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DPOC Respira fundo: conheça a DPOC O mês de novembro é marcado por manifestações em todo o mundo para alertar e informar a população sobre uma doença, muitas vezes silenciosa, que atualmente já acomete mais de 210 milhões de pessoas no mundo. Estamos falando da DPOC - Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, uma doença progressiva e parcialmente reversível que afeta perigosamente os pulmões. No dia 19 de novembro é comemorado o Dia Mundial de Combate DPOC, e o Instituto RIC Atitude Social, que tem dentre os seus programas o Respira Fundo, com o objetivo de ensinar a população a aprender a respirar melhor, entrevistou uma equipe multidisciplinar para trazer de forma clara e direta informações sobre a doença que, apesar de ainda não ter cura, pode ser controlada se diagnosticada precocemente. A DPOC estatisticamente ocorre com mais frequência em homens mais velhos e fumantes. “A Doença Pulmonar Obstrutiva é uma doença tratável e que pode ser prevenida que se caracteriza por limitação (obstrução) ao fluxo de ar das vias aéreas (dificuldade da passagem do ar pelas vias aéreas). Está dificuldade da passagem do ar não é completamente reversível e em geral é progressiva sendo causada por uma resposta inflamatória anormal das vias aéreas e parênquima pulmonar à inalação de partículas ou fumaças tóxicas, das quais a mais importante é a fumaça do cigarro”, afirma o pneumologista Dr. Emilio Pizzichini. “Embora o fator de risco mais importante encontrado para a DPOC seja o tabagismo, sabe-se que a DPOC é um exemplo clássico de doença onde a interação genética associada aos fatores de risco da pessoa junto com fatores ambientais (tabagismo, poluição ambiental, nível socioeconômico, infecções respiratórias, dieta, exposição em ambientes confinados à fumaça de fogão a lenha, etc) contribuem em conjunto para o desenvolvimento da mesma”, completa Dr. Emilio. Existe um exemplo clássico de herança genética isolada para o desenvolvimento da DPOC, a deficiência de alfa1-anti-tripsina, uma condição rara que provoca o desenvolvimento acelerado de enfisema pulmonar. Isto significa dizer que nem todos os fumantes desenvolverão DPOC e que nem todos os portadores de DPOC são fumantes ou ex-fumantes. “Sabe-se que cerca de 50% dos fumantes desenvolvem limitação ao fluxo de ar das vias aéreas e que apenas 20% dos fumantes desenvolverão doença progressiva clinicamente importante”, Os principais sintomas dos pacientes são a limitação do fluxo aéreo, principalmente na fase expiratória, a dispneia (falta de ar), a hiperinsulflação dinâmica (que leva ao encurtamento das fibras musculares do diafragma), fadiga muscular e insuficiência respiratória. “O diagnóstico de DPOC requer uma espirometria (exame para avaliar a capacidade pulmonar). Qualquer paciente com idade igual ou superior a 40 anos com sintomas de tosse persistente com ou sem expectoração ou dispnéia ou exposição a um fator de risco (tabagismo por exemplo) deveria ter sua função pulmonar avaliada para excluir DPOC. O diagnóstico da DPOC requer a demonstração de uma dificuldade quase fixa na passagem do ar pelo interior dos brônquios. De acordo com está dificuldade pode-se classificar a gravidade da DPOC em leve, moderada, grave ou muito grave. Os valores da função pulmonar são utilizados para o diagnostico e classificação da DPOC”, assinala Dr. Emilio. A radiografia de tórax é útil para o diagnóstico diferencial, uma vez que pode mostrar a presença de outras doenças que se acompanham de sintomas semelhantes aos da DPOC. Exames avançados que determinam o tamanho do pulmão e as tomografias de tórax também podem ajudar nos casos mais difíceis. Em geral a DPOC se manifesta a partir da quinta década de vida com sintomas de tosse persistente, que pode ou não se acompanhar de expectoração mucosa. Estes sintomas pioram durante um episódio de infecção respiratória aguda quando o paciente se torna mais sintomático que o habitual e, em geral, tem dispnéia. “A dificuldade para realizar atividades diárias e exercício também está presente nos estágios iniciais, mas pode ser confundida com efeitos da inatividade e envelhecimento”, assinala Dr. Emilio. A medida que a doença progride, as crises ou ataques de bronquite se tornam mais frequentes, a falta de ar se torna mais constante e incapacitante podendo ser acompanhada por falta de oxigênio ao organismo. Nos estados tardios da doença pode ocorrer desnutrição, falência do coração e outras complicações. Os pacientes com DPOC apresentam limitações ventilatórias e fraqueza dos músculos respiratórios, que consequentemente acarretam na restrição das atividades diárias, reduzindo a tolerância à prática de exercícios físicos e fácil fadiga. De acordo com a OMS - Organização Mundial de Saúde, 210 milhões de pessoas no mundo têm DPOC, sendo a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica a sexta causa de morte no mundo e a quinta no Brasil. A estimativa é de que a doença se torne a terceira principal causa de morte por volta de 2020. Quando comparada a outras doenças comuns como as doenças do coração e derrames, a DPOC é a única condição cujo número de casos novos vêm aumentando na última década. No Brasil, a DPOC atinge cerca de seis milhões de pessoas. Somente 12% dos pacientes são diagnosticados e desses apenas 18% recebem tratamento. Ainda segundo a OMS, a estimativa é que apenas em 2011, seis milhões de pessoas vão morrer por causa de doenças relacionadas ao tabagismo. Em 2030, deverão ser oito milhões. Os números podem parecer exagerados, mas aproximadamente 90% dos casos de câncer de pulmão em homens e 70% em mulheres são causados pelo hábito de fumar. De acordo com o Dr. Emilio, a mortalidade devida à DPOC aumenta substancialmente com o número de cigarros fumados. Entre os indivíduos que fumam mais do que 25 cigarros/dia a chance de morrer por DPOC é 20 vezes superior do que entre aqueles que não fumam. Projeções do estudo Global Burden of Diseases prevê, que nos próximos 20 anos, haverá um aumento considerável na morbidade e mortalidade causadas pelo tabagismo. “Dos 8,4 milhões de mortes estimadas, 6 milhões ocorrerão nos países em desenvolvimento. Isto coloca uma perspectiva sombria para o Brasil, se ações mais efetivas não forem tomadas para prevenir e combater o tabagismo”, alerta o pneumologista. O Tratamento: O tratamento inicial para um portador de DPOC é a interrupção do tabagismo, inclusão do paciente em um grupo de reabilitação pulmonar (por meio de uma equipe multidisciplinar), tratamento farmacológico (com o uso de antiinflamatórios, broncodilatadores, corticoides orais e inalatótios), acompanhamento nutricional e fisioterápico, recondicionamento físico e apoio psicossocial. É preciso que a pessoa portadora da doença conscientize-se que a mudança é primordial para sua saúde. “O tratamento da DPOC deve ser dirigido para atingir quatro objetivos principais: (1) impedir que a doença progrida, (2) melhorar a capacidade para o exercício (3) controlar os sintomas e, (4) diminuir a frequência das exacerbações (ataques)”, pontua Pizzichini. “A fisioterapia respiratória, parte integrante do tratamento, tem como objetivo diminuir e controlar os sintomas respiratórios, aumentar a capacidade física, diminuir o número de exacerbações relacionadas à doença, melhorar a qualidade de vida e consequentemente o seu prolongamento”, comenta a fisioterapeuta Jaqueline Vieira de Souza Tarouco. Este tipo de fisioterapia visa à melhora funcional do paciente através de diferentes exercícios respiratórios, com o objetivo de eliminar as secreções e melhorar a ventilação por meio de práticas de tosse, manobras de higiene brônquica, exercícios físicos associados com a respiração diafragmática, e exercícios ativos de membros superiores e inferiores. “As atividades incluem exercícios respiratórios, que consistem em treino de força dos principais músculos respiratórios, treino aeróbico com caminhadas, step, halteres e dispositivos elásticos para membros superiores e alongamentos”, explica a fisioterapeuta Jaqueline. Em geral as atividades também podem ser realizadas no ambiente domiciliar, evidentemente que adequados para o estado clínico do paciente e com uma boa orientação profissional. “Grande parte dos pacientes apresentam resultados positivos após oito semanas de reabilitação. Mas, no entanto, um dos fatores determinantes para uma boa evolução clínica é o diagnóstico precoce, um tratamento adequado e a adesão ao programa de reabilitação”, ressalta Jaqueline. “Infelizmente em Santa Catarina ainda não existe um centro para o seguimento e manejo dos pacientes com DPOC grave. Também inexiste um protocolo aprovado a nível estadual para o fornecimento de medicações para o manejo clínico da DPOC”, pontua o pneumologista. Quando questionado sobre dados atuais sobre a doença, o médico explica que o único estudo a respeito de DPOC se refere ao estudo Platino, realizado em São Paulo. “Está em fase final de planejamento um estudo para levantar o impacto e a prevalência da DPOC na cidade de Florianópolis que fornecerá dados sobre a condição em nosso meio”. Uma dieta equilibrada também faz parte do tratamento e da melhora na qualidade de vida das pessoas com a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica. Segundo a nutricionista Francine Ferrari, o balanceamento nutricional é imprescindível. “Com o balanço nutricional é possível gerar a oferta de alimentos que aumentem o sistema imunológico, contribuam para a desintoxicação do organismo e façam a manutenção e prevenção da saúde. São exemplos indicados para quem tem o DPOC: as oleaginosas como nozes, castanha e avelã, as frutas cítricas como limão, abacaxi, caju, laranja e as massas integrais”, comenta. Logo no início do tratamento é possível perceber mudanças na pele, cabelo, hálito, paladar e até mesmo no humor. “A estética é um reflexo do organismo interno, portanto, com bons hábitos, as mudanças serão logo percebidas”, afirma Francine. Estudos apontam ainda que além de uma composição adequada de proteínas, carboidratos e lipídeos, são evidentes que as vitaminas e minerais nas quantidades recomendadas devem ser incluídas na terapia nutricional dos pacientes. Níveis normais de magnésio e cálcio são necessários à manutenção normal da estrutura e função do pulmão. O magnésio, que compete com o cálcio em sua ação na contração da musculatura lisa, pode exercer uma função regulatória na atividade dos brônquios. O pneumologista também assinala que podem ser adotadas outras medidas para o manejo da DPOC. “Finalmente, vale a pena ressaltar a recomendação do uso da vacinação anual destes pacientes contra a influenza (gripe) e a vacinação a cada quatro anos com a vacina anti-pneumocócica no sentido de diminuir as chances de ataques ou morte”. Fumo X Emagrecimento: É comum ouvirmos de fumantes que não vão parar de fumar pois vão engordar. E essa é uma afirmação parcialmente correta. “Em média os pacientes que param de fumar aumentam o peso em cerca de três quilos. Isto acontece por que os pacientes acabam mudando de comportamento e uma das fugas é o aumento da ingesta alimentar. Contudo nos programas de combate ao tabagismo (individuais ou em grupo) este fato é discutido e pode-se prevenir o aumento do peso através de orientação dietética e da realização de exercícios”, justifica o pneumologista. A cardiologista Jaqueline Scholz Issa, Chefe do ambulatório de tabagismo do Incor - Instituto do Coração do Hospital de Clínicas de São Paulo, acompanhou durante três anos uma centena de homens e mulheres fumantes que tentavam abandonar o cigarro, e afirma que o tabagismo é uma doença. “A nicotina liga regiões do cérebro que ativam os mecanismos de prazer, tornando difícil deixar o cigarro, mesmo sabendo de seus efeitos nefastos para a saúde”, destaca. "Por isso é necessário acompanhamento médico para as pessoas que desejam abandoná-lo". A pesquisa realizada aponta que uma ex-fumante acaba incorporando, em média, sete quilos à sua silhueta. O aumento de peso é o principal motivo que leva as mulheres de volta ao vício. Elas retomam o hábito e, em pouco tempo, começam a emagrecer. “É verdade que a nicotina aumenta a queima de gordura. Mas a perda calórica provocada pela substância não justifica inteiramente o fato da maioria das mulheres engordar tanto ao parar de fumar. Se fosse assim, os homens que abandonam o tabagismo também ganhariam muitos quilos. Não é o que acontece”, comenta. A pesquisa do Incor revela que os homens, ao deixar o cigarro, não sofrem alterações de peso significativas se comparados as mulheres. As pessoas engordam pois, na verdade, tendem a suprir a falta do cigarro pela comida, uma vez que ao deixar de fumar o paladar torna-se mais aguçado. “O muco diminui, então a pessoa sente mais sabor e acha a comida mais gostosa do que o normal”, assinala a cardiologista. A nutricionista Francine completa explicando que o aumento de peso se dá no início do processo, mas com a adoção de hábitos mais saudáveis, com uma reeducação alimentar e a prática de atividades físicas, as pessoas tendem a perder peso. Associação Brasileira de Pacientes com DPOC: No Brasil os pacientes que sofrem com a doença contam com a Associação Brasileira de Pacientes com DPOC, uma entidade sem fins lucrativos que visa colaborar na promoção da qualidade de vida dos pacientes. Fundada em 31 de Maio de 2000 por médicos e pacientes do CRP - Centro de Reabilitação Pulmonar da Universidade Federal de São Paulo, Escola Paulista de Medicina e Lar Escola São Francisco, atua oferecendo informações sobre o tratamento da DPOC e seus avanços, além de dar orientação e apoio junto às autoridades governamentais para obtenção de tratamento gratuito que englobe desde medicamentos, oxigenioterapia domiciliar, até a reabilitação pulmonar. |