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Aneurisma
cerebral Pró-Cardíaco tem
cirurgia pioneira no Brasil para tratamento de aneurisma
cerebral
Técnica foi realizada pelo Neurointervencionista Dr. Eduardo
Wajnberg
Depois de três dias consecutivos sentindo fortes dores de
cabeça, o brasileiro Wilian da Silva Santos, de 24 anos, que
está no Sri Lanka há três estudando inglês no British Council,
se submeteu a uma ressonância magnética, que diagnosticou um
aneurisma cerebral gigante com 2,5 cm de diâmetro. “O Sri Lanka
não oferecia meios para me operar. Fui para Cingapura, onde
também não foi possível realizar a cirurgia. A opção era Brasil
ou Europa. Optei pelo Brasil”. Chegando aqui, Wilian procurou o
neurologista Paulo Niemeyer Filho, que indicou que o estudante
realizasse uma nova modalidade de cirurgia para tratamento de
aneurisma cerebral, ainda não utilizada até então no Brasil: o
dispositivo diversor de fluxo, um novo tipo de stent.
O procedimento, que promove a reconstrução das artérias do
cérebro, é minimamente invasivo, e foi realizado pela primeira
vez em Wilian na sexta-feira, dia 29 de outubro, no Hospital
Pró-Cardíaco, pelo Dr. Eduardo Wajnberg, Neurointervencionista
do Pró-Cardíaco. O pós-operatório foi satisfatório e, três dias
após ter se submetido à cirurgia, o paciente recebeu alta. E
cerca de dez dias após o procedimento, o paciente poderá voltar
a suas atividades normais, com exames de controle aos 180 e 360
dias.
Segundo o Dr. Eduardo Wajnberg, “a nova técnica é considerada um
novo marco no tratamento do aneurisma cerebral, uma vez que
aumenta as chances de tratamento e cura da doença. O conceito
está no redirecionamento de fluxo dentro dos vasos do cérebro,
de modo que impede a entrada de sangue dentro do aneurisma”. No
caso de Wilian, qualquer outra técnica teria altíssimas chances
de complicação.
O dispositivo diversor de fluxo é um stent feito de uma liga
composta de 75% de cromocobalto e 25% de platina e tungstênio, e
composto por 48 fios densamente trançados. Sua malha de metal é
até 14 vezes mais densa do que os stents convencionais. Além
disso, ele é "customizável", de forma que vários dispositivos
podem ser posicionados juntos, um dentro do outro, ou um seguido
do outro, para a reconstrução de acordo com a anatomia de cada
paciente. Imediatamente após sua colocação, já ocorre o
re-direcionamento do fluxo, sendo reduzido para o interior do
aneurisma e direcionado apenas para os vasos normais. Esta
redução de fluxo inicial é estimada em cerca de 85%, e vai
progressivamente aumentando, até que o sangue pare totalmente de
entrar no interior do aneurisma. Com a ajuda da própria
capacidade de cicatrização do organismo, o aneurisma reduz seu
tamanho.
A evolução no tratamento dos aneurismas cerebrais é
relativamente recente e, apenas há alguns anos, passou a contar
com a técnica de tratamento por cateterismo, com a embolização
do aneurisma, feita com o uso de micro-molas, que são colocadas
através da virilha do paciente. Antes disso, a única opção era a
clipagem cirúrgica, na qual era necessária a abertura do crânio
do paciente. Até então, em ambas as modalidades, o foco do
tratamento era o aneurisma em si. Agora o foco é “consertar” a
artéria que o originou. Ou seja, o objetivo da cirurgia que
antes era o de ocluir a protuberância anormal do aneurisma,
passou a ser a reconstrução da origem do problema, a própria
artéria debilitada. Isso permitirá tratar aneurismas com paredes
muito finas e frágeis, pois com a nova técnica, o aneurisma nem
mesmo é manipulado.
A trama metálica destes stents é muito mais densa do que
qualquer outra já utilizada para tratamentos médicos desta
natureza. Ela serve de suporte para o crescimento de células da
parte interna dos vasos sanguíneos, o que promove uma
“re-pavimentação” do vaso sanguíneo.
De acordo o Dr. Wajnberg, outro ponto revolucionário da nova
técnica é a capacidade de preservar o fluxo para as artérias que
se originam próximas ao aneurisma e que são cobertas pelo
dispositivo: onde houver demanda por oxigênio, o fluxo sanguíneo
será preservado.
“O tratamento dos aneurismas com micro-molas ainda não vai
terminar, mas a utilização desta nova modalidade de stents vai
possibilitar o tratamento de um grupo de pacientes com
aneurismas considerados até então inoperáveis”, diz o Dr.
Eduardo Wajnberg.
O dispositivo de diversor de fluxo recebeu a aprovação do FDA, a
agência regulatória de saúde americana, em abril de 2011, depois
de completar um importante estudo clínico, no qual foram
incluídos 108 pacientes com aneurismas sem outras possibilidades
de tratamento, ou com falha na terapêutica anterior. Mesmo neste
grupo de pacientes de difícil abordagem, a técnica de
reconstrução arterial demonstrou uma eficácia acima de 85% após
um ano de seguimento dos pacientes.
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