisa recentemente
finalizada, comprovando a eficácia da terapia com células-tronco
para pacientes da doença.
O estudo realizado por uma equipe de cientistas brasileiros,
liderada pelo Dr. Hossne, sob a orientação do Prof. Dr. Enio
Buffolo, comprova que o tratamento com células-tronco é capaz de
melhorar os sintomas da doença, como cansaço extremo, limitações
físicas e intensa dor no peito, e que, até hoje, não tinham
opção terapêutica eficaz. A pesquisa, já publicada no periódico
"Cell Transplantation", é uma cooperação científica entre a
Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a Universety of
South Florida (USF Health), a empresa Cryopraxis e a sua
subsidiária CellPraxis, com foco em desenvolvimento de produtos
para terapia celular.
No procedimento, os médicos retiram células-tronco adultas do
próprio paciente, presentes na medula óssea, no osso da bacia, o
que elimina o risco de rejeição. Uma formulação contendo estas
células é preparada e, em seguida, injetada diretamente nas
áreas afetadas do músculo cardíaco, por meio de um pequeno corte
de dez centímetros. O procedimento recebeu o nome de ReACT (Refractory
Angina Cell Therapy Protocol).
Desde 2005, os pesquisadores vêm avaliando um grupo de 20
pacientes com idades entre 53 e 79 anos que sofriam de angina
refratária e não tinham mais opções cirúrgicas nem respondiam ao
tratamento clínico. Em novembro de 2011, o último dos 20
pacientes passou pela cirurgia. Eles receberam a terapia com
células-tronco e, em 80% dos casos, houve normalização do fluxo
sanguíneo na área afetada. Metade dos pacientes deixou de sentir
dor. Os demais apresentaram poucos episódios de sofrimento e,
ainda assim, apenas quando realizam esforços físicos intensos.
Cerca de 90% deles retomaram as atividades normais quatro meses
após a cirurgia. Os cientistas afirmam que o alívio dos sintomas
foi progressivo, sugerindo que não se trata de um efeito
transitório. A melhora dos voluntários apareceu, em média, três
meses após a cirurgia e continuou progredindo após um ano. Os
pacientes foram avaliados clinicamente e por exames de imagem.
Dr. Hossne acredita que, uma vez aprovada pelos órgãos
reguladores, o procedimento desenvolvido estará disponível a
todos em curto prazo. “A apresentação do estudo para centenas de
especialistas na Itália, no mês passado, e agora, em São Paulo,
fazem com que a técnica se aproxime cada vez mais da realidade”,
diz o médico que mostrou ainda a realidade sócio-econômica dos
pacientes de angina refratária. Dados do Hospital Santa Catarina
apontam que, no Brasil, cada doente tem o gasto de cerca de R$
120 mil, com uma média de 12 a 15 internações por ano. Após
quatro anos de procedimento, os 20 pacientes praticamente
zeraram os custos com hospitais.
Encerrando a sessão de palestras do dia, Dr. Eduardo Cruz,
presidente da Cryopraxis/CellPraxis falou sobre o processo de
patentes e as exigências do órgão regulador internacional FDA (Food
& Drug Administration). Segundo Cruz, o desafio na área de
terapia celular é transformar as pesquisas em produtos para os
pacientes. “Hoje, há apenas cinco produtos de terapia celular
aprovados pelo FDA. O número de pesquisas, no entanto, é da
ordem de 33.5 milhões. Já sabemos que a terapia com
células-tronco é uma realidade. Precisamos agora nos esforçar
para traduzir esses esforços em produtos. Para isso, precisamos
dar atenção extraordinária à regulamentação”, finalizou.
Angina refratária: A angina, que pode ser classificada de
1 a 4, ocorre quando há alguma obstrução nas coronárias e o
músculo cardíaco deixa de receber a quantidade necessária de
sangue. Isso provoca cansaço extremo, limitações físicas e
intensa dor no peito. A do tipo 4 é a mais severa e o paciente
não consegue fazer nenhum tipo de atividade sem dor intensa e
incapacitante. Estes pacientes são submetidos à cirurgia e a
medicamentos de ultima geração. No entanto, há aqueles para os
quais nenhuma cirurgia ou medicamento é capaz de aliviar os
sintomas: são os casos de angina refratária. Se, por um lado,
muitos trabalhos mostram que é difícil regenerar o músculo
cardíaco, por outro, o estudo reforça a ideia de que é possível
criar vasos sanguíneos. As células-tronco podem induzir a
angiogênese, que é a formação desses vasos. |
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